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O que mais chamou a atenção na Ata do Copom foi a “clareza”, a “forma enfática”, pouco habitual nos comunicados da entidade, com que o Banco Central avisou ontem que não pretende aumentar a taxa básica de juros, de 11%, tão cedo.
Essa posição confirma informações de pessoas próximas do BC na semana passada de que a diretoria do banco estava incomodada com duas conversas:
(1) a interpretação do mercado, depois do sucinto comentário emitido após a reunião do Copom da semana passada, de que ele poderia reduzir a Selic em setembro;
(2) as insinuações/pressões do lado político do governo para diminuir o preço do dinheiro e dar uma ajuda para melhorar o humor dos agentes econômicos.
Segundo repórteres da “Folha”, de acordo com “assessores” o Copom deu um recado “para dentro e para fora”.
Um resumo das interpretações: o BC fica com os juros onde estão porque a inflação continua resistente no curto prazo, porém vislumbra que as políticas adotadas a levarão para o centro da meta no horizonte possível.
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O indice de expectativa dos consumidores da inflação para os próximos 12 meses, divulgado ontem pela FGV, parece corroborar esta interpretação: decresceu de 7,4% em junho para 7,2% em julho. Foi a primeira queda no indicador desde agosto do ano passado.
A diminuição tem relação com a queda na inflação dos alimentos no último mês e foi puxado pelas impressões dos consumidores de menor poder aquisitivo. Veja-se bem: o terreno onde o governo é mais vem avaliado.
O BC definitivamente não quer se manchar com a política eleitoral. Em muitos setores a atual diretoria do banco é vista como muito menos inflexível do que a comandada na gestão Lula por Henrique Meirelles.
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As dúvidas sobre a “autonomia de fato” na diretoria comandada por Alexandre Tombini foram alimentadas principalmente no período que ela deu um cavalo de pau na Selic.
E por algumas declarações “fora da curva” da presidente Dilma Rousseff, como uma no Exterior, em que disse que seu governo não sacrificaria o crescimento do país para reduzir a inflação. A declaração foi posteriormente “explicada”, mas o mau sinal de possível interferência na ação da autoridade monetária ficou no ar.
Em notícia exclusiva o “Valor” diz que o Banco Central vai adotar medidas para aliviar o aperto ao crédito, compensação para os juros estáveis.
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Atualização das 10 horas: o Banco Central anunciou esta manhã muidanças nas regras do compulsório e liberou R$ 30 bilhões para o mercado. Uma tentativa de empurrar o PIB na linha de incentivo ao consumo.
Dilma, evangélicos e o PMDB
A presidente Dilma Rousseff confirmou presença no ato de inauguração do portentoso templo da Igreja Universal do Reino de Deus (bispo Edir Macedo) quinta-feira dia 31, no Bairro do Brás, em São Paulo. Aécio e Campos não vão.
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É o segundo gesto de aproximação da campanha da reeleição do segmento religioso dos evangélicos. No início desta semana foi criado um comitê evangélico na estrutura reeleitoral.
A preocupação de Dilma é evitar os problemas da eleição passada, quando ela encontrou forte resistência entre os adeptos dessas religiões por causa afirmações de que seria a favor do aborto. Por isso também foi alvo de críticas da Igreja Católica.
Agora, não somente ela, mas todos os concorrentes presidenciais, estão mais cautelosos com este tema e outros considerados explosivos.
Porém, a preocupação maior do QG de Dilma é ainda com o aliado PMDB e suas posições nos Estados. Ontem no Rio, em festa promovida pelo candidato a governador Pezão, ela começou a neutralizar o apoio de parte dos peemedebistas a Aécio Neves.
A atenção maior continua com São Paulo. Até agora Michel Temer não conseguiu convencer Paulo Skaff a se atrelar abertamente a Dilma.
Para não perder tempo, a presidente vai reforçar o candidato do PT, Alexandre Padilha, até ver o que dá. Até agora, ela não tinha se ligado muito ao candidato petista. Nem apareceu no lançamento oficial de sua candidatura em SP.
Enquanto o vice-presidente Michel Temer age como bombeiro no PMDB, Lula amplia este seu papel no PT, para acalmar os petistas nos Estados – como no caso de Lindbergh Farias -, insatisfeitos com o apoio de Dilma a adversários.
Lula já acomodou também a situação de Gilberto Carvalho, vitima de fogo amigo no Palácio do Planalto: ele fica ministro e dá expediente na campanha nas horas vagas. Tinha gente quer queria vê-lo fora do Planalto.
Gilberto é importantíssimo no esquema Lula, mas anda sendo queimado no esquema Dilma.
