Ameaça ao rating AAA dos EUA pode pressionar mercado de ações

Recado da Moody's foi claro: há limites até mesmo para os EUA; maior retorno em Treasuries prejudicariam bolsas

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SÃO PAULO – O recado foi dado de modo claro pela Moody’s: há limites até mesmo para os desequilíbrios dos EUA e o rating do país pode ser colocado sob perspectiva negativa. Prenúncio de crise, ou apenas um alerta, a mudança pode ter efeitos substanciais sobre os mercados de ações e renda fixa.

“Embora nenhuma mudança no rating seja prevista desta vez, a distância de possíveis alterações no futuro parece se encurtar, e a probabilidade de assinalar uma perspectiva negativa nos próximos dois anos cresce”, afirmou o analista Steven Hess, em relatório da agência de classificação de risco Moody’s.

Tudo que é sólido…
Fato é que ninguém parece confortável quando a confiança cega nos EUA é questionada – excetuando-se os Chávez e Kim Jong-il espalhados pelo mundo -, especialmente a respeito da posição do país como fiador da moeda internacional por excelência, o dólar-, característica do mundo após o desmoronamento do padrão-ouro.

“Quando há uma perspectiva de corte do rating nos EUA, em um primeiro momento as taxas [em títulos] com vencimento em 5 e 10 anos tendem a subir, vão pedir um retorno maior”, explica Fernando Belaciano, gestor de renda variável da Vetorial Asset Management.

Amplamente criticadas por sua complacência frente ao risco antes da crise financeira global de 2008/2009, as agências parecem cada vez menos dispostas a esperar para ver. Elas e investidores “têm perdido a paciência com países que não possuem cenários substanciais e críveis de consolidação fiscal”, destacou a equipe do Société Générale.

… desmancha no ar
Se os investidores buscam maximizar o seu retorno, ao mesmo tempo em que mitigam risco, uma elevação nas taxas dos títulos públicos norte-americanos poderia disparar um novo movimento do chamado “voo em direção ao menor risco”, com a troca de posições em ações por renda fixa.

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Isto porque a perspectiva negativa sobre o rating dos EUA não seria suficiente para alterar a percepção dos Treasuries como um ativo de baixo risco. A confiança no país ainda faz com que os papéis de sua dívida sejam considerados ativos “livres de risco”.

“Mesmo assim, o nível de risco em Treasuries será menor”, compara Fernando Belaciano. “Isto impacta negativamente as ações; a taxa de retorno para renda fixa será maior”, avalia o gestor da Vetorial.

Hércules
Mas não será tarefa simples reverter a dinâmica de deterioração das condições fiscais. “Os EUA ainda encontram-se firmemente na zona AAA, mas sem reformas e com a extensão dos cortes de impostos da era Bush, entrarão no espaço AA em torno de 2015/2016”, preveem Aneta Markowska e Rudy Narvas, economistas do Société Générale.

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Neste cenário, o principal risco de curto prazo apontado pelo banco francês é a grande dependência do financiamento externo deste déficit fiscal nos EUA, alimentada pelas enormes reservas internacionais de países como China e Japão.

“O governo chinês vai pedir um retorno maior. Não acredito que [o relacionamento] seja quebrado, mas [a China] pode começar a diversificar”, apontou o analista.