Ministro da Economia da Argentina passa de confronto à conciliação

Anúncios recentes de transações feitas por Axel Kicillof afundaram o rendimento dos títulos até seu valor mais baixo em 18 meses e desencadearam o segundo maior ganho entre os principais países em desenvolvimento

Bloomberg

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Axel Kicillof, o Ministro da Economia da Argentina que acusou investidores internacionais de saquearem o país e chamou os detentores de títulos em default de urubus, agora se converteu na cara dos esforços de reconciliação do governo.

Na semana passada, Kicillof, 42, arranjou um acordo de US$ 9,7 bilhões para resolver uma disputa com o grupo de credores do Clube de Paris que data do default do país em 2001, somente dois meses depois de orquestrar um acordo para compensar a Repsol SA pela confiscação da YPF SA pela Argentina. Os anúncios, os mais recentes de uma série de transações lideradas por Kicillof desde o final de 2013, afundaram o rendimento dos títulos até seu valor mais baixo em 18 meses e desencadearam o segundo maior ganho entre os principais países em desenvolvimento.

Catapultado ao papel como parte de uma reforma do gabinete realizada em novembro no intuito de frear a queda das reservas, Kicillof, conhecido por suas costeletas no estilo Elvis Presley, liderou o esforço da Argentina para aplacar os credores externos e o FMI. As medidas alimentaram o otimismo em relação a que Kicillof chegue a um acordo com os credores em vez de continuar ameaçando deter os pagamentos de títulos caso a Argentina não possa anular decisões de tribunais americanos.

“Kicillof é uma pessoa com uma clara inclinação ideológica não ortodoxa, mas no atual ambiente sua prioridade deve ser garantir certo nível de sustentabilidade e ampliar para a Argentina as opções de financiamento com moeda forte”, disse Patrick Esteruelas, analista da Emso Partners Ltd. “É perfeitamente razoável antecipar que eles procurarão negociar alguma classe de acordo com os detentores de títulos”.

Paredes cobertas
Os credores que rejeitaram as reestruturações de dívida da Argentina em 2005 e 2010 foram favorecidos por decisões de tribunais para serem totalmente amortizados ao mesmo tempo em que a Argentina paga sua dívida reestruturada.

Os efeitos da decisão foram adiados e dependem de uma apelação ao Supremo Tribunal dos EUA. Em um documento apresentado em 27 de maio, a Argentina disse que precisaria de US$ 15 bilhões para pagar a todos os detentores, o que coloca o país em risco de default.

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Kicillof, que possui um doutorado em Economia da Universidade de Buenos Aires, negociou uma oferta com o Clube de Paris que permitirá à Argentina amortizar a dívida em entre cinco e sete anos com uma taxa de juros máxima de 3,8 por cento.

Um dia depois do acordo com o Clube de Paris, o Ministério de Economia cobriu suas paredes com cartazes de jornalistas, economistas e líderes da oposição com citações deles nas quais questionavam a capacidade de Kicillof de arranjar um acordo.

“Enche-nos de orgulho, gratidão e esperança que a Argentina seja capaz de cumprir com seus compromissos, mas sem comprometer seu futuro e seu presente”, disse ele em uma entrevista à imprensa no dia 30 de maio.

Evidência definitiva
Robert Cohen, advogado da NML Capital da Elliot Management Corp., disse a um juiz em 30 de maio que um memorando legal vazado pode ser “a evidência concreta” dos planos da Argentina para desafiar os tribunais americanos e entrar novamente em default se o Supremo Tribunal não revisar seu caso.

Kicillof, que chamou a dívida em default que está com os detentores como a Elliot Management, de “papelão pintado” e liderou o confisco da unidade YPF da Repsol em 2012, foi promovido pela presidente Cristina Fernández de Kirchner de vice-ministro a ministro em 18 de novembro.

Naquela época, as reservas usadas pela Argentina para pagar dívidas estavam despencando ao ritmo mais rápido desde 2002.

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“Ele acredita nas mesmas coisas”, disse Diego Ferro, um dos diretores de investimentos da Greylock Capital Management LLC, em resposta por e-mail a questões. “A diferença é que Fernández percebeu que sua administração se encontrava em uma situação muito precária. Kicillof é suficientemente inteligente para notar que ele precisava mudar para continuar onde estava”.