Publicidade
SÃO PAULO – Com o agressivo plano de investimentos previsto para os próximos anos, a Vale (VALE3;VALE5) declarou que não pretende, ao menos por enquanto, aumentar a distribuição de dividendos. “O retorno para os acionistas é muito importante para nós, mas com US$ 24 bilhões em investimentos previstos, temos que ser muito disciplinados na alocação de capital”, declarou Roger Agnelli, presidente da Vale, em teleconferência com acionistas sobre o resultado do quarto trimestre de 2010.
Além de finalizar extensão de operações já existentes, existem projetos em curso para adicionar capacidade de produção de minério de ferro, por exemplo. O forte fluxo de caixa em 2010 permitiu não só que a companhia investisse, mas também que reduzisse o endividamento, alongando a maturação dos compromissos existentes. A companhia ainda retornou para seus acionistas US$ 5 bilhões no ano passado e, dentre seus pares, foi a empresa que mais criou valor para o acionista, com retorno médio nos últimos cinco anos de 30%.
Mercados instáveis pedem cautela
Embora não precise acessar os mercados de capitais neste momento para financiar projetos futuros, Agnelli reforçou o comportamento incerto dos mercados financeiros, e disse considerar ser necessário esperar um pouco mais para decidir sobre um aumento dos dividendos distribuídos.
Continua depois da publicidade
“Se tivermos espaço, iremos elevá-los”, declarou Agnelli, mas por enquanto a administração da companhia prefere observar os resultados do primeiro semestre e o comportamento de algumas variáveis incertas, como inflação, câmbio e liquidez internacional.
No caso da inflação, Guilherme Cavalcanti, CFO (Chief Financial Officer) da empresa, acredita que a tendência é causada pelo preço do petróleo e dos alimentos, e por isso não deve ser duradoura. Quando à volatilidade do real frente ao dólar, uma proteção da companhia são os US$ 9,4 bilhões que a Vale tem em ativos líquidos, como dinheiro e títulos de dívida soberana. Segundo Cavalcanti, do tota,l 60% estão alocados em dívida brasileira, o que além de uma proteção contra a valorização do real, remunera a empresa pela Selic, atualmente em 11,25% ao ano.
De olho em oportunidades
Alocar capital para criar valor foi um dos objetivos expressos pela companhia durante a teleconferência. De acordo com Agnelli, a empresa está comprometida em se manter disciplinada na destinação de recursos, e disse observar, por exemplo, boas oportunidades no segmento de cobre. “Estamos procurando novas reservas em cobre, porque é uma área em que julgo que temos que aumentar nossa presença”, declarou o presidente da Vale.
Continua depois da publicidade
O executivo manteve, ainda, a meta de alcançar a produção de 1 bilhão de toneladas do material até 2015. Níquel, fertilizantes e logísticas são outras áreas focadas pela companhia, com grande potencial de crescimento. “A Vale está muito bem posicionada para os resultados futuros também”, concluiu Agnelli.