Resumo Semanal

...

Publicidade

Os principais mercados internacionais foram novamente influenciados nesta semana pelo noticiário europeu. Desta vez, porém, os investidores responderam positivamente aos rumores de que o G-20 vai reforçar o FMI a fim de disponibilizar um maior volume de dinheiro para ajudar as economias em crise fiscal da Europa. Neste cenário, o Ibovespa fechou o período em alta de 2,26%, aos 69.766 pontos, invertendo a baixa vista na semana passada.

Entre os destaques corporativos, as ações da LLX Logística lideraram as perdas do Ibovespa na semana. O movimento se deu após a estreia dos papéis da PortX, fruto de sua cisão, nesta sexta-feira, com uma expressiva alta de quase 807%. Por outro lado, os papéis da LLX tiveram o pior desempenho da bolsa brasileira neste pregão, ao despencarem 40,7%.

A pesada variação dos papéis de ambas as empresas pode ser explicada pela estrutura da operação. Com a cisão dos ativos da LLX para a criação da PortX, os ativos LLXL3 perderam, em valor, R$ 0,43 – que foi considerado o preço de estreia dos papéis PRTX3. O mercado, contudo, parece avaliar que esse valor não foi justo. Por isso, os investidores penalizam as ações da LLX na sessão ao mesmo tempo em que veem as ações da PortX como baratas frente a seu potencial. Importante também destacar que a MMX realizará uma oferta de permuta para adquirir a totalidade das ações da PortX.

Do outro lado do Ibovespa, na ponta compradora, destaque aos ativos da Brasil Ecodiesel. Nesta sexta-feira, minutos antes do fechamento do pregão regular na BM&F Bovespa, as ações da companhia dispararam e terminaram o dia com valorização de 8,49%. Estas ações vêm de três pregões de alta e, somada à disparada deste pregão, acumularam na semana ganho de 16,16%. Em contato com a InfoMoney, o departamento de Relações com Investidores da companhia disse que desconhece os motivos para o rali nos papéis. O analista Arnold Thau, da Técnica Assessoria, não descarta a chance de divulgação de novas informações sobre a associação da empresa com o grupo Maeda.

Outros destaques corporativos
Entre os papéis mais líquidos do Ibovespa, o desempenho positivo foi unânime. As ações ON e PN da Petrobras tiveram valorizações de, respectivamente, 4,96% e 4,47% na semana. Já os papéis PNA da mineradora Vale subiram 2,95% no período, enquanto que os ativos ordinários registraram ganhos de 4,64%.

Outra empresa citada no noticiário corporativo da semana foi a BM&F Bovespa, que comunicou ter sido autuada em mais de R$ 410 milhões pela Receita Federal, originários da amortização, para fins fiscais, do ágio gerado quando da incorporação de ações da Bovespa Holding. Para a Receita, a infração está fundamentada em uma suposta inconsistência do critério aplicado na avaliação do patrimônio líquido da companhia, para efeito de apuração do valor do ágio. As ações BVMF3 tiveram perdas de 1,02% na semana.

Continua depois da publicidade

Europa volta ao centro das atenções
No Velho Continente, o presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, afirmou na última quinta-feira que a autoridade monetária da Zona do Euro postergará a retirada das medidas emergências de liquidez e que continuará comprando títulos públicos. O BCE também oferecerá empréstimos ilimitados aos bancos até o primeiro trimestre de 2011.

Aliado a isso, o FMI deverá dobrar sua capacidade de empréstimo para US$ 450 bilhões nos próximos meses, em função da necessidade de capacidade adicional para lidar com a crise que se arrasta em alguns países europeus, segundo informações do Wall Street Journal. Um novo repasse de US$ 250 bilhões deverá ser realizado pelo G-20 ao Fundo, segundo o periódico.

Estas notícias ajudaram a aliviar as tensões dos investidores no início da semana, em meio às dúvidas sobre a questão fiscal de algumas economias europeias, como Portugal e Espanha, que mantiveram o clima tenso nos principais mercados internacionais. 

Continua depois da publicidade

Outro vetor que contribuiu para o clima apreensivo em relação à Europa foi a inserção, pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s, do rating de crédito de longo prazo da Grécia em revisão, com perspectiva negativa, enquanto avalia as possíveis implicações para as contas gregas da aprovação, pelo conselho europeu, do Mecanismo de Estabilidade Europeia.

