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SÃO PAULO – Os ativos de países emergentes devem se beneficiar da nova rodada de flexibilização quantitativa implementada pelo Fed, com fluxos de capital renovados. Entretanto, para o Société Générale, é melhor optar por bonds e deixar as ações desses mercados em segundo plano.
Esta é uma das ideias de investimento recomendadas pela equipe do banco francês, como resposta ao programa de estímulo do Fed anunciado na última semana.
De acordo com a equipe de análise, formada por Alain Bokobza, Roland Kaloyan, Arthur van Slooten, Aneta Markowska e Rudy Narvas, os US$ 600 bilhões que Fed injetará gradualmente no mercado até junho de 2011 através da recompra de títulos devem favorecer os ativos de mercados emergentes como China e Brasil, em um período em que investidores ainda tentam se proteger dos problemas de dívida soberana na Europa.
“A liquidez injetada pelos bancos centrais tem impulsionado investimentos em ativos emergentes; tanto bonds quanto ações têm visto fluxos líquidos enormes nos últimos meses, e o QE2 deve fazer com que essa tendência se mantenha no curto prazo”, explicam.
Títulos x ações
A opção do banco por títulos em detrimento das ações é justificada pelo rentabilidade histórica superior dos títulos em países emergentes. A equipe também lembra que os bonds são uma boa opção para exposição às moedas dos emergentes, que devem continuar a sofrer uma pressão de alta nos próximos meses em meio a um cenário de rebalanceamento global.
Além disso, o Société destaca que as ações dos emergentes já estão sendo negociadas com um prêmio significativo em relação aos papéis dos mercados desenvolvidos.
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Volatilidade em baixa, commodities em alta
Entre as demais ideias de investimento apresentadas pelo banco, destaque para as commodities – especialmente o ouro – que podem oferecer uma boa proteção contra o risco de alta da inflação no longo prazo e desvalorização do câmbio no G-3.
O Société também aponta que a liquidez em excesso traz consigo um sistema de baixa volatilidade, melhorando as perspectivas para os ativos de alto risco, que devem ter um bom desempenho no curto prazo.
“Procure exposição a ativos de alto yield, já que os investidores estão famintos por yields nos títulos soberanos do G-4”, explica o banco.
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Risco de desvalorização do dólar
Por fim, como já previsto por outros analistas, a flexibilização quantitativa pode contribuir para a desvalorização do dólar, dada a transferência de capitais de títulos para outras moedas, contribuindo ainda mais para o fluxo de investimentos em economias emergentes. Isso, por sua vez, poderia desencadear uma reação dos emergentes para proteger suas moedas.
“O investimento em petróleo, commodity mais sensível a flutuação da moeda norte-americana, é uma excelente proteção contra esse risco”, crivaram os analistas.