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SÃO PAULO – Os mercados acionários internacionais rumam para um leve repique nesta sexta-feira (25), depois de passarem a semana pressionados pelas tensões políticas no norte da África e Oriente Médio. A redução da cautela também é vista no mercado de petróleo, com a commodity perdendo o forte ritmo de alta visto nos últimos dias.
A melhora no humor acompanha os movimentos da comunidade externa, que se organiza para reprimir a violência do governo líbio contra seus opositores. Nesta sexta-feira, a França e a Grã-Bretanha devem pedir à ONU (Organização das Nações Unidas) embargos e sanções financeiras contra a Líbia. Ao mesmo tempo, o Wall Street Journal reportou que o governo suíço ordenou aos bancos o bloqueio dos bens do líder líbio, Muammar Khaddafi.
Porém, as referências do dia certamente não se limitam à África. Dentre os destaques da agenda internacional, merecem atenção a divulgação dos PIBs (Produto Interno Bruto) dos Estados Unidos e Reino Unido, além da confiança do consumidor norte-americano.
Antes de receberem a segunda prévia do desempenho econômicos norte-americano no quarto trimestre de 2010, às 10h30 (horário de Brasília), os investidores avaliam os dados já divulgados na Europa. Entretanto, os negócios na bolsa de Londres encontram-se suspensos, por conta de problemas técnicos.
A economia britânica recuou mais do que o esperado, tenho decrescido 0,6% no último trimestre do ano passado, na base de comparação trimestral. Além disso, o banco central da Rússia sinalizou preocupações com a inflação e aumentou a taxa básica de juro pela primeira vez desde 2008. Depois de oito meses estável, o juro básico foi elevado de 7,75% para 8% ao ano.
O resultado das tensões
Um dos pontos que têm pressionado os mercados acionários nos últimos dias é a ideia de que, com a corrida por petróleo ocasionada pelas tensões políticas na Líbia e outros países da região, a alta no preço da commodity poderia prejudicar a ainda inconsistente recuperação econômica global.
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Sobre isso, a MCM Consultores fez um estudo, chegando à conclusão de que “a recente elevação da cotação da referida commodity (em relação à média do quarto trimestre de 2010) pode reduzir o crescimento dos EUA e da China neste ano em, respectivamente, 0,36 e 1,00 ponto percentual”.
Outra consequência da alta do petróleo seria a estabilização nos preços das commodities não energéticas. “Na verdade, queda de apenas 2,5 pontos percentuais”, explica a consultoria.
Nesta sexta-feira, a commodity é negociada em leve alta de 0,07% em Nova York, atingindo US$ 97,35 por barril. Já em Londres, o brent registra valorização de 0,96%, sendo cotado a US$ 112,43 por barril.
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Brasil exportando óleo para os EUA?
O petróleo também fica em foco no Brasil. Em primeiro lugar devido às expectativas pela divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2010 da Petrobras (PETR3, PETR4), previsto para depois do fechamento dos mercados. As estimativas dos analistas mostram um crescimento de receita, baseado em preços melhores no mercado internacional e estáveis no front doméstico.
Porém outra notícia fica em foco. Na noite da última quinta-feira (24), o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota, informou que há interesse dos Estados Unidos em importar petróleo do País. “Foi mencionado, a título especulativo, que o Brasil pode se converter em um importante exportador de petróleo para os Estados Unidos no futuro, a partir de suas reservas do pré-sal”, relatou.
Resultados, contas públicas e inflação
Além do setor de petróleo, o segmento de mineração também deve ser movimentado pela temporada de resultados nesta sessão. A Vale (VALE3, VALE5) anunciou os números trimestrais na véspera, apontando um lucro líquido de R$ 10 bilhões. No acumulado de 2010, os ganhos somaram o recorde de R$ 30,7 bilhões, 190,9% acima da média das projeções dos analistas entrevistados pela InfoMoney. Os ADRs (American Depositary Receipts) da mineradora sobem 4,5% no pré-market de Nova York.
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Na agenda desta sexta-feira, destaque ainda para os números a serem divulgados por Porto Seguro, Mills Engenharia e Tivit. Já no front dos indicadores econômicos, o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) de fevereiro apontou inflação de 1%, taxa 0,21 ponto percentual maior que a apurada no mês anterior. O índice divulgado pela FGV (Fundação Getulio Vargas) ficou acima do esperado pelo mercado, de 0,90%.
Além disso, o Banco Central divulga a Nota de Política Fiscal, resultado fiscal não financeiro do setor público, ligado à dívida e ao superávit primário.