A medida da S&P nesta semana veio após a agência ter rebaixado em novembro a classificação de risco de crédito da Irlanda. Além disso, também no último mês, a S&P colocou os ratings de crédito soberanos de longo e curto prazos de Portugal em observação para uma possível revisão negativa.

Agenda interna: ministros de Dilma voltam ao foco
Enquanto lá fora os mercados seguem de olho na Europa, por aqui, os investidores também avaliam a divulgação de nomes de irão compor a equipe econômica do governo Dilma. Nesta sexta-feira, a presidente eleita Dilma Rousseff, do PT, anunciou os nomes de Antonio Palocci, Gilberto Carvalho e José Eduardo Cardozo para assumirem, respectivamente, a Casa Civil, a Secretaria Geral da Presidência e o Ministério da Justiça.

Continua depois da publicidade

Com a confirmação destes nomes, Dilma já confirmou seis importantes cargos do primeiro escalão de sua equipe. Guido Mantega permanece à frente do Ministério da Fazenda, Miriam Belchior assume o Ministério do Planejamento e Alexandre Tombini estará à frente do Banco Central.

Por falar em Banco Central, a entidade elevou nesta sexta-feira o compulsório e aumentou o limite de garantia do FGC, além de também estabelecer um cronograma para extinção do DPGE (Depósito a Prazo com Garantia Especial do FGC).

Entre os indicadores econômicos da semana, a produção industrial brasileira avançou 0,4% na passagem de setembro para outubro, segundo a Pesquisa Industrial de Produção Física, divulgada pelo IBGE. Já o fluxo cambial divulgado pelo Banco Central mostrou que a entrada de dólares no País superou a saída em US$ 1,216 bilhão no acumulado de novembro até o dia 26. Com isso, o saldo acumulado em 2010 subiu para US$ 25,255 bilhões.

Continua depois da publicidade

Além disso, a FGV divulgou o relatório da Sondagem Industrial do mês de novembro. O ICI (Índice de Confiança da Indústria) reverteu dois avanços consecutivos e desta vez apontou redução na passagem mensal. Ainda por aqui, o setor público brasileiro apresentou superávit primário de R$ 9,738 bilhões durante o mês de outubro, com estatísticas que não levaram em conta o Grupo Eletrobras, segundo dados divulgados pelo Banco Central em sua Nota de Política Fiscal.

Também no cenário interno, o governo central, composto por Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social, registrou superávit primário de R$ 7,715 bilhões no mês de outubro – o resultado não conisdera as despesas com juros da dívida pública. Enquanto isso, em relação a outubro, a confiança do consumidor recuou 1,3%, atingindo 119,1 pontos em novembro.

Estados Unidos e China
Nos EUA, o principal destaque da semana ficou por conta do Livro Bege do Fed, que apontou que a economia segue melhorando nos Estados Unidos. O documento afirmou que o setor de serviços parece ter uma contribuição chave nessa evolução. Também em grande evidência, o Relatório de Emprego de novembro dos EUA desanimou ao mostrar alta na taxa de desemprego, um avanço bem menor do que se esperava no número de empregos gerados e estabilidade na média de ganho por hora trabalhada.

Entre os outros indicadores econômicos norte-americanos que trouxeram números aquém do esperado, destaque para os pedidos de auxílio-desemprego na última semana e a média móvel trimestral de preço dos imóveis no 3T10. Por outro lado, surpreenderam positivamente os mercados o número de contratos de compra e venda de casas em outubro, a atividade da indústria e do setor de serviços em novembro e a confiança do consumidor de Chicago em novembro.

Na China, dois indicadores de manufatura apontaram avanço em novembro, pelo sétimo mês seguido. Contudo, indicadores que mostram aquecimento da atividade na China têm sido avaliados com prudência, já que o mercado teme novas medidas de restrição monetária para conter a inflação no país.

Câmbio e Renda Fixa
A moeda norte-americana fechou cotada na venda a R$ 1,687, acumulando na semana apreciação de 2,37%.

No mercado de renda fixa, o contrato com vencimento em janeiro de 2011, que apresentou maior liquidez, encerrou apontando taxa de 10,69%, queda de 0,07 ponto percentual em relação a semana anterior.

No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 137,30% de seu valor de face, queda de 0,40% na semana.

Por outro lado, o risco-país fechou esta sexta-feira (3) cotado a 168 pontos-base, queda de seis pontos-base na variação semanal.