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Após ter ensaiado uma retomada da tendência de baixa ao final do pregão, o Ibovespa encerrou a sessão de quarta-feira (10) em leve queda de 0,06%, a 71.638 pontos. O dia foi marcado pelo movimentado noticiário econômico e corporativo, tanto na cena interna quanto no front internacional. O volume financeiro do pregão foi de R$ 7,31bilhões.
O encontro do G-20, que terá início nesta quinta-feira (11) em Seul, na Coreia do Sul, seguiu influenciando as bolsas nesta quarta. Sobre o assunto, vale a pena destacar as palavras do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que declarou ser favorável à substituição do dólar como moeda de reserva e nas transações internacionais. Mantega disse que o ideal é definir uma nova ordem no sistema financeiro internacional a partir da multimoeda.
Embora nas declarações os participantes do encontro afirmem que o objetivo é chegar a um acordo que possibilite uma ação coordenada para reduzir os problemas que diversos países enfrentam atualmente com as cotações de suas moedas, na prática o consenso é de que a chance disso ocorrer é pequena.
Destaques corporativos
Dentro do noticiário corporativo da sessão, apesar de fora do Ibovespa, o destaque ficou com o Banco PanAmericano. Os papéis do banco despencaram quase 30%, refletindo as reações do mercado quanto ao resgate à instituição feito pelo seu principal acionista, o Grupo Silvio Santos, no valor total de R$ 2,5 bilhões, contratado junto ao FGC.
O Banco Central, que identificou as inconsistências no balanço do banco, já afirmou que está investigando o assunto, e ressaltou que o resgate não contou com dinheiro público algum.
Dentro do índice, mais uma vez os papéis do setor de construção civil ficaram entre os destaques de baixa neste pregão. As ações da PDG Realty e da Rossi Residencial recuam forte, entre rumores que companhias do setor emitirão títulos no exterior para atender a demanda crescente dos programas do governo.
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Segundo James Harper, diretor do BCP Securities, as empresas querem aproveitar as taxas oferecidas pelo mercado e alavancar o caixa, já que existem oportunidades em vista dado o déficit habitacional no País.
Liderando a ponta vendedora do índice, ficaram as ações da BM&F Bovespa. Na avaliação dos resultados do terceiro trimestre, divulgados na véspera, os analistas consideram que, em geral, os números reportados ficaram em linha com as projeções, embora destaquem como fator negativo o incremento dos custos, que ficou acima das expectativas.
Do outro lado do índice, o principal destaque ficou com as ações da Vivo. A empresa obteve lucro líquido de R$ 602 milhões no terceiro trimestre, enquanto os analistas aguardavam algo em torno de R$ 364 milhões.
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Agenda
No front doméstico, com a mesma tendência de aceleração dos preços vista em outras semanas e também em outros índices de inflação, o IPC-Fipe apontou inflação de 0,97% na primeira prévia de novembro.
Também no campo inflacionário, apontando redução do ritmo de avanço dos preços, o IGP-DI mostrou inflação de 1,03% em outubro. O indicador ficou acima das expectativas do mercado, que, segundo o último relatório Focus, esperava variação de 0,82% no acumulado mensal.
Ainda por aqui, a produção da indústria nacional novamente recuou em nove das 14 regiões pesquisadas na passagem de agosto para setembro, como mostra a Pesquisa Industrial Produção Física – Regional, divulgada pelo IBGE. O instituto também revelou sua nova estimativa para a safra de grãos em 2010. De acordo com o IBGE, a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas no País deverá fechar o ano com 148,8 milhões de toneladas.
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Referências Externas
A agenda de fora também contou com dados de peso nesta quarta, especialmente na cena norte-americana. O Initial Claims mostrou que o número de pedidos de auxílio-desemprego nos EUA caiu mais do que o esperado na última semana, indo de 459 mil para 435 mil novos pedidos – as projeções apontavam para 450 mil. Ainda por lá, o déficit da balança comercial diminuiu mais do que previam os analistas na passagem de agosto para setembro, ficando em US$ 44 bilhões.
Também nos EUA, o orçamento do governo norte-americano registrou déficit de US$ 140,432 bilhões em outubro. As projeções apontavam para um saldo deficitário em US$ 140 bilhões. Este é o vigésimo quinto mês consecutivo de saldo negativo do Treasury Budget. O número mostrou piora na base mensal, comparado aos US$ 34,639 bilhões negativos vistos em setembro.
