Queda das ações de Cesp e Eletrobras abre oportunidade de compra, defende Itaú

Para a corretora, renovação onerosa das concessões deve enfraquecer papéis das empresas, criando ponto de entrada

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SÃO PAULO – O problema da renovação das concessões de serviços públicos voltou à tona. No governo Lula muito se discutiu sobre a necessidade da “moderação das tarifas” no segmento e torna-se claro que o próximo governo precisará investir em infraestrutura na capacidade de geração e transmissão de eletricidade, que deve vir, em grande parte, das companhias estatais. Uma possível redução nas tarifas de geração pode prejudicar tais investimentos. Diante disso, a corretora do Itaú se posicionou afirmando que trata-se de um “dilema delicado”, defendendo a oportunidade de compra, em momentos de baixa, para as ações das empresas do setor. 

Segundo os analistas Marcos Severine, Mariana Coelho e Marcel Shiomi, “qualquer enfraquecimento nas ações da Cesp e da Eletrobras representa uma oportunidade de compra”. Segundo a análise, os preços atuais dos papéis das duas companhias implicam em uma renovação da concessão a R$45/MWh para a Cesp (CESP6), valor inferior ao cenário proposto pelo banco, enquanto para a Eletrobras (ELET3) o valor está abaixo do cenário de não renovação. 

Ônus da renovação: decisão delicada
O jornal Valor Econômico apresentou um artigo na última quarta-feira (22) sobre o problema da proximidade do término das concessões. Foi exposto no referente artigo que o preço de venda do projeto da Usina Hidroelétrica de Teles Pires, no leilão A-5 da Aneel – no valor de R$ 58,35/MWh – deve ser o valor de referência para a renovação das concessões de energia elétrica. Ainda segundo o artigo, em citação ao pronunciamento de Nelson Hubner, CEO (Chief Executive Officer) da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), se um novo projeto pode se sustentar com um preço tão baixo, não haveria razão para uma usina elétrica antiga praticar preços mais altos para ser economicamente viável.

Para a equipe de análise do banco, a conclusão não pode ser tão simplista. Uma vez que os investimentos em infraestrutura devem ser direcionados por estatais, como Eletrobras, Cesp, Cemig (CMIG4) e Copel (CPLE6), uma redução drástica nas tarifas de geração, em virtude de uma renovação muito onerosa das concessões, pode influenciar negativamente a capacidade de investimento de tais empresas, deixando a expansão de  capacidade do País à mercê das companhias privadas. De acordo com os analistas, isso tenderia a pressionar ainda mais a taxa de retorno dos novos projetos.

Assim, “o ônus da renovação será uma decisão delicada para a nova administração, razão pela qual discordamos da conclusão bastante simplista daquele artigo”, concluiu o Itaú. Além disso, o retorno regulatório proposto para as companhias de distribuição, em 7,15%, deve pesar sobre o fluxo de caixa das companhias integradas.