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O ano de 2011 começou agitado nos mercados internacionais, com uma série de referências econômicas e corporativas que trouxeram volatilidade às bolsas ao longo desta semana. Na onda dessa tendência, o Ibovespa atravessou pregões voláteis e fechou o período com valorização de 1,09%, aos 70.057 pontos.
Por aqui, após o retorno das discussões envolvendo uma possível privatização da companhia, as ações da CESP encerram a primeira semana de 2011 com alta acumulada de 10,37%, a maior variação positiva dentre os papéis que fazem parte da carteira teórica do Ibovespa.
Na última segunda-feira (3), durante discurso de posse, o secretário de Energia do Estado de São Paulo, José Aníbal, afirmou que a privatização da Companhia Energética de São Paulo entrará mais uma vez na pauta no governo. Será a quarta vez que o governo do PSDB tentará privatizar a Cesp – as outras tentativas ocorreram em 2000, 2001 e 2008.
Na contramão do Ibovespa, as ações da Cyrela registraram a pior performance do índice na semana. Os papéis recuaram 6,68%, cotados a R$ 20,39. Notícias macroeconômicas pesaram sobre o desempenho do setor, que pode ter o ritmo de crédito para financiamentos reduzido.
A proximidade da primeira reunião do Copom neste ano, marcada para os dias 18 e 19 de janeiro, traz expectativas de elevação da taxa básica de juro do País sob o comando do novo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. Ademais, a contenção de gastos do Orçamento e discussões sobre as metas de inflação no governo da presidente Dilma Rousseff contribuem para a volatilidade trazida às ações do setor.
Petrobras e Vale
Entre os papéis mais líquidos do Ibovespa, o desempenho semanal não foi unânime. As ações ordinárias e preferenciais da estatal do petróleo, a Petrobras, tiveram variações negativas de 1,80% e 2,05%, respectivamente, enquanto que os papéis PNA e ON da mineradora Vale subiram 4,95% e 4,83%, nesta ordem.
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O movimento de baixa auferido pelos ativos da Petrobras coincidiu com o período em que o mercado recebeu a notícia sobre a intenção do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, em conversar com o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, sobre a possibilidade de a estatal vir a adquirir participação na portuguesa Galp. A estatal confirmou na semana que tem avalia o negócio, mas ainda não há definições.
Por outro lado, o movimento de alta dos ativos da Vale reflete não apenas o avanço dos preços das commodities, como também o noticiário favorável ao setor. Em sua posse como ministro de Minas e Energia, Lobão afirmou que o novo Código de Mineração, marco regulatório do setor, é uma de suas prioridades.
Somado a isso, há praticamente dez anos à frente das operações da Vale, Roger Agnelli pode estar prestes a sair da presidência da mineradora, segundo nota publicada pelo jornal Valor Econômico. De acordo com a matéria, os sócios acreditam que o ciclo do executivo na empresa já se esgotou e estão atrás de um substituto gabaritado na área, sem influências políticas na decisão. Em nota oficial, a mineradora disse que não se encontra em discussão a substituição do diretor-presidente da companhia.
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Medida do BC
Após os rumores levantados nos últimos dias, o governo finalmente anunciou, na véspera, um novo mecanismo para o mercado cambial. O Banco Central afirmou que a partir de 4 de abril passará a recolher dos bancos brasileiros, sob forma de depósito compulsório, 60% do valor das posições de câmbio vendidas em dólar que excederem US$ 3 bilhões ou o patrimônio de referência do dealer. A medida visa diminuir em mais de US$ 6 bilhões as posições vendidas dessas instituições.
Para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a decisão do BC pelo compulsório vai “no cerne da questão”, pois a posição vendida dos bancos vinha aumentando consideravelmente, pressionando a moeda norte-americana. Com esse compulsório, a rentabilidade de quem optou pela posição vendida acima de um certo limite tende a diminuir.
Agenda interna
Entre os indicadores econômicos divulgados nesta semana no front doméstico, ganhou maior destaque a produção industrial, que registrou um leve recuo de 0,1% na passagem de outubro para novembro, segundo a pesquisa do IGBE. Também agitou o mercado no período o fluxo cambial, que fechou 2010 com saldo positivo de US$ 24,354 bilhões, embora no último mês do ano a saída de dólares do País tenha superado a entrada em US$ 1,91 bilhão.
