CSN vence nova queda de braço com pessimistas de mercado – mas até quando?

Analistas rebaixaram recomendação da empresa, mas papel seguiu em alta embalada pelo programa de recompra de ações; resta saber o que será do rali quando o dinheiro acabar
Indústria siderúrgica na China
Indústria siderúrgica na China

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SÃO PAULO – Após três programas de recompra em três meses e ver seus papéis andarem praticamente de lado, parece que a CSN (CSNA3) realmente conseguiu mostrar seu poder de fogo no lado comprador do mercado. Na última segunda-feira, uma casa de análise rebaixou a recomendação dos papéis, o que gerou uma pressão negativa nas cotações. A siderúrgica, no entanto, aproveitou a queda nos preços para “encher o carrinho” de ações, revertendo a tendência dos ativos e ajudando a manter o rali que já dura quase um mês e supera a faixa de 20% de valorização.

Após 3 meses “paradas”, as ações CSNA3 começaram um rali no início de junho, quando eram cotadas a R$ 8,59. Desde então, os papéis já subiram 21,42% e já atingiram os R$ 10,43, sendo que apenas na primeira semana de julho a valorização atingiu 10,96%. Analistas chegaram a questionar se a companhia estava realmente recomprando ações em seus programas já que suas ações praticamente não saíram do lugar, enquanto os comunicados mantinham sempre o valor de 702.056.615 de papéis em circulação.

Mas ontem o mercado teve uma forte sinalização de que a companhia está aproveitando o atual programa de recompra. Do total de ações CSNA3 compradas no pregão, pouco mais de 30% foram intermediadas pela corretora do Itaú – uma das duas instituições escolhidas pela CSN para coordenarem as recompras feitas pela companhia, junto com o BTG Pactual.

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Ao final do pregão, a Itaú Corretora apresentou um saldo – diferença de ações compradas e vendidas – de 2,55 milhões de CSN. Para efeito de comparação, o segundo maior saldo ficou em 580 mil papéis, pela Ativa Corretora.

Nem “Buffett” derrubou as ações
Uma coisa que chamou atenção dos investidores foi o momento dessa forte compra. Na manhã de ontem o Brasil Plural rebaixou sua classificação para os papéis da companhia para underweight (desempenho abaixo da média) e reduziu o preço-alvo de R$ 10,00 para R$ 9,50. Mesmo que as ações tenham subido no último pregão, o Brasil Plural mostra o que deve ser o futuro dos papéis da CSN.

Os analistas Renato Antunes, Milton Sullyvan e Paulo Valaci, que assinam o relatório do Brasil Plural, citam uma lição valiosa do mega investidor Warren Buffett: “não invista em uma ação que você não entende bem”. “Não pensamos que dificuldades financeiras são riscos significativos no case de investimento da CSN, mas a recente valorização das ações em meio a uma clara deterioração dos fundamentos nos levam a reavaliar a ação e rebaixar sua recomendação”, comentaram os analistas, citando que os papéis já subiram mais de 80% desde julho do ano passado.

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O time da corretora explica que por muito tempo vinham defendendo o investimento em CSN, que foi reforçado nos últimos meses por conta dos anúncios de um agressivo programa de recompra de ações da empresa, que fizeram os investidores se questionarem se notícias positivas poderiam vir mais a frente. Entretanto, só isso não é suficiente, sendo preciso uma visão mais clara da situação da empresa para entender quais riscos reais estão envolvidos no case, disseram.

E quando o programa acabar?
Vale destacar que o programa de recompra da companhia tem prazo para terminar e limite de compras, o que indica que mesmo que as ações continuem subindo, a pressão vendedora pode pesar para a empresa nos próximos meses. 
O atual programa da companhia prevê a aquisição de até 3% do total de ativos em circulação, ou 26.781.661 papéis, até o próximo dia 25 de julho.

Como destacaram os analistas da Brasil Plural, a justificativa para o rebaixamento está exatamente no fato da alta recente dos papéis ser inconsistente, uma vez que ocorre em meio à evidente deterioração dos fundamentos da empresa.

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Nos dois primeiros programas, a companhia tinha colocado como limite 10% das ações em circulação, enquanto no terceiro anúncio esse percentual caiu para 8,3%. Até o dia 23 de maio, dia do anúncio do terceiro programa de recompra, o papel da companhia andou de lado por três meses, ficando próximo de R$ 8,60, até engatar o atual rali, com alta de 20% em 40 dias.

Será que haverá fôlego para a CSN na Bolsa após 25 de julho? Só o tempo irá dizer – afinal, nada impede a siderúrgica de lançar um quinto programa de recompra.


Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.