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SÃO PAULO – Uma pesquisa da PWC (PricewaterhouseCoopers) sobre o crescimento dos países revelou que o mundo será mesmo dos emergentes em alguns anos. Imaginando o mundo em 2050, a empresa de auditoria destaca que a crise econômica só fortaleceu a dinâmica de mudança de poder. De fato, os emergentes são a bola da vez no cenário econômico internacional, com crescimento muito acima dos países desenvolvidos e cada vez mais chamando a atenção de investidores no mundo todo.
O grande destaque do estudo – originalmente produzido em 2006, e atualizado para incluir a crise -, que classifica as vinte maiores economias do mundo em 2050, em termos de PIB (Produto Interno Bruto) calculado pela paridade de poder de compra (PPP), é a posição da China e da Índia, que devem em um futuro não muito distante superar a maior nação do mundo atualmente, os Estados Unidos.
O Brasil aparece bem posicionado, ultrapassando países como Japão, Alemanha, França e Reino Unido. De acordo com o estudo, em 2050 a economia brasileira deverá ser a quarta maior do mundo.
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A força dos emergentes
Com base nas projeções da PWC, a economia dos E7 (sigla para os sete maiores emergentes, que inclui China, Índia, Brasil, Rússia, Indonésia, México e Turquia) deverá ser 64% maior do que a dos atuais G7 (os sete mais ricos) em 2050, segundo os dados em dólares e em MER (Market Exchange Rates). Em 2007, o PIB dos sete países mais ricos era 60% maior do que o PIB dos sete maiores emergentes. Em 2010, a consultoria estima que esta diferença já deva cair para cerca de 35%.
Os carros-chefes dessa arrancada são China e Índia, que no ano sugerido já terão superado a economia americana – que atualmente ocupa o primeiro lugar no ranking – e serão as duas maiores economias do mundo.
Ainda assim, há uma diferença na projeção do crescimento de ambas: enquanto o crescimento da primeira deve começar a diminuir progressivamente a partir de 2020 – ano em que a China deve superar os EUA – , em decorrência do baixo crescimento da força de trabalho no país, principalmente pela opção da política de uma criança por casal, o crescimento da última deve seguir vigorosamente à frente.
China: a maior economia antes de 2040
Pelas projeções dos economistas da PWC, a China deve encerrar um século de hegemonia norte-americana. O país deve seguir como um celeiro de exportações, porém com maior importância para o mercado doméstico, uma vez que o salário real de seus trabalhadores deve aumentar e isso deve impactar não só as empresas chinesas, mas também as estrangeiras.
Outra característica da China será uma mudança no padrão de seus produtos vendidos, que fará com que os exportadores possam competir com os demais em qualidade, encerrando um período onde os produtos chineses eram vantajosos apenas por serem os mais baratos.
O crescimento da China tem sido impulsionado pela poupança elevada e por suas taxas de investimento de capital, mas a experiência com Japão e com outros “tigres asiáticos” sugere que esse crescimento orientado pelo investimento deve apresentar retornos decrescentes à medida que os níveis de renda se aproximam daqueles observados na OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico).
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Assim, a projeção da PWC indica que, em termos de poder de paridade de compra (PPP), a China pode ultrapassar os EUA já em 2020 e se tornar a maior economia do mundo. Levando em conta os dados em MER (market exchange rates), a data é adiada para 2032, mas ainda assim acontece.
Índia: uma nação que não para de crescer
A grande vantagem da Índia é sua tendência de crescimento, que deve superar a da China em algum ponto durante a próxima década, já que a Índia tem uma população mais jovem e economicamente ativa que cresce muito mais rápido.
O país também tem a vantagem de poder partir de um nível menor de desenvolvimento econômico que a China. Porém, a Índia só vai converter seu grande potencial em um ponto positivo se continuar a exercer as políticas favoráveis ao crescimento econômico que têm sido adotadas nas últimas duas década, diz a PWC.
