Ex-editor da Economist “percorre” 500 anos para explicar guinada problemática do Brasil

O livro - que será lançado em português em setembro - identifica três temas que guiam o desenvolvimento do Brasil desde o seu início até hoje

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SÃO PAULO – “O gigantismo define o Brasil, até mesmo nas suas decepções”. É assim que o Financial Times inicia a resenha para o livro “Brasil: The Troubled Rise of a Global Power” (Brasil: A guinada problemática de uma potência global, em tradução livre),publicação esta escrita por Michael Reid, jornalista britânico da revista semanal The Economist. O FT faz relação com o Maracanazo, quando a seleção canarinho perdeu a Copa para o Uruguai em pleno Maracanã, em 1950. 

O livro – que será lançado em português em setembro -, foi escrito num momento em que o País está nos holofotes com a proximidade da Copa do Mundo e “preenche a lacuna com um estudo que pode se tornar uma referência nos próximos anos, conforme aponta a resenha do jornal britânico.

“Ex-editor da The Economist na América Latina (que no ano passado reprisou a famosa capa de 2009 da estátua do Cristo Redentor decolando como um foguete, em uma versão que ele mostrou estar fora de controle), Reid é agora correspondente regional da revista. Seu relato claro, profundamente pesquisado, remonta 500 anos para identificar três grandes temas que continuam a moldar o desenvolvimento do Brasil”, aponta a publicação. 

Em primeiro lugar, são as batalhas que Portugal, um poder colonial relativamente fraco, teve que incorrer para manter a sua enorme colônia, problema este resolvido pela cooptação ao invés do conflito. E, aponta Reid, este pragmatismo perdura na preferência de Brasília pelo consenso político. Embora seja um objetivo nobre, as coalizões também podem promover paralisias, como se vê na administração da atual presidente Dilma Rousseff. 

Em segundo lugar, há o legado da escravidão, que explicam as desigualdades persistentes no País. Embora nunca tenha havido uma segregação racial como nos EUA, as diferenças de oportunidade no Brasil são latentes.

Por último, a experiência do Brasil com relação à sua independência é única, uma vez que houve a transferência do centro político de Lisboa para o Rio de Janeiro, com a corte fugindo de Napoleão Bonaparte. A revolução pacífica não trouxe heróis, sendo que o primeiro deles – e bastante controverso – só emergiu em 1930, com a figura de Getúlio Vargas. Conhecido como o “pai dos pobres”, Vargas governou o País entre os anos de 1930 e 1945 e retornou em 1951, para ficar até a sua morte, em 1954.

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Brazil: the trouble rise of a global power

Reid destaca que Vargas implantou a noção de que a cidadania, benefícios e inclusão social vêm de “cima para baixo”, concedido por um estado beneficente ao invés de ser ganho através da democracia e mobilização cívica. Esta predileção pelo dirigismo também capta melhor os problemas que o País enfrenta atualmente. 

Por outro lado, aspectos positivos também são ressaltados, como alguns sucessos comerciais, principalmente vindos da agricultura, com a produtividade crescendo de forma constante entre 1950 e 1980. No entanto, hoje este modelo chegou a um limite sufocante, além do País sofrer com o chamado custo Brasil dada a sua “famosa” burocracia. O custo-Brasil, aponta, ameaça minar a maior conquista da última década: a saída de 35 milhões de pessoas da pobreza. 

Assim Reid, em seu livro, destaca o sistema político disfuncional e a necessidade urgente de reformas profundas, enquanto as vantagens e evoluções obtidas nos últimos anos estão “evaporando”. E o momento para ele ser escrito parece ser bem propício: num momento crucial para o País, em meio às eleições presidenciais e à Copa do Mundo. 

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Dentre as soluções propostas pelo escritor, está dividir os estados maiores em distritos menores, enquanto os impostos precisam diminuir e a poupança precisa aumentar. E, para quem for o novo presidente, é aconselhável que siga as prescrições de Reid. Ou os problemas do Brasil continuarão aumentando. 

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Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.