Idec diz que governo quer manipular STF; julgamento dos bancos deve ser adiado

Instituto de Defesa do Consumidor publicou nesta noite uma nota de repudia ao Banco Central, Ministério Público e AGU sobre pedido de adiamento do julgamento das poupanças
Prédio do STF, em Brasília
Prédio do STF, em Brasília

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SÃO PAULO – Na noite desta terça-feira (27), o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) publicou em seu site uma nota de repudia à atitude da AGU (Advocacia Geral da União), do Banco Central e do Ministério Público, que pediram hoje o adiamento do julgamento dos bancos sobre as correções das cadernetas de poupança previsto para ocorrer amanhã no STF (Supremo Tribunal Federal).

Segundo a nota, a estratégia adotada pelo governo, BC, AGU e MP “revela que os lucros bancários estão acima da vida dos cidadãos, ao ponto de pretender manipular o Supremo Tribunal Federal, a última esperança de independência neste país”. Ainda de acordo com o Instituto, após a derrota no STJ (Superior Tribunal de Justiça) na semana passada, a estratégia dos bancos é obter no STF, a qualquer custo, “decisão que cuspa nas milhares de decisões proferidas por todo o Judiciário – muitas delas do próprio Supremo, que, à unanimidade, reconhecem o direito dos poupadores à recuperação das perdas nos Planos Bresser e Verão”.

“Diante da impossibilidade da Presidenta Dilma receber o Brasilcon, Fórum das Entidades Civis de Defesa do Consumidor e o Idec em audiência, será enviada carta à Presidência da República, lamentando a condução do governo federal nesse assunto”, afirmou o Idec. Para Marilena Lazzarini, presidente do Conselho Diretor do Idec, “a única esperança do cidadão é o Supremo Tribunal Federal”. Lazzarini afirma ainda que o cidadão deve dar a resposta para isso nas urnas.

Pedido de adiamento
Durante a manhã, o ministro Marco Aurélio Mello afirmou que o STF deve adiar o julgamento dos planos econômicos que setá marcado para amanhã, sendo que a nova data deve ficar para após a eleição presidencial de outubro. Segundo informações da Agência Estado, o pedido feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, teria sido motivado por erro da Procuradoria no parecer sobre o assunto.

Segundo fontes do próprio Supremo, “o Ministério Público teria admitido, reservadamente, que há erros na perícia feita pelo órgão e encaminhada ao tribunal” e, por isso, quer novo prazo para refazer a perícia. A Consif (Confederação Nacional do Sistema Financeiro) também havia apontado incongruências no parecer do Ministério Público, e pediu, hoje pela manhã, que o Supremo abrisse prazo para que o MP fizesse nova perícia sobre o impacto financeiro de uma possível derrota dos bancos.

O ministro Gilmar Mendes do STF sinalizou também ser a favor do adiamento do julgamento dos recursos sobre os planos econômicos. “Acho difícil”, respondeu o ministro ao ser indagado por jornalistas se os processos sobre o assunto serão julgados pelo plenário do STF amanhã. Para o ministro, que é um dos relatores do assunto, é necessário ter segurança em relação aos números. “Esse assunto está muito mexido. Os números passeiam”, disse. “Existem desde contas maximalistas até muito minimalistas.”

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Gilmar Mendes opinou que a situação econômica está instável. “O que temos é um ambiente econômico muito instável, independente de eleição. A economia andando meio de lado, as coisas pouco claras”, disse.

Para o ministro, é necessário ter cautela e não se pode brincar com números. “Não vamos simular valentia. A gente está vendo a crise europeia. Basta ir ali, pegar o avião, vai em oito horas até Portugal e vai ver. Quem quiser sofisticar um pouquinho vai até a Grécia. Não podemos ficar brincando com número. E também não podemos dar de aprendiz de feiticeiro e ver se tem gasolina no tanque com fósforo. Temos que ter um pouco de noção dessas coisas.”

(Com informações da Agência Estado)


Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.