Vale criará índice para capturar valor de minério de melhor qualidade em Carajás

Em apresentação realizada com analistas e investidores na última sexta-feira, a companhia destacou que o aumento esperado na qualidade do produto deve representar valor adicional ao minério de ferro

Publicidade

SÃO PAULO – Com o objetivo de capturar o real valor do minério de ferro de alta qualidade da empresa em Carajás, a Vale (VALE3;VALE5) pretende criar um índice, o IOCJ 65%.

Conforme ressalta em relatório o BTG Pactual, o novo índice deve ajudar a capturar valor de seu minério de maior qualidade – a Vale introduziu o IOCJ 65% índice de Fe para desenvolver uma melhor referência para precificar seus minérios. A empresa está tentando melhorar a liquidez deste novo índice.  Em apresentação realizada com analistas e investidores na última sexta-feira, a companhia destacou que o aumento esperado na qualidade do produto deve representar valor adicional ao minério de ferro. 
“Nós acreditamos que esta é uma iniciativa interessante de gestão, o que poderia ajudar a empresa a capturar valor para além da fórmula 1% Fe, e melhorar os seus preços realizados ao longo do tempo”, destacaram os analistas do BTG. Conforme disse o diretor-executivo de finanças da companhia, Luciano Siani, a mineradora espera, com essa iniciativa, fornecer liquidez ao índice, gerando credibilidade e transparência à referência de preços. 

Hoje a principal referência de preços para o minério de ferro vendido no mercado internacional é o Iodex (Platts Iron Ore Index), conforme ressalta o jornal Valor Econômico. Esse índice se baseia em especificação padrão para os finos de minério com teor de ferro de 62%.

Segundo o BTG, a entrada dos seus novos projetos devem melhorar o impacto sobre a mineradora, levando em conta o percentual de 65% do minério de ferro, além da menor volatilidade do frete e custos através da Valemaxes, assim como a manutenção dos volumes de vendas atuais. No geral, os analistas do banco avaliam que o desconto de preços entre os realizados e os à vista devem diminuir ao longo do tempo. A estimativa é de um desconto de 15% em relação aos 25% do primeiro trimestre de 2014. 

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.