Primeiras leituras: inflação, desemprego, Copom e votos

Eventos econômicos da semanadevem agiar economia e mercado eleitoral: IPCA-15, desemprego e ata do Copom. E mais uma pesquisa eleitoral.

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Três eventos desta semana podem provocar agitação tanto na área econômico quanto na eleitoral: (1) o IPCA-15 de julho; (2) o índice de desemprego (PME) de junho; (3) a ata do Copom.

Há ainda a expectativa de uma nova pesquisa de intenção de votos, do Ibope, prevista para ser divulgada quarta ou quinta-feira.

Os três trazem ingredientes que certamente vão influenciar os votos dos eleitores em outubro.

A expectativa do governo é que a inflação venha bem baixinha agora e no fim do mês. Mesmo assim, os números anualizados vão continuar indicando o índice oficial de preços acima do teto da meta de 6,5%.

Não deixar os preços, principalmente dos produtos que podem afetar a bolsa popular, subirem é a maior preocupação oficial. Mesmo assim há pressões, discretas, para o Banco Central não aumentar mais os juros.

Na realidade, há mesmo discretas insinuações para o BC, na próxima reunião do Copom, no início de setembro, reduzir um pouco a Selic. Alguns analistas já estão trabalhando com esta hipótese, porém o BC dá sinais de estar incomodado com esta interpretação de seu último comunicado. (Reportagem de Fernando Dantas no “Estadão” de sábado).

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A Ata a ser divulgada na quinta pode esclarecer melhor a posição do BC.

Expectativas em baixa

O fato é que o governo como um todo não está conseguindo mudar o ambiente e direcionar as expectativas dos agentes econômicos para o lado positivo. Todo os índices de confiança divulgados recentemente só apontam para queda neste quesito.

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Ainda na sexta-feira a CNI divulgou o seu ICEI (Índice de Confiança do Empresário Industrial) com nova queda: ficou em 46,4% em julho, o menor da série histórica em 15 anos.

Emprego e empresas

A expectativa é que o índice de desemprego do IBGE (em seis regiões metropolitanas) fique mais ou menos estável, girando em torno dos 5%. Seria um bom sinal para o governo de que os desarranjos da economia, o baixo crescimento do PIB, ainda não chegaram ao mercado de trabalho.

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O mesmo, porém não acontece com a renda dos assalariados (Valor: “Salários crescem menos e reduzem o custo de substituição de mão de obra”). Uma conseqüência possível é a redução maior do consumo e ajuda extra para frear alguns preços.

As companhias de um modo geral já começam a ser afetadas pelo ambiente econômico de maneira substancial: de acordo com o “Valor Econômico”, os resultados das empresas no segundo trimestre, que começam a ser divulgados a partir de hoje, devem vir mais fracos.

Outro empate no segundo turno

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Se, como parece ser consenso, a Bolsa de Valores “comemora” com altas as indicações de pesquisas eleitorais de que a presidente Dilma Rousseff poderá ser derrotada por seus adversários, hoje, não havendo nenhum fato econômico relevante, é possível que por lá seja outro dia de festas.

(Aliás, Lula despreza esses solavancos eleitorais no mercado financeiro: “Pelo que sei, esse tal de mercado internacional nunca votou em você [Dilma] e nunca votou em mim. Quem vota na gente é o povo, cujo único mercado que conhece é onde compra feijão”.)

As razões para os movimentos na Bolsa:

1. Pesquisa do Instituto Sensus, divulgada na edição de fim de semana da revista “Istoé”, dá um sinal ainda mais difícil para a presidente. No primeiro turno, a variação entre os três candidatos ficou dentro da margem de erro. Mas para o segundo, a vantagem da Dilma sobre Aécio Neves praticamente desaparece: 36,3% para ela, 36,2%. No DataFolha havia um empate técnico no limite da margem de erro de mais dois ou menos dois pontos: 44% a 40%. Além disso, a avaliação regular ou negativa do governo está em 64,9% e a positiva em 32,4%.

2. Uma análise de dados mais específicos do DataFolha mostra outra dificuldade para a candidata petista: ela é a quem tem maior índice de eleitores “causa perdida” (não votariam no candidato de modo algum) – 46% contra 27% de Aécio e 19% de Eduardo Campos. (Ver análise em “Leituras sugeridas”)

Essa situação mudou visivelmente, pelo menos neste momento, a estratégia traçada pelos conselheiros de campanha para a presidente Dilma: preferencialmente, ela trataria das questões substanciais, das comparações dos 12 anos de PT em Brasília aos 8 anos do PSDB e ignoraria os adversários, que ficariam por conta de Lula e de ministros e petistas; desde sesta-feira ela foi para o “campo de batalha”, com críticas diretas a Aécio Neves pelas críticas dele ao programa Mais Médicos.

