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SÃO PAULO – Na última quarta-feira (19) ocorreu o primeiro encontro do Copom (Comitê de Política Monetária) em 2011, no qual foi retomado o ciclo de elevação da taxa básica de juro brasileira, sendo anunciada uma alta de 0,5 ponto percentual na Selic, levando-a para 11,25% ao ano. Esse cenário propicia uma maior atratividade às aplicações em renda fixa, principalmente aquelas lastreadas na taxa de juro.
Em contrapartida, as perspectivas para o mercado acionário não têm inspirado muita confiança. Por conta do desempenho praticamente nulo do Ibovespa no ano passado e de algumas questões ainda em aberto – como a recuperação econômica de EUA e Europa, assim como o possível breque no crescimento dos emergentes –, percebe-se nas carteiras recomendadas por bancos e corretoras preços-alvo que não chegam a animar os investidores.
Segundo levantamento feito pela InfoMoney, o upside médio (isto é, o potencial de valorização de cada ação nesse ano, ponderado com a participação de cada uma delas no portfólio) das carteiras recomendadas para o mês de janeiro é de 25,06%. Das 11 carteiras utilizadas na análise, duas apresentam um upside médio abaixo da Selic estimada pelo relatório Focus, cuja última edição mostra uma projeção de 12,5% ao ano para a taxa.
Ninguém em sã consciência diria que um retorno esperado de 25% em 12 meses não é atrativo. Contudo, é importante termos em mente que esses preços-alvos são apenas projeções, ou seja, existe um risco (enorme, diga-se de passagem) de que essa cotação não seja alcançada no final do ano. Os motivos para essa distorção podem variar desde premissas utilizadas no valuation que acabaram seguindo uma trajetória diferente do esperado ou até mesmo por um erro de previsão dos analistas – afinal, errar é humano.
| Carteiras recomendadas utilizadas para o cálculo do upside médio* |
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| Banco/Corretora | Upside Médio |
| TOV Corretora | 7,33%¹ |
| SLW (carteira moderada) | 10,04%¹ |
| Banco Fator | 17,56% |
| Credit Suisse | 22,49% |
| Magliano “alto risco” | 26,35% |
| Planner | 28,46% |
| Spinelli | 29,72% |
| Citigroup | 33,02% |
| Link Investimentos | 33,17% |
| Bradesco | 33,34% |
| Socopa | 34,15% |
| Média das carteiras | 25,06% |
| ¹Upsides abaixos da Selic esperada ao final de 2011 | |
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*Observações importantes: – Os portfólios cujo preço-alvo de uma ação – O upside calculado para cada uma das carteiras não |
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Ceticismo às projeções?
Basta olharmos para os erros relatados nos cenários prospectivos ao final de 2009, com a maioria dos analistas enxergando o Ibovespa acima de 80 mil pontos ao final do ano seguinte. Contudo, o benchmark da bolsa brasileira ficou praticamente no zero a zero em 2010, terminando dezembro a 69.305 pontos – o que indica uma modesta alta de 1,05%.
Vale ressaltar que esses recentes erros de interpretação parecem ter feito os investidores encararem as previsões dos analistas com mais ceticismo. Dos leitores do Portal InfoMoney que participaram da enquete “Que nota você dá para as previsões dos analistas”, 38,28% atribuíram nota zero à qualidade dos prognósticos. Além disso, menos de 15% dos participantes deram entre 6 e 10 a essas projeções.
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Bom momento para para o investidor conservador…
Em cima de todos esses fatores, especialistas do assunto avaliam que agora é um bom momento para o investidor se posicionar em renda fixa, principalmente para aqueles que possuem um perfil mais avesso ao risco, ou seja, que não lidam bem com momentos de incertezas nos mercados.
“Isso tudo depende do perfil do investidor. Se for um investidor com maior aversão ao risco, eu acho que pode ser sim um bom momento para investir em renda fixa, já que a expectativa é de que as taxas de juros do Brasil devam subir mais do que no resto do mundo ao longo desse ano”, disse em entrevista à InfoMoney TV o analista Paulo Hegg, da Umurama Investimentos.
…ou para quem busca diversificação
Já o consultor financeiro e empresarial da CBS Consultoria Financeira, Emerson Castello Branco Simenes, gosta da ideia de diversificar as operações entre renda fixa e variável, “não se expondo demasiadamente ao risco, mas dando uma turbinada nas chances de ganho”. Assim, o investidor poderia destinar entre 20% e 30% do seu capital no mercado acionário – comprando ações ou aplicando em fundos – e alocando o restante em renda fixa.
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“Quem trabalha com Tesouro Direto já é o cara que está trabalhando com homebroker, então ele vai acabar gerando sua carteira de ações sozinho. Quem trabalha com renda fixa direto no banco pode acabar fazendo essa diversificação através de fundos de ações disponíveis pela própria instituição”, explica Simenes.
Prefira os pós-fixados aos pré-fixados
Sobre em quais ativos aplicar nesse cenário, os analistas não têm dúvidas de que os títulos com remuneração pós-fixada acabam tendo muito mais atratividade do que os títulos pré-fixados. “A minha recomendação é muito clara e enfática em se evitarem os títulos pré-fixados em função da expectativa de elevação de juros brasileiros em 2011”, afirma o professor Ricardo Cintra, da Escola de Negócios Trevisan.
Com o provável aumento da Selic, uma boa alternativa de aplicação acaba sendo a LFT (Letra Financeira do Tesouro), que tem a rentabilidade diária atrelada à variação do juro básico brasileiro. No entanto, dentre os ativos do Tesouro Direto, Cintra dá preferência aos títulos lastreados aos índices de preços, refletindo a expectativa de forte pressão inflacionária em 2011. É o caso da NTN-B (Nota do Tesouro Nacional – série B), que tem a performance amarrada ao IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), índice de inflação oficial do País.
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Abandonando a esfera de investimentos via Tesouro Direto e partindo para a esfera de todos os ativos em renda fixa, o professor da Trevisan destaca os fundos referenciados DI (Depósitos Interbancários) que, por estarem atrelados às taxas de juros de cada época de 2011, são vistos por ele como a melhor alternativa no mercado de renda fixa.