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SÃO PAULO – Avaliando um cenário que une aceleração da inflação doméstica acima da meta e perda do ritmo de recuperação dos países desenvolvidos, o Banco Central manteve a expectativa de crescimento de 7,3% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro em 2010 e de 4,5% em 2011. As informações constam no Relatório Trimestral de Inflação, divulgado nesta quarta-feira (22).
Dessa forma, o Banco Central voltou a afirmar que “a evolução do Produto Interno Bruto no terceiro trimestre do ano e os resultados recentes da atividade industrial confirmam a avaliação do Banco Central, expressa no último Relatório de Inflação, de que as taxas de crescimento se deslocam para níveis mais compatíveis com o crescimento de longo prazo”.
Inflação acima da meta
Em termos de preços, o documento mostra a inflação acima do centro da meta do CMN (Conselho Monetário Nacional), de 4,5%, até 2012. Assim, em seu cenário de referência, o Banco Central considera uma alta de 5,9% nos preços em 2010, com a taxa Selic a 10,75% ao ano e a previsão para o câmbio constante em R$ 1,70. Ao final de 2011, a inflação alcançaria 5%, fechando 2012 em 4,8%.
“Importante destacar que, no regime de metas para a inflação, desvios em relação à meta, na magnitude dos implícitos nessas projeções, sugerem necessidade de implementação, no curto prazo, de ajuste na taxa básica de juros, de forma a conter o descompasso entre o ritmo de expansão da demanda doméstica e a capacidade produtiva da economia, bem como de reforçar a ancoragem das expectativas de inflação”, ressaltou o BC.
Vale destacar que as projeções mostraram mudanças significativas em relação às anteriores. No relatório publicado em setembro, o cenário de referência pressupunha câmbio de R$ 1,75, com inflação de 5,0% em 2010. O aumento previsto nos preços oscilaria em torno da meta em 2011, fechando os 12 meses acumulados no terceiro trimestre de 2012 em 4,4%.
Dinâmica interna
O Banco Central também abordou o mercado de crédito no relatório, explicando a decisão de elevar o compulsório como uma forma de evitar desequilíbrios econômicos. Entretanto, o documento mostra a contribuição do crédito para a expansão do investimento e do consumo, com destaque para o crédito direcionado.
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Nesse sentido, a autoridade monetária ressaltou ainda a atuação do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) no financiamento de projetos de infraestrutura e aquisição de bens de capital e a aceleração da expansão do crédito habitacional.
Outro ponto lembrado pelo BC foi o desempenho das transações correntes do Brasil, que registraram déficit de US$ 38,8 bilhões até outubro deste ano, enquanto no mesmo período de 2009 o saldo havia ficado negativo em US$ 15,1 bilhões. “A distinção entre o ritmo de crescimento da economia brasileira e de seus principais parceiros comerciais se reflete” nesse resultado, explicou.
Para 2011, as perspectivas são melhores, com a desaceleração desse processo e o financiamento das transações correntes por aumentos no fluxo líquido de IED (Investimentos Estrangeiros Diretos), além da rolagem das obrigações externas públicas e privadas.