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SÃO PAULO – Entre as muitas projeções para o mercado de commodities em 2011, ganha destaque a expectativa de que a relação entre demanda e oferta permaneça apertada para muitos produtos. Ainda no primeiro semestre, os alimentos e o petróleo podem continuar em destaque, enquanto papel e celulose devem sofrer pressão desde o início.
“O começo de 2011 se apresenta como um período sólido para os preços de commodities”, afirmaram Sudakshina Unnikrishnan e Kerri Maddock, analistas do Barclays Capital. “Esperamos que mercados como o cobre, petróleo e milho estejam entre os com melhor performance”, projetam.
No mesmo sentido, a equipe de estratégia em commodities do JPMorgan Chase, liderada por Colin P. Fenton, acredita que “o cenário para commodities em 2011 é positivo”, apontou relatório, com destaque para produtos como petróleo, trigo, milho e cobre.
Principais temas
“A reignição cíclica do crescimento da demanda será fator predominante para guiar os preços”, destacou a equipe do JPMorgan Chase.
Já o economista Chau Kuo Hue traça como tema importante para observação a dinâmica de inflação nos países em desenvolvimento. “Estes países devem permanecer como importantes fontes de locomoção global, com seu impacto em (…) commodities”, concordaram os analistas do canadense Scotia Bank.
Assim, olho nos emergentes: “Países em desenvolvimento devem ser a principal força por trás do crescimento agrícola em produção, consumo e comércio”, aponta relatório conjunto da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentos) e da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico).
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De olho nos BCs
Ao mesmo tempo, somam-se as preocupações em torno do alívio quantitativo, promovido por autoridades monetárias de países desenvolvidos, as quais tem ampliado a liquidez global e facilitado os fluxos de capital em direção a ativos de risco, impulsionando os mercados futuros de commodities e contribuindo para a desvalorização do dólar.
Entretanto, os analistas Diego Mendes e Paula Kovarsky, da Itaú Corretora, ressaltam que existe o risco de que a recuperação da economia dos EUA leve à reversão do fluxo de capitais em direção aos ativos de maior risco, buscando exposição ao mercado de ações e títulos públicos de países desenvolvidos.
Agricultura & alimentos
Papel e celulose
Metais e mineração
Petróleo
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Agricultura & alimentos
Não é possível comentar a dinâmica de preços sem passar pelo ano de 2010, caracterizado por importantes eventos climáticos que prejudicaram a oferta de gêneros agrícolas e proteína animal.
Em julho, a Rússia suspendeu exportações, após sofrer grande seca e uma disparada dos preços de alimentos no mercado doméstico. Naturalmente, a quebra da oferta em um dos maiores produtores teve importantes efeitos para o mercado global, elevando os preços de cereais importantes para toda a cadeia produtiva de alimentos.
Já no fim de 2010, os preços passaram a ser impulsionados por perspectivas relativas ao próximo ano, como a possível redução da produtividade em grandes produtores agrícolas como Brasil, Argentina e EUA. No caso sul-americano, um dos motivos seria a intensificação do fenômeno La Niña, que reduz a intensidade das chuvas no sudeste do continente.
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Como será a inflação?
Como explica o economista Chau Kuo Hue, os preços atuais no mercado já incorporam estas perspectivas menores para a oferta, o que deve reduzir a possibilidade de movimentos mais bruscos nos preços. Entretanto, “até março e abril pode ser que haja soluços no mercado, por conta do desenvolvimento da safra”.
Entretanto, o economista destaca a capacidade dos produtores em repassar os aumentos de custos para o mercado doméstico, em função do crescimento da demanda, em meio ao ciclo de expansão da economia brasileira. Também a oferta no segmento bovino deverá ser recuperada, após a quebra no ciclo promovida pela crise de 2008.
Segundo o ministério da agricultura, as exportações do agronegócio geraram US$ 70,3 bilhões de janeiro a novembro deste ano. O valor é 17,7% superior ao volume de 2009, tendo se destacado o crescimento das exportações de derivados da cana-de-açúcar.
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Papel e celulose
Após iniciar o ano de 2010 de modo promissor, o mercado de papel e celulose encerra o ano com a expectativa de certa pressão sobre os elevados patamares alcançados pelos preços.
“Com demanda oscilante, possíveis reduções nos preços são comentadas”,a ponta o analista Leonardo Alves, da Link Investimentos, em relatório recente. Entretanto, o analista afirma estar otimista em relação aos preços no setor.
Isto se dá pelo atual patamar de preços já ser considerado elevado, bem como pela expectativa de sua manutenção nos próximos anos. “Até a entrada de novas capacidades, que só deverá ocorrer em 2013, não vemos grandes mudanças nesse cenário”, conclui Alves.
Para o biênio 2011 e 2012, a projeção do analista é de preço médio em US$ 850 por tonelada de celulose, “bastante próximo da média de 2010”, ponderou o analista da Link Investimentos.
Metais e mineração
Com grande parte dos atores no setor investindo na verticalização da produção, tem sido natural ao mercado conferir mais atenção à atividade da mineração, em especial, o minério de ferro.
De acordo com relatório de Leonardo Correa, da Barclays Capital, 2011 deverá ser marcado pelo posicionamento para a continuidade do super ciclo do minério de ferro, em função das dificuldades para elevação da oferta frente à contínua expansão da demanda global, em que se destaca a China.
Também será importante verificar a solidez do novo sistema de precificação de ativos no mercado, com revisão trimestral e mais conectado aos preços à vista, cada vez mais atacado pelas siderúrgicas chinesas.
Entretanto, a expectativa é que as mineradoras que dominam o mercado global – Vale, Rio Tinto e BHP Billiton -, voltem a pressionar por novos reajustes ainda no começo de 2011, especulados em aproximadamente 5%.
Outros metais
“Nossa visão é que a recuperação global continuará em 2011. A volatilidade deve permanecer elevada”, destacou o relatório da equipe do Barclays. Já para os analistas do JP Morgan Chase, a expectativa é menos homogênea. “O cenário para os metais de base em 2011 será misto”, destacou.
No caso do cobre, a equipe do Citi liderada por Alexander Hacking coloca que “nossa projeção para a taxa de crescimento anual do cobre na América Latina é de 3% entre 2010 e 2020, o que é suficiente apenas para manter o mercado global em equilíbrio”.
Petróleo
“Uma expansão de 1,5% a 2,0% do PIB (Produto Interno Bruto) global real é suficiente para enviar a maior parte dos mercados de commodities, inclusive o de petróleo, para o déficit em 2011”, afirmou a equipe de Colin Fenton, do JP Morgan Chase.
Entretanto, existe certa variação nas projeções para 2011. Enquanto os analistas do JP Morgan Chase esperam que o barril tipo brent atinja preço médio de US$ 92 nos mercados futuros, o Itaú projeta flutuação em patamar inferior, entre US$ 85 e US$ 90, no primeiro semestre.
Já os analistas Frank McGann e Conrado Vegner, do BofA Merrill Lynch, elevaram recentemente suas projeções para o final de 2011, passando de US$ 85 para US$ 87 por barril, “em reflexo das condições mais apertadas dos fundamentos no mercado físico de petróleo”.
“Nós temos argumentado à exaustão sobre a natureza da indústria de petróleo, muito menos dinâmica do que o mercado acredita”, apontaram Paula Kovarsky e Diego Mendes, da Itaú Corretora, que projetam uma redução dos preços da commodity ao final de 2011, para patamar próximo a US$ 80 por barril.