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No início da semana, os investidores repercutiram o tradicional Relatório Focus, do Banco Central, que teve como destaque mais uma vez as projeções para a inflação. Somado a isso, a balança comercial fechou 2010 com recordes tanto de importações (US$ 181,638 bilhões) quanto de exportações (US$ 201,916 bilhões).
No front inflacionário, mostrando desaceleração no ritmo de aumento dos preços, o IPCA, medida oficial da inflação doméstica, registrou taxa de 0,63% em dezembro, e fechou 2010 com taxa acumulada de 5,91%. Os dados foram divulgados pelo IBGE, que revelou ainda o INCC, fechando o acumulado do ano passado com alta de 7,36% em relação ao verificado em 2009.
Indicadores norte-americanos
Nos Estados Unidos, o noticiário econômico também foi movimentado e trouxe dados mistos ao longo da semana, contribuindo para o clima de instabilidade nas bolsas. Um dos principais destaques ficou por conta da Ata do Federal Reserve, divulgada na última quarta-feira (5). O documento mostrou que alguns membros do Fomc (Federal Open Market Commitee) não estão tão abertos a possíveis ajustes no programa de US$ 600 bilhões em compras de títulos aprovado pelo banco central dos Estados Unidos no final de 2010, o chamado QE2.
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O Fed destacou que a economia do país seguia crescendo em um ritmo moderado, e voltou a dizer que o tamanho do programa seria constantemente reavaliado. Contudo, para alguns membros do comitê, esta ligeira melhora econômica não é o suficiente para fazer com que o governo altere o volume de compras de títulos públicos por ora, considerando que seria necessário mais tempo para avaliar a situação da economia norte-americana.
Nesta sexta-feira (7) o mercado se atentou para indicadores do mercado de trabalho norte-americano. A principal surpresa do Relatório de Emprego ficou por conta do número de vagas criadas em dezembro, abaixo do projetado pelo mercado. No entando, a taxa de desemprego recuou para 9,4%, a despeito dos 9,7% projetados. Esta combinação de números pode indicar que muitos desempregados norte-americanos estão se sentindo desestimulados a buscar a reinserção no mercado de trabalho.
Entre os demais indicadores econômicos norte-americanos divulgados na semana, surpreenderam o mercado positivamente o ADP Employment, denotando o número de vagas abertas no setor privado norte-americano em dezembro, assim como a atividade do setor de serviços nos EUA durante o último mês de 2010.
Por sua vez, o número de pedidos realizados pela indústria de bens duráveis e não-duráveis nos EUA, o montante de crédito concedido ao consumidor norte-americano e os gastos com construção civil no país, todos referentes a novembro do ano passado, também trouxeram dados melhores que o esperado pelo mercado.
Por outro lado, o número de pedidos de auxílio-desemprego reportados nos EUA na última semana e o nível de atividade industrial no mês de dezembro desanimaram os investidores ao revelar dados aquém do previsto.
Bernanke, Obama e Geithner
Discursos de autoridades nos EUA também movimentaram o mercado na semana. Na véspera, o secretário do Tesouro, Timothy Geithner afirmou em carta ao líder do Senado norte-americano que os Estados Unidos podem atingir o limite de dívida do país – US$ 14,3 trilhões – no final de março deste ano. Geithner ressaltou que isso significa que é preciso que o Congresso haja até o final do primeiro trimestre para elevar a faixa, para não haver uma “catástrofe econômica”.
Além disso, o presidente do banco central do país, Ben Bernanke, declarou ao congresso norte-americano que o mercado sente “evidências de que uma recuperação sustentada do consumo e dos investimentos pode estar sendo contida”, afirmando ainda que “a persistência da alta taxa de desemprego, somada à estabilização dos salários e da confiança pode ameaçar a força e a sustentabilidade da recuperação”.
Assim, a avaliação do chairman do Fed é de que a economia dos EUA segue ainda fragilizada, e não afastou completamente os temores de uma deflação. Ainda no front político, o presidente norte-americano nomeou nesta sexta-feira Gene Sperling como seu principal conselheiro econômico. Assim, Sperling retomou o cargo de responsável pelo National Economic Council, posição que também ocupou durante parte da administração de Bill Clinton.
Novos cargos, novas promessas!
De volta à cena interna, a primeira semana do ano também foi marcada pela transição de cargos no governo Dilma Rousseff. Assim, logo na segunda-feira os investidores interpretaram as palavras da nova ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão, Miriam Belchior, prometendo que sua gestão estará pautada na melhoria da qualidade dos gastos públicos.
