CSN leva recompras a sério e sobe 18% na Bolsa; mas e quando o programa acabar?

Apenas em julho, corretora do Itaú - responsável pelo programa da CSN - liderou as compras das ações da siderúrgica, sinalizando que a recompra está a todo vapor; mas futuro após o término das compras ainda inspira cautela

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SÃO PAULO – Se os três primeiros programas de recompra de ações da CSN (CSNA3) anunciados ao longo de 2014 não tiveram grande efeito nas ações – os papéis praticamente só andaram de lado por três meses, levando analistas a apontarem que a companhia não tinha comprado nada -, parece que desta vez a siderúrgica decidiu levar a sério as recompras. Desde que anunciou o programa, em 26 de junho, as ações da empresa já subiram 15,79%. Apenas em julho, a valorização já beira os 18%.

Olhando os dados de cada pregão desde aquela data, é possível verificar que a Itaú Corretora – instituição escolhida pela CSN para intermediar o programa de recompra – é com larga vantagem a maior compradora dos papéis CSNA3 na Bovespa, o que se torna um grande indício de que a CSN está recomprando fortemente seu papéis.

Em julho, o saldo de posição do Itaú – diferença entre a quantidade de ações compradas e vendidas – é o único positivo entre as instituições financeiras envolvidas em negócios com os papéis CSNA3. Nestes 9 pregões do mês, o saldo é positivo em 14,55 milhões de ações, enquanto a segunda colocada Credit Suisse tem saldo negativo de 2,55 milhões de ações.

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Vale destacar que o programa de recompra da companhia tem prazo para terminar e limite de compras, o que indica que mesmo que as ações continuem subindo, uma pressão vendedora pode pesar para a empresa nos próximos meses, já que analistas estão bem desanimados com a empresa. O atual programa da companhia prevê a aquisição de até 3% do total de ativos em circulação, ou 26.781.661 papéis, até o próximo dia 25 de julho.

Participação da Itaú Corretora nas negociações com CSNA3 em julho:

Pregão Total de Ações
Compradas pela
Itaú Corretora 
Saldo*
(em mil ações)
Posição
por saldo
01/07 30,10% 916 1º
02/07 41,45% 2.179 1º
03/07 32,18% 1.764 1º
04/07 26,29% 142,3 2º
07/07 30,06% 2.548 1º
08/07 22,04% 585,1 1º
10/07 32,70% 2.382 1º
11/07 30,00% 1.503 1º
14/07 28,95% 2.534 1º
Total 30,86% 14.556 1º
*Diferença entre ações compradas e vendidas

Comprar o que Buffett não compraria?
O fim do programa de recompra também preocupa dado que especialistas que acompanham a CSN não estão otimistas com o futuro da empresa, ou seja, se essas altas estão sendo impulsionadas pelas recompras, com o fim dela é possível que a pressão vendedora acabe tendo grande impacto sobre os papéis. Fato é que na última semana o Brasil Plural rebaixou sua recomendação para os papéis da companhia para underweight (desempenho abaixo da média) e reduziu o preço-alvo de R$ 10,00 para R$ 9,50.

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Os analistas Renato Antunes, Milton Sullyvan e Paulo Valaci, que assinaram o relatório do Brasil Plural, citam uma lição valiosa do megainvestidor Warren Buffett: “não invista em uma ação que você não entende bem”. “Não pensamos que dificuldades financeiras são riscos significativos no case de investimento da CSN, mas a recente valorização das ações em meio a uma clara deterioração dos fundamentos nos levam a reavaliar a ação e rebaixar sua recomendação”, comentaram os analistas, citando que os papéis já subiram mais de 80% desde julho do ano passado.

O time da corretora explica que por muito tempo vinham defendendo o investimento em CSN, que foi reforçado nos últimos meses por conta dos anúncios de um agressivo programa de recompra de ações da empresa, que fizeram os investidores se questionarem se notícias positivas poderiam vir mais a frente. Entretanto, só isso não é suficiente, sendo preciso uma visão mais clara da situação da empresa para entender quais riscos reais estão envolvidos no case, disseram.

Sem citar o programa, os analistas do Brasil Plural explicaram que o rebaixamento ocorreu exatamente pelo fato da alta recente dos papéis ser inconsistente, uma vez que ocorre em meio à evidente deterioração dos fundamentos da empresa.


Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.