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SÃO PAULO – Desde que os preparativos para a Copa do Mundo se iniciaram, poucas empresas foram alvo de um otimismo contínuo do mercado como a Mills (MILS3). Com a necessidade irrevogável de se aprimorar a questão da mobilidade urbana das cidades-sede e o plano de se construir novas arenas para receber os jogos do Mundial, os investidores entendiam que a única alternativa para o governo e grupos empresariais envolvidos seria arregaçar as mangas e condicionar o Brasil a receber um evento de tal magnitude sem passar grandes embaraços.
Por mais que, desde o princípio, se imaginasse que o País não conseguiria concluir boa parte do projeto traçado anos antes, muitos investidores tinham certeza que problemas de planejamento e execução da obra não seriam suficientes para barrar grandes oportunidades que empresas expostas ao setor de infraestrutura tinham de crescer no período. E é nessa convicção de bom negócio que entraram as ações da Mills. Com as perspectivas de que, inevitavelmente, os serviços de engenharia e locação de equipamentos da companhia surfariam no “oba-oba” da Copa, era difícil pensar que os papéis MILS3 fariam feio na Bolsa.
Apesar da companhia acumular desvalorização na casa dos 30% na Bovespa em 2014, especialistas do mercado financeiro são enfáticos em afirmar que não houve derrota para a companhia. Assim como o histórico 7 a 1 dos alemães sobre a seleção brasileira pelas semifinais da competição, a Mills aplicou sucessivas goleadas no Ibovespa antes mesmo da bola rolar no Mundial. “A empresa vem em uma trajetória de valorização muito forte. E isso acontecia com o papel bem antes da Copa”, observa Wesley Barnabé, do BB Investimentos.
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Administrando o resultado
Como o grosso das obras deveria estar pronto um ano antes do evento, quando o Brasil receberia a Copa das Confederações, era de se esperar que a chamada “empresa da Copa” por uma margem ampla do mercado comemorasse um título dois anos antes do tetracampeonato alemão. “Todas as obras deveriam ficar prontas antes de junho”, lembra Barnabé.
Tal fator explica uma possível desaceleração operacional da Mills às vésperas do evento. Para o analista, nenhum motivo para sustos. Depois de ter saído na frente com uma larga goleada de 5 a 0 nos primeiros 30 minutos de jogo, é natural o time tirar um pouco o pé já planejando as próximas partidas e desafios a serem enfrentados.
Além disso, Barnabé lembra que a especialidade da Mills é prestar serviços e oferecer equipamentos mais úteis para o início das obras do que para o acabamento delas. Desta forma, os principais resultados foram colhidos antes da corrida final para a entrega das obras restantes de última hora. Entre novembro de 2011 e maio de 2013 – às vésperas do início da Copa das Confederações -, o valor das ações MILS3 saltou do fundo de R$ 14,91 até o teto de R$ 35,78, uma disparada de 139,97%.
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No entanto, os mesmos papéis apresentaram queda de 28,31% entre 14 de junho de 2013 e exatos 12 meses após. O período marca um dia antes da estreia da seleção brasileira na Copa das Confederações e um dia após os alemães levantarem o caneco da Copa do Mundo. No acumulado de 2014, as perdas são semelhantes, beirando os 30%.
O que esperar da Mills depois da Copa?
Por mais que os números possam assustar em um primeiro momento, Barnabé ainda espera uma performance acima da média do Ibovespa em 2014 para os papéis da Mills. Para o analista do BB, apesar do cenário não ser mais tão positivo para as incorporadoras, com o ritmo do setor caindo significativamente recentemente, a companhia ainda está bem posicionada no mercado e tem condições de viver novos momentos de euforia – provavelmente, mais contidos do que aquele antes do Mundial.
“A utilização de equipamentos para obras de infraestrutura deve voltar ao nível normal. O setor ainda tem suas necessidades e precisa passar por avanços no País. A rentabilidade continua atrativa; é difícil enumerar empresas que dão o mesmo retorno dela”, observa Barnabé. O especialista lembra ainda da facilidade que a companhia tem para captar contratos, fator importante para a retomada de seu crescimento e a manutenção da confiança dos investidores mesmo após a Copa do Mundo.
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Com preço-alvo de R$ 36,50 para as ações MILS3, a recomendação de Barnabé ainda é de compra. Levando em conta o valor dos papéis no fechamento da última quinta-feira (18), a expectativa é de alta de 60,44% até o fim de 2014.
A companhia também faz parte da lista de top picks de julho da Citi Corretora, que destaca a posição privilegiada da Mills para se beneficiar dos novos leilões de infraestrutura. Para os analistas Cauê Pinheiro, Yuri Medeiros e Larissa Nappo, a disputa eleitoral pode fazer com que os investimentos do governo no setor cresçam ainda mais e beneficiem a Mills, que se concentra para marcar um novo gol de placa na Bovespa, segundo o trio do Citi.
“Concluída a onda de investimentos, a companhia está preparada para aumentar o fluxo de caixa, o que deve gerar risco de upside para distribuição de dividendos”, explicam em relatório. Não tão otimistas como Barnabé, mas também muito esperançosos, os três analistas fixam a cifra de R$ 36,00 como preço-alvo para os papéis da Mills – upside de 58,24%, em relação ao fechamento da última quinta-feira. Resta saber se a companhia atenderá às expectativas do mercado e comemorará novos títulos ou ficará na vontade como a equipe de Luiz Felipe Scolari.