E deve ser assim daqui para frente, pelo menos até as pesquisas apontarem alguns sinais mais positivos para a presidente. Aécio já recebeu chumbo com a revelação no fim de semana da construção de um aeroporto em terras de um dele em Minas.

Por essa razão também está esquentando o debate na campanha petista sobre a estratégia adotada. Não há crise, mas há divergências grandes entre o grupo de Dilma (o planaltino) e o de Lula (no Instituto Lula). Os outros parceiros não apitam nada – inclusive o PMDB.

Contudo, os peemedebistas também não citam Dilma em seu material de campanha. Apenas as realizações do governo. Dos 18 candidatos do partido nos Estados apenas um cita a presidente nominalmente. (“Estadão” de segunda)

O PT continua apostando forte no horário de televisão, onde tem quase o triplo de tempo de Aécio e mais de seis vezes o de Eduardo Campos.

Os dois oposicionistas, pensam compensar a desvantagem no corpo a corpo nas ruas. Dilma irá pouco para as praças – seus eventos serão mais fechados.

Quem deve ir para as ruas no lugar dela é Lula.

Registra a “Folha” uma preocupação da equipe de Eduardo Campos: as indicações da pesquisa estaria diminuindo o entusiasmo de possíveis financiadores de campanha com a candidatura da dupla do PSB/Rede.

Uma guerra paralela, às vezes com golpes baixos, vai ser travada na Internet, nas redes sociais, onde nem sempre o compromisso com a verdade e com os fatos é levado a sério. (Ver mais em “Leituras”)

Mais um socorro elétrico

Agrava-se a crise financeira do setor elétrico de um modo geral. As companhias estão sem recursos para cobrir o elevado preço da energia que consomem.

As contas dos gastos a mais de maio ainda não foram saldadas com as geradoras. Como se sabe o governo adiou o pagamento dos R$ 1,3 bilhão daquele mês do dia 11 para o dia 31.

As duas pontas estão com dificuldades.  Esse quadro já afeta também empresas consumidoras. Este ano oito empresas foram desligadas da Câmara de Comercialização por falta de pagamento. Ano passado foram 19. Uma já deixou de produzir: a Italmagnésio, em Minas.

Algumas companhias autoprodutoras reduziram sua produção normal para vender energia e ganhar mais com o preço elevado do insumo. (“O Globo”)

E ainda não foi encontrada a fórmula para cobrir esse buraco, que deve prosseguir nos próximos meses em razão ainda da escassez de chuvas. A proposta é ampliar o valor do empréstimo feito às distribuidores, de pouco mais de R$ 11 bilhões. Calculava-se que daria para até o fim do ano. Acabou já.

Calcula-se agoa que serão necessários mais R$ 6,5 bilhões. Segundo informa o “Estadão” esse dinheiro poderá ser dividido entre o BNDES (R$ 3 bi) e o pool de bancos privados do primeiro financiamento (R$ 3,5 bi).

O mesmo jornal informa que os credores privados estão meio ressabiados. No “Valor” prevê-se que os reajustes de tarifas das companhias em vários estados em agosto devem ser elevados, “tendem a ficar próximos dos 30%”.

A conta final vai pesar nas tarifas de luz no ano que vem e na inflação.

LEITURAS SUGERIDAS

– Sábado

1. Editorial – “A força da rejeição” – “Folha de S. Paulo”

2. Vicente Nunes – “Sinal de alerta no BC” – “Correio Braziliense”

3. . Artigo – “O quinteto fantástico” – “O Estado de S. Paulo” (tradução do NYTimes)

 – Domingo

1. Análise – “Aécio e Campos têm mais chance de crescer” – “Folha de S. Paulo” 

2. Samuel Pessoa – “Anatomia de uma estagflação” – “Folha de S. Paulo” 

3. Reportagem – “As questões econômicas que pautam Dilma, Aécio e Campos” – “Zero Hora” 

4. Entrevista – “Otaviano Canuto: “Prioridade é revisar o gasto público’ – “O Estado de S. Paulo”

– Segunda

1. Elena Landau – “Pela culatra” (sobre o setor elétrico) – “Folha de S. Paulo” 

2. Ricardo Melo – “Choque de indigestão” (sobre o aeroporto de Aécio em Minas” – “Folha de S. Paulo” 

3. Editorial – “Diferenças nos programas” (sobre propostas dos candidatos para comércio exterior) – “O Estado de S. Paulo”

4. Reportagem – “Era do compartilhamento em massa cria ‘febre’ de notícias inventadas” – “O Estado de S. Paulo”

5. Editorial – “Economia em queda cria cenário para baixar juros” – “Valor Econômico”

 6. Entrevista: – “Para White (ex-economista do BIS) há bolhas de ativos em todos os lugares” – “Valor Econômico”