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Assim, para crescer, a Índia deve se tornar mais dependente em exportações de manufaturados, baseada na forte engenharia e nos crescentes níveis de educação. Outro ponto é o mercado consumidor do país, que deve se tornar mais atrativo para companhias internacionais à medida que a classe média avança.
As prioridades das autoridades econômicas devem ser a manutenção de uma política fiscal prudente, ampliando ainda mais a sua abertura ao comércio e aos investimentos estrangeiros, a priorização pelo aumento no investimento em infraestrutura de transportes e energia e a busca pela melhora dos níveis educacionais, especialmente para mulheres e habitantes de áreas rurais.
Ressalvas semelhantes são válidas para as economias de Nigéria e Vietnã, que figuram no ranking das 20 principais economias de 2050 montado pela PWC. Segundo a consultoria, isso será um grande desafio, especialmente no caso do país africano, que precisa diversificar sua economia, atualmente baseada em petróleo, e melhorar questões de governança.
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Brasil e outros emergentes: ambiente macroeconômico
O sucesso para países como Indonésia, Turquia, Brasil e México – que também têm populações jovens e de rápido crescimento – está na capacidade desses países em manter um ambiente de política macroeconômica, legal e pública favorável ao comércio.
A busca por investimentos, aumento nos níveis de educação e, consequentemente, o crescimento econômico, também poderá fazer com que esses países tenham crescimento rápido e cheguem a ótimas posições no ranking. A PWC adverte que isso não é garantido em qualquer uma dessas economias, mas o progresso nos últimos cinco anos tem sido positivo, corroborando o otimismo.
No caso brasileiro, a expectativa é que o País – atualmente a nona maior economia do mundo, segundo a PWC – ultrapasse a França em 2011, o Reino Unido em 2013, a Alemanha em 2025 a Rússia em 2037 e o Japão em 2039, nas projeções em MER.
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No caso da avaliação em PPP, o Brasil deve ser ultrapassado pela Índia em 2014, deve superar a Itália em 2017, o Reino Unido em 2023, a França em 2027, a Alemanha em 2032 e o Japão em 2044. Em ambos os casos, o País chegaria a 2050 como a quarta maior economia do ano.
Já Rússia e China, apesar de apresentarem fortes crescimentos do PIB, esbarram em outra barreira: suas populações mais velhas devem segurar o desempenho nos próximos anos.
Reino Unido: é possível fazer melhor
De acordo com as projeções da consultora, o Reino Unido deve cair três posições no ranking, amargando o décimo lugar. Porém a PWC acredita que o país pode fazer melhor do que as projeções se aproveitar das oportunidades que o crescimento acelerado dos emergentes pode causar.
Apenas uma pequena parcela das exportações do Reino Unidos destina-se aos BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China). Se o país conseguir uma virada, aumentando o ritmo do comércio e dos investimentos com os emergentes, talvez possa amenizar a trajetória prevista pela PWC. Ainda assim, ” o Reino Unido não será capaz de crescer tão rapidamente como as economias emergentes”, afirmou a consultoria.
Confira o ranking das maiores economias em 2050:
| Ranking das maiores economias mundiais | ||
|---|---|---|
| Posição | País | PIB em bilhões de dólares * |
| 1 | China | 59.475 |
| 2 | Índia | 43.180 |
| 3 | EUA | 37.876 |
| 4 | Brasil | 9.762 |
| 5 | Japão | 7.664 |
| 6 | Rússia | 7.559 |
| 7 | México | 6.682 |
| 8 | Indonésia | 6.205 |
| 9 | Alemanha | 5.707 |
| 10 | Reino Unido | 5.628 |
| 11 | França | 5.344 |
| 12 | Turquia | 5.298 |
| 13 | Nigéria | 4.530 |
| 14 | Vietnã | 3.939 |
| 15 | Itália | 3.798 |
| 16 | Canadá | 3.322 |
| 17 | Coreia do Sul | 3.258 |
| 18 | Espanha | 3.195 |
| 19 | Arábia Saudita | 3.039 |
| 20 | Argentina | 2.549 |
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Fonte: Estudo PWC |
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