Já Fernando Pimentel, que assumiu o MDIC, foi mais enfático na questão referente ao câmbio, dizendo que o combate à guerra cambial, a redução das taxas de juros, a elevação dos investimentos em infraestrutura e a diminuição da carga tributária serão os principais desafios do País. Pimentel disse ainda que o governo não será passivo diante de novas valorizações do real frente ao dólar.
Também ganhou destaque o agora ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Durante discurso em cerimônia de transmissão do cargo principal da autoridade monetária, Meirelles se disse satisfeito com a escolha da presidente Dilma Rousseff, Alexandre Tombini, para sucedê-lo, dizendo ainda que sua missão frente ao BC estava cumprida.
Tombini, por sua vez, agradeceu Dilma Rousseff não só pela confiança, mas também “pela honra e responsabilidade de presidir essa instituição”. O novo presidente do BC aproveitou a ocasião para expressar agradecimento a Henrique Meirelles, que em sua opinião fez não só a mais longa gestão à frente da autoridade monetária, mas também uma das mais bem sucedidas das mais de cinco décadas da instituição. Ele voltou a reafirmar o compromisso com a tentativa de manter a inflação “baixa e estável” no País.
Meta de inflação menor?
Na última quinta-feira (6), Tombini concedeu sua primeira entrevista coletiva à frente do BC brasileiro. Na ocasião, ele elogiou a estabilidade nos preços dentro do cenário econômico brasileiro. Segundo ele, isso é resultado de políticas organizadas tomadas pelo governo brasileiro. “Temos hoje no Brasil uma inflação baixa e estável e um regime bem organizado para assegurar essa estabilidade”.
Em relação a uma possível meta menor de inflação, Tombini declarou que “precisamos ter a ambição de discutir no futuro uma meta que seja convergente com as metas dos outros países. Ela não tem prazo de validade e não está vinculada a nenhuma decisão próxima”. Além disso, o presidente do BC comentou ainda sobre o esforço fiscal do governo para ajudar na política de metas de inflação. Segundo Tombini, a questão fiscal tem impacto nas informações com que o BC trabalha para definir sua política de juros.
Para ele, a questão mais importante do BC é assegurar o poder de compra da moeda através da política de metas de inflação, e, por conta do cenário internacional, é preciso também garantir a estabilidade financeira do País. “É importante lembrar que uma tendência de curto prazo não quer dizer que ela vá se estender por muito tempo e isso vale para a tendência do câmbio”, afirmou.
Europa e China
A China foi referência na sessão de quinta-feira. Segundo afirmou o periódico China Securities Journal, o país deverá permitir a valorização de 5% do yuan neste ano de 2011. De acordo com a publicação, o ritmo do desenvolvimento econômico do país se consolidou ainda mais em 2010, mas os efeitos colaterais dos estímulos adotados pelo governo começaram a ser sentidos através de pressões inflacionárias e de formação de bolhas, temores que podem ser contidos com a apreciação da moeda.
Em relação a isso, o presidente do Fed disse que permitir a apreciação do yuan ajudaria a China a lidar com as questões econômicas domésticas. Durante uma audiência com o Comitê de Orçamento do Senado, Bernanke afirmou que países que mantém suas moedas desvalorizadas artificialmente em relação ao dólar acabam importando a política monetária dos EUA, o que pode ter impacto negativo sobre essas economias.
No Velho Continente, a taxa de inflação anual da Zona do Euro em dezembro registrou pela primeira vez desde novembro de 2008 um aumento acima da meta do BCE. Enquanto isso, a atividade manufatureira do Reino Unido registrou no mesmo mês o maior avanço já visto desde 1994.
Além disso, outro destaque dentre o movimentado noticiário econômico europeu na semana foi o avanço da confiança dos investidores na Alemanha, cujo índice, elaborado pelo instituto Zew, apontou alta para 4,3 pontos em dezembro, superando a marca de 1,8 ponto no mês anterior e ligeiramente acima das expectativas de analistas.
Câmbio e Renda Fixa
A moeda norte-americana fechou cotada na venda a R$ 1,686, com variação positiva de 1,19% na semana.
No mercado de juros futuros da BM&F Bovespa, o contrato com vencimento em janeiro de 2012, que apresentou maior liquidez, encerrou apontando taxa de 12,21%, alta de 0,18 ponto percentual em relação a semana anterior.
No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 134,85% de seu valor de face, alta de 0,95% na semana.