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SÃO PAULO – Na esteira do bom momento da economia brasileira, os volumes ofertados de valores mobiliários no mercado doméstico e externo até novembro deste ano atingiram a marca inédita de R$ 290,7 bilhões, expressiva alta de 105% frente o mesmo período de 2009, transparecendo o forte ritmo das captações das empresas do País via mercado de capitais em 2010.
Segundo dados da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) publicados até a última quinta-feira (16), foram registradas 31 ofertas de ações primárias e secundárias neste ano, movimentando mais de R$ 149 bilhões. No segmento de renda fixa, foram captados até o final de novembro cerca de R$ 142 bilhões (incluindo emissões externas), conforme dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), alta de 48% em relação ao mesmo período de 2009.
Apesar da cifra expressiva, é muito importante lembrar que o desempenho excepcional do mercado de renda variável este ano deve-se, sobretudo, à emissão de ações da Petrobras, que movimentou R$ 120 bilhões, como mostra o quadro comparativo elaborado pela Anbima:

Fonte: ANBIMA
Não considerando a capitalização da estatal, foram levantados R$ 29 bilhões até novembro com emissões na renda variável, queda de 38,4% frente aos R$ 47 bilhões vistos em 2009 e recuo de 17% em relação ao montante de R$ 35 bilhões de 2008.
Comparações e considerações à parte, o que esperar para 2011? Será um ano de forte presença de IPOs (Oferta Inicial de Ações) e OPAs (Oferta Pública de Ações)? E com relação à renda fixa?
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Expectativa positiva para 2011
“Há expectativa da realização de 30 a 40 IPOs em 2011”, projeta Paulo Sérgio Dortas, sócio da área de IPOs da Ernst & Young Terco, com base no bom momento vivenciado pela economia doméstica, oportunidades advindas da Copa do Mundo e Olimpíadas, além da exploração do petróleo na camada do pré-sal. “As perspectivas são positivas e temos a possibilidade de inclusive de bater, em valores, o total de valores captados em 2007”, destaca Dortas.
“Ao falarmos com compradores de IPOs nos EUA, claramente o Brasil é a bola da vez em termos de destino dos recursos”, ressalta o sócio da área de IPOs da Ernst & Young Terco, que também projeta a elevação da participação de fundos chineses no País para investimentos em IPOs, “quadro que deverá influenciar no crescimento do volume de operações no próximo ano”.
Com relação às OPAs, Dortas projeta semelhante fluxo, assim que houver uma melhora na precificação das ofertas, destaca.
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A fim de atender este propósito, a CVM, em 25 de novembro, editou a Instrução nº 487. “Em linhas gerais, a Instrução trouxe boas práticas no que se refere às ofertas públicas de aquisição de controle de companhias de capital aberto. No entanto, ainda é cedo para avaliar seu impacto”, afirma Arturo Profili, gestor da Capitânia.
Juro, dólar, inflação, PIB e as captações
Entre projeções de bancos e corretoras, alguns pontos quanto as projeções para a economia brasileira no próximo ano são consenso: aumento da taxa de juro, aceleração da inflação e desaceleração do PIB na passagem anual. E como estes fatores afetarão o apetite por negócios das empresas e investidores?
“As taxas de crescimento das empresas prometidas nos IPOs são tão expressivas que dificilmente esta eventual elevação do juro afetará o humor dos compradores”, projeta o sócio da Ernst & Young Terco.
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Com relação à perspectiva de aceleração da inflação, o gestor da Capitânia acredita que haverá um aumento do número de emissões de títulos indexados ao IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) e ao IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) ao longo do próximo ano.
Sobre as medidas tomadas pelo governo para frear a entrada de dólares na economia, especificamente com relação ao aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) em outubro, Profili não prevê novas iniciativas visando restringir a entrada de capital estrangeiro no País. E Dortas enfatiza: “Teria que ser (um aumento de restrições) muito relevante para afetar o apetite destes investidores”.
Desafios e tendências
Como em todo ano, o aumento da base de investidores pessoa física e a forte dependência do capital externo são os principais desafios para o mercado de capitais brasileiro. Além do mais, outras duas especificidades são tratadas pelos executivos.
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Para Profili, além do número de investidores, o aperfeiçoamento do arcabouço regulatório deverá ser uma constante no próximo ano. Dortas chama atenção à necessidade de capitalização de empresas de menor porte. “Este, a meu ver, será o grande desafio para 2011. A BM&F Bovespa vem fazendo um ótimo trabalho na divulgação do Bovespa Mais, que ainda não decolou”.
Com relação às tendências, a emissão de títulos de dívida privada será, como neste ano, um dos mecanismos mais utilizados pelas empresas para financiar seus projetos. “Em 2011, acreditamos que haverá expressivo aumento do número de emissões, havendo, de forma paralela, uma redução do valor médio de cada transação”, avalia o gestor da Capitânia.
“O mercado de dívida continuará a ser um importante mecanismo de financiamento das empresas brasileiras. Acredito que em 2011 poderá haver uma sofisticação do perfil do endividamento, com a realização de operações no exterior”, afirma Dortas.
Letras Financeiras: uma nova alternativa?
No início do mês, junto ao aumento do compulsório, o Banco Central anunciou a isenção de exigência de reservas para a emissão de Letras Financeiras, a fim de fomentar uma nova alternativa de capitalização. Segundo a Anbima, até o final de novembro, havia um estoque de Letras Financeiras na casa de R$ 21 bilhões, cerca de 2,4% do total de títulos bancários movimentados no mercado doméstico, atrás, somente, do unânime CDB.
Apesar da expressiva marca dado o pouco tempo da medida, a isenção terá efeito “moderado” quanto ao volume de emissão de Letras Financeiras, aponta Profili, que justifica – “é importante ressalta que as instituições financeiras de pequeno e médio porte ainda dispõem de um vasto limite de emissão de CDBs não sujeito a recolhimento de depósito compulsório”.