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SÃO PAULO – A Brascan corretora acredita que o cenário para a siderurgia, ao menos no curto prazo, permanece conturbado, o que pode impactar negativamente as ações das empresas brasileiras do setor. A corretora se baseia nos dados divulgados pelo Instituto Aço Brasil (IABr) referentes a dezembro, avaliando como “conflitantes” os números apresentados.
Dado a perspectiva geral pouco animadora, a preferência do analista Rodrigo Ferraz no setor continua sendo a CSN (CSNA3), pois a empresa possui um caráter defensivo. Os principais pontos favoráveis à companhia são: autossuficiência no minério de ferro, participação de 13% na produtora de carvão, a Riversdale, e sua capacidade de atender, de maneira satisfatória, a atual demanda local de produtos siderúrgicos.
Aspectos positivos para siderurgia
Apesar das dificuldades enfrentadas pelo setor, o analista destaca alguns fatores que devem beneficiar a siderurgia. Um desses pontos é a recuperação do preço do aço observada desde novembro de 2010 em todo mundo, com destaque para Europa, China e EUA. Além disso, a produção industrial no Brasil deve se destacar frente aos demais setores – a projeção da MCM Consultores é de crescimento de 5,1% da indústria brasileira em 2011 – , o que favorecerá a fabricação de itens que utilizam aço em sua composição, aumentando assim a demanda do setor. Outro ponto que merece destaque é a perspectiva otimista para o setor automotivo, que deve registrar aumento nas vendas em 2011 de 5,0% frente a 2010. Para a Brascan, o aumento no número de consumidores, bem como o aumento de renda e a facilidade, pelo menos por enquanto, de obtenção de crédito são os responsáveis pelo bom desempenho do setor, tendência que deve se manter ao longo do ano. Por fim, o analista observa a diminuição no volume de importação nos últimos meses, favorecendo os estoques em cadeia. Porém, esse é um quesito que ainda merece atenção. De acordo com a análise, uma vez normalizados os estoques nas redes de distribuição, as siderúrgicas locais poderão eliminar os descontos concedidos partindo para a adoção de reajustes de até 10%, inicialmente previstos para o segundo semestre de 2010. Alguns pontos negativos permanecem
Ainda assim, alguns fatores preocupam o bom andamento do setor. Apesar das recentes medidas tomadas pelo Governo, o real continua valorizado frente o dólar, o que prejudica a competitividade das indústrias brasileiras, facilitando a entrada de similares importados. Em 2010 o volume de aço laminado importado alcançou 5,4 milhões de toneladas, uma impressionante alta de 171% em relação ao ano anterior. Além disso, os preços do carvão e do minério de ferro permanecem elevados. Do lado do carvão, isso se deve às fortes chuvas que estão devastando o nordeste da Austrália, região que concentra diversas minas de carvão metalúrgico no país responsável por 60% das exportações transoceânicas da matéria-prima. Já em relação ao minério de ferro, permanece o temor de que as enchentes, que atingem também o Brasil, prejudiquem regiões produtoras do minério e portos, tanto australianos quanto brasileiros. Além disso, as restrições quanto à importação da região indiana de Orissa e a operação perto do limite da capacidade instalada das grandes mineradoras são fatores que sugerem a permanência dos preços em patamares elevados, sobrecarregando o setor. Resultados
Segundo os dados divulgados pelo IABr (Instituto Aço Brasil), a produção de aço bruto no Brasil no último mês de dezembro foi de 2,4 milhões de toneladas, uma queda de 6,7% na comparação anual. Já para laminados, a produção atingiu 1,8 milhão de toneladas, o que representa uma contração de 9,6% em relação ao ano anterior e de 12,2% em relação a novembro. No quesito vendas internas, o resultado de dezembro em relação ao mês anterior mostrou queda de 4,9% nas vendas para aço plano, enquanto para aço longo a retração foi de 10,2%. No geral, houve um aumento de 17,9% nas exportações de aço bruto e queda de 4,9% nas importações. Vale ressaltar que demais analistas de mercado se decepcionaram com os números divulgados. Os analistas do Barclays avaliaram as estatísticas da indústria brasileira de aço em dezembro e destacaram as tendências sazonais e também e o mix entre exportações e importações mais fraco. Já para os analistas da Ativa, os números foram marginalmente negativos para o setor de siderurgia. Para o Santander, as siderúrgicas devem registrar desempenhos operacionais mais baixos que o estimado nos próximos dois trimestres, devido ao impacto negativo da redução nos volumes de vendas. A queda nos preços do aço e a apreciação do minério de ferro e do carvão são outros fatores que podem contribuir para resultados mais fracos.