E Aécio Neves ficou sem palanque em Alagoas, no Nordeste, região onde sua candidatura tem a pior intenção de voto: o candidato do PSDB desistiu de competir ao governo estadual alegando falta de estrutura. Os tucanos não vão bem por lá também porque o governo do partido é mal avaliado.
Emprego em foco
Por causa da greve de seus funcionários, o IBGE, pelo segundo mês consecutivo, não pode divulgar os dados completos da PME (Pesquisa Mensal de Emprego) de junho. Os dados parciais indicam estabilidade – em São Paulo, por exemplo, repetiu os 5,1% de maio. Segundo a consultoria Tendências, o índice geral deve ter caído de 4,9% para 4,8%.
Há, porém, segundo os especialistas, um “equilíbrio precário” e nos próximos meses o quadro pode ser deteriorar um pouco se a economia não retomar um pouco do fôlego.
Em algumas áreas, como o setor automobilístico, o início das dispensas em maior número parece próximo. Ainda ontem a GM propôs – proposta recusada – suspensão temporária de trabalho para de 1.000 empregados de sua fábrica em São José dos Campos, 20% de todo o contingente. Várias montadoras têm empregados em lay-off.
Outro sinal foi dado recentemente pelo Caged, do Ministério do Trabalho, apontando para uma queda acentuada – e paulatina – das contratações com carteira assinada. Segundo reportagem do “Valor” está crescendo o emprego sem carteira assinada.
A Petrobrás fora das eleições?
O flanco da campanha eleitoral petista no caso da compra pela Petrobrás da refinaria de Pasadena nos Estados Unidos pode não ter sido fechado com a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) de inocentar de responsabilidade no negócio a presidente Dilma Rousseff e todos os membros do Conselho de Administração da empresa na ocasião.
O TCU responsabilizou apenas 11 diretores e ex-diretores, entre eles o presidente José Sérgio Gabrielli e os dois gestores mais envolvidos diretamente na compra: Paulo Roberto Costa e Nestor Cerveró.
Com isso, imagina-se (ou imaginava-se) que a exploração do tema na campanha, para atingir diretamente a presidente, arrefeceria naturalmente. Pode ser que não.
Acontece que pelo menos dois dos diretores responsabilizados, segundo o “Estadão” de hoje, Ildo Sauer (professor da USP que saiu da Petrobrás indisposto com Dilma) e Nestor Cerveró, estão reagindo contra a omissão no cenário de culpa do CA.
Além disso, o mesmo Estadão traz outra reportagem que pode dar munição para manter o debate aceso na campanha: segundo o jornal, o ex-presidente Lula agiu para que o TCU isentasse a presidente Dilma no caso.
Dois dias antes da decisão Lula conversou em São Paulo com o conselheiro do TCU José Múcio Monteiro, por ele nomeado para a corte. O ministro relator do processo, José Jorge, é ligado ao DEM e foi ministro das Minas e Energia de Fernando Henrique.
Há outros relatos sobre as pressões no TCU.
Mais destaques nos jornais
1. O IDH (comentado em nota aqui ontem).
2. Os atritos diplomáticos Brasil/Isael (manchete de todos os jornais).
3. As projeções do FMI para o crescimento da economia mundial. As do Brasil caíram de 1,8% para 1,3%.
4. CNI revisa suas projeções para 2014: PIB mais 1%, PIB industrial menos 0,5%, inflação 6,6%, investimentos menos 2% (anteriores: + 1,8%, + 1,7%, 6,4% e + 2%, respectivamente).
LEITURAS SUGERIDAS
1. Carlos Brickmann – “Tange, ferra, engorda e mata” (sobre jornalismo) – “Folha de S. Paulo
2. Gustavo Loyola – “Dilema entre inflação e crescimento é apenas aparente” – Folha de S. Paulo
3. André Perfeito – “Não há espaço para a redução dos juros a curto prazo” – “Folha de S. Paulo”
4. Editorial – “Piloto automático no Copom” – “O Estado de S. Paulo”
5. José Paulo Kupfer –“BC reafirma que política monetária mira a inflação” – “O Estado de S. Paulo”
6. Editorial – “Copom descarta alívio monetário de curto prazo” – “Valor Econômico”
7. Raphael Bicudo – “A evolução é inegável, mas faltam políticas sociais ousadas” (sobre o IDH) – “O Estado de S. Paulo”
8. Editorial – “IDH do Brasil perde dinamismo” – “O Globo”
9. José Matias Pereira – “O agravamento do mercado de trabalho no Brasil” – “O Estado de S. Paulo’
10. Artigo – “China conduz o trem dos Brics” – “O Estado de S. Paulo”
11. Leandra Peres – “2015: com ou sem tarifaço” – “Valor Econômico”