Publicidade
SÃO PAULO – O mercado aguarda com pessimismo a divulgação do resultado da Usiminas (USIM3; USIM5) na manhã da próxima quarta-feira (23). Analistas de Brascan, Ágora, Barclays e Credit Suisse projetam que os três últimos meses de 2010 mostrarão margens ainda mais deterioradas do que no trimestre anterior, por conta de ganhos menores com a venda do aço e aumento dos custos.
Dentre os motivos cotadas para pressionar o resultado da empresa, o crescimento da concorrência no mercado interno é um dos fatores mais preocupantes. O cenário cambial de desvalorização do dólar em relação ao real facilitou a entrada do aço importado, cujos estoques atingiram elevados níveis e continuam a prejudicar o cenário competitivo.
“Ressaltamos ainda o incremento das exportações de aço, o que se traduz em um mix de venda mais fraco”, diz a Ágora. A corretora projeta uma diminuição de vendas físicas de 0,1% na passagem trimestral, mas de 9% na comparação com o mesmo período de 2009, para 1,549 bilhão de toneladas. Já a Brascan projeta uma redução de vendas de 1,5% em relação ao último trimestre, para 1,527 bilhão de toneladas.
Aumento dos custos
Por sua vez, o aumento dos custos das matérias-primas (carvão, coque e minério de ferro), iniciado em julho de 2010, tende pressionar os ganhos da companhia a partir deste trimestre. Somado à redução da receita, é mais um motivo para a corrosão dos números operacionais, aponta a Brascan.
Ainda é preciso pesar a renegociação anual de salários e a baixa demanda por chapas grossas no mercado interno. Levando em conta tal cenário, a Brascan reitera que, “apesar das recentes notícias dando conta de que a Usiminas teria implementado o fim dos descontos aos distribuidores, a empresa tende a continuar com sua rentabilidade pressionada no médio prazo”.
O Barclays estima que tais descontos, praticados no último trimestre, devem responder por uma queda de 5% nos preços do aço doméstico na comparação entre os dois últimos trimestres.
Continua depois da publicidade
Recuperação distante
Para o banco inglês, o pior momento no resultado da empresa ainda está por vir e deve se materializar no primeiro trimestre de 2011. No período, é esperado que a margem Ebitda atinja 12% ou um patamar ainda menor. A recuperação viria então, modesta, a partir do segundo trimestre de 2011.
A recomendação do Barclays para o papel é neutra, enquanto a Ágora mantém a recomendação de compra tanto para o papel ordinário e preferencial. A Brascan mantém a recomendação outperform para o papel preferencial, com preço alvo de R$ 39,48 e um potencial de ganhos de 96,61% com base no pregão de 22 de fevereiro.
Confira a média de projeções para o balanço:
Continua depois da publicidade
| (em R$ milhões) | 4T10 E* | 3T10 | 4T09 | 4T10E/3T10 | 4T10 E/4T09 |
| Receita líquida | 2.950,4 | 3.240,5 | 2.984,4 | -8,95% | -1,13% |
| Ebitda | 391,2 | 735 | 663 | -46,77% | -40,99% |
| Margem Ebitda** | 12,86% | 22,7% | 22,2% | -9,84 p.p. | -9,34 p.p. |
| Lucro líquido | 165,8 | 495,3 | 633,0 | -66,52% | -73,80% |
* média obtida entre as expectativas da Ágora, Barclays, Credit Suisse, Itaú e Brascan
** não inclui as estimativas do Itaú