Protestos na Líbia e alta do petróleo pesam e bolsas dos EUA fecham em forte queda

Melhora na confiança do consumidor do país e resultados corporativos foram ofuscados por aversão ao risco externo

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SÃO PAULO – Os principais índices acionários das bolsas norte-americanas encerraram o pregão desta terça-feira (22) em forte queda, pressionados pelo recrudescimento das manifestações populares na Líbia, que acarretou o fechamento dos portos e anúncio da saída de importantes petrolíferas do país. Nem mesmo a melhora na confiança do consumidor norte-americano ou resultados corporativos positivos foram capazes de conter a aversão ao risco predominante no pregão.

O índice Nasdaq Composite, que concentra as ações de tecnologia, fechou em baixa de 2,74% a 2.756 pontos. O S&P 500, que engloba as 500 principais empresas dos EUA, encerrou o pregão em desvalorização de 2,05% atingindo 1.315 pontos, enquanto o Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas, apresentou queda de 1,44% chegando a 12.213 pontos.

% Var Dia Pontos %Var 30D %Var Ano
 Dow Jones -1,44 12.213 +2,87 +5,49 
 S&P 500 -2,05 1.315 +2,50 +4,60 
 Nasdaq -2,74 2.756 +2,49 +3,90 

O ditador da Líbia, Muammar Gaddafi, foi à televisão estatal nesta terça-feira (22) reafirmar que não deixará o país e morrerá no “honrado solo” da Líbia. Gaddafi prometeu lutar contra os manifestantes que pedem o fim do regime e disse que, se necessário, irá morrer como um mártir. “Passei minha vida sem ter medo de nada. Eu devo permanecer aqui, desafiador”, acrescentou.

Ao mesmo tempo, o ditador ameaçou os populares que tomam as ruas desde a última semana. Ele afirmou que a força ainda não foi usada, mas, se necessário, será utilizada, e ameaçou com a punição de morte e execução “aqueles que tomam parte na guerra civil”, nome que ele dá aos protestos. 

Com a efervescência dos acontecimentos, algumas companhias estrangeiras que exploram o petróleo do país, entre elas a italiana Eni e a espanhola Repsol, declararam a paralização de suas operações. Enquanto isso, todos os portos do país foram fechados, segundo os operadores da Líbia. A previsão de retomada dos portos é de dois a três dias. 

Petrolíferas em alta, companhias aéreas em baixa
Com o barril do petróleo negociado no mercado futuro de Nova York em alta de quase 9% e, ao mesmo tempo, as notícias sobre suspensão de operações, as petrolíferas foram destaque na sessão. Os papéis da Chevron e ExxonMobil avançaram 1,62% e 1,11%, respectivamente.

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Por outro lado, os ADRs (American Depositary Receipts) da Repsol na bolsa de Nova York mostraram desvalorização de 4,95%, enquanto os ADRs da Eni despencaram 7,2%.

Já as companhias aéreas fecharam em forte baixa, atingidas pela alta do petróleo, que eleva os custos operacionais. A Delta Air Lines e United Continental recuam 6,61% e 9,21%, respectivamente.

Resultados
Após o fechamento do pregão desta terça-feira, a Hewlett Packard divulgou um aumento de 16% no lucro líquido, que passou de US$ 0,93 no primeiro trimestre fiscal de 2009 para US$ 1,17 no mesmo período de 2010. A receita foi de US$ 32,3 bilhões, acima dos US$ 31,2 bilhões mostrados em 2009. O resultado veio abaixo do esperado pelo mercado. Analistas esperavam lucro de US$ 1,29 por ação e receitas de US$ 32,93 bilhões, segundo pesquisa da FactSet Research. A empresa também reportou uma perspectiva abaixo do esperado e vê suas ações recuarem quase 9% no after-hours.

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O front corporativo também contou com a divulgação de resultados de empresas como Macy’s e Wal-Mart, com ambas superando as estimativas de analistas quanto ao seus ganhos. A Macy’s afirmou esperar que o crescimento de vendas e lucros se prolongue durante este ano, enquanto o Wal-Mart não conseguiu evitar a sétima queda consecutiva no segmento mesmas lojas. Com isso, as ações da varejista Macy’s caíram 1,22% e os papéis do Wal-Mart recuaram 3,09%.

As ações da Barnes & Noble marcam um recuo ainda maior, de quase 14,35%. A empresa anunciou que irá suspender sua distribuição de dividendos, além de não oferecer uma perspectiva para seu ano fiscal, devido ao anúncio de falência da rival Borders.

Agenda
O Consumer Confidence indicou 70,4 pontos no mês, superando as expectativas do mercado, que indicavam 67,0 pontos. Vale ressaltar que o indicador mostra sinais de melhora em comparação com o mês de janeiro, cujo resultado foi revisado para 64,8 pontos.

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Já os preços dos imóveis norte-americanos caíram 2,38% em dezembro, na base de comparação anual. A queda no indicador foi menor que as expectativas de mercado, que projetavam recuo de 2,40% para o período.