Se a pauta econômica dos Estados Unidos mostrou-se favorável, o mesmo não pode ser dito na Europa. Por lá, o Relatório Trimestral de Inflação do Reino Unido mostrou uma alta de 3,1% no índice de preços britânico em setembro. A previsão é que o indicador permaneça acima da meta de 2% durante 2011. Aliado a isso, resultados negativos de importantes companhias do velho continente, como Natixis e Allianz SE, contaminaram os mercados da região.
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Dólar
Ampliando seus ganhos durante a tarde, o dólar comercial encerrou esta quarta-feira com valorização de 0,77%, sendo cotado a R$ 1,712 na venda. A divisa norte-americana conseguiu chegar ao seu quarto dia sem fechamento negativo – nas outras três sessões, a moeda teve uma alta e dois fechamentos estáveis -, acumulando ganhos de cerca de 2% na semana.
O Banco Central manteve ativa sua rotina de intervenções no mercado cambial, comprando dólares via leilão por duas vezes nesta quarta-feira. A primeira aquisição ocorreu por volta das 12h20 (horário de Brasília), tendo uma taxa aceita em R$ 1,7023. A segunda compra de dólares teve início às 15h37 e terminou às 15h42, com taxa corte em R$ 1,7111.
Renda Fixa
Os principais contratos de juros futuros fecharam esta quarta-feira em alta no curto prazo após resultados de índices de inflação divulgados pela manhã. O contrato de juros de maior liquidez, com vencimento em janeiro de 2012, fechou com taxa de 11,52%, estável em relação ao fechamento anterior.
No mercado de títulos da dívida externa, o título brasileiro mais líquido, o Global 40, fechou em baixa de 0,78% em 139,10% do valor de face.
O risco-País não registrou variação em relação ao fechamento anterior, ficando em 172 pontos-base.
Mercados sem tendência nesta manhã
Com a atenção dos mercados dividida entre China, com a divulgação de dados econômicos e elevação do rating, Irlanda e a reunião de cúpula do G-20, os principais índices acionários do globo operam com instabilidade na manhã desta quinta-feira (11).
Frente às expectativas baixas em relação a possíveis medidas para corrigir os desequilíbrios globais, no encontro do grupo que reúne líderes políticos das 20 principais economias emergentes e desenvolvidas, os mercados futuros norte-americanos apontam para uma abertura em leve queda, ao passo em que as bolsas europeias oscilam entre leves ganhos e perdas.
Anti-G-20
“A campanha para abolição do G-20 precisa ganhar forças, ao passo em que os dois dias de desperdício de dinheiro, tempo e recursos ambientais começa em Seul”, afirmou o irônico economista do UBS, Paul Donovan, que afirmou não haver terreno comum entre os participantes para que se atinja um acordo sobre desequilíbrios, políticas monetária, fiscal ou cambial.
A despeito da descrença de muitos, rumores sobre a possível a adoção de uma leve flexibilização do yuan pela China ganham corpo, ao mesmo tempo em que o rating do país foi elevado de A1 para Aa3 pela agência Moody’s, bem como foram divulgados dados sobre inflação, produção industrial e vendas no varejo no país.
Em outubro, a alta anual dos preços ao consumidor atingiu 4,4%, ao passo em que a produção industrial cresceu 13,1% frente ao mesmo mês de 2009. Por fim, as vendas no varejo cresceram 18,6%, na mesma base comparativa, confirmando o quadro de leve decepção do mercado em relação aos dados.
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Por fim, completa-se o cenário macroeconômico e político desta sessão com os renovados temores sobre a dívida de países europeus, com destaque para a Irlanda. Em meio a dúvidas sobre a implantação de um duro pacote de ajuste fiscal, investidores acreditam que será necessário ao país pedir ajuda ao FMI (Fundo Monetário Internacional).
Alegando uma interpretação equivocada a declarações do chefe do banco central irlandês, o analista Vladimir Pillonca afirmou que mesmo se houver necessidade de ajuda, a Irlanda deverá recorrer primeiramente ao fundo de estabilidade financeira da Europa. Entretanto, os CDSs (Credit Default Swaps) da Irlanda voltam a registrar elevação dos preços nesta sessão.
Ademais, os mercados avaliam a divulgação de resultados corporativos de companhias como a Telefónica, que decepcionou com um lucro líquido trimestral de € 5,06 bilhões, enquanto a Siemens elevou sua proposta de distribuição de dividendos.
No Brasil
Internamente, o destaque recai sobre os resultados de companhias como o Pão de Açúcar e a Fibria, que registraram lucro de respectivamente R$ 115 milhões e R$ 303 milhões, em sessão marcada pela ausência de indicadores corporativos de maior peso. Os investidores também devem ficar atentos aos números trimestrais da Petrobras, que serão divulgados após o fechamento dos mercados.