Petróleo segue pressionado pelo risco da dívida na Zona do euro e recua

Portugal e Espanha preocupam o mercado; porém nesta terça dados mostraram certa melhora na economia norte-americana

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SÃO PAULO –  Os contratos futuros de óleo bruto fecharam em baixa nesta terça-feira (30), refletindo o temor do mercado de que outros países também recorram a ajuda internacional na Europa, como Portugal e Espanha. Além disso, em agenda carregada nos Estados Unidos, dados revelaram aumento na confinaça do consumidor norte-americano, melhora na atividade industrial e elevação do preços dos imóveis, possíveis sinais de fortalecimento e retomada do crescimento econômico no país.

A cotação do barril do petróleo Brent, negociado no mercado de Londres, fechou a US$ 85,92 no pregão desta terça-feira, baixa de 1,63% em relação ao último fechamento. Seguindo a tendência de queda, o contrato negociado no mercado de Nova York fechou cotado a US$ 84,11 por barril, configurando uma baixa de 1,89% frente ao fechamento anterior.

A moeda norte-americana registrou alta frente as principais divisas internacionais durante o dia, sob resultados otimistas no cenário americano. Uma valorização do dólar geralmente se traduz em pressão de baixa sobre os preços do petróleo, tanto pela compensação cambial, uma vez que os preços das matérias-primas são expressos na divisa, quanto pela movimentação dos investidores, que tendem a diminuir sua exposição neste mercado.

Portugal será a bola da vez?
O temor de contágio da crise na Europa, apesar de menor, ainda se mantém. A maior preocupação é em relação a Portugal e Espanha, porém Itália e Bélgica podem apresentar dificuldades, o que levaria a um espalhamento da crise, com consequências severas para as economias da Zona do euro. Portugal entrou no foco do mercado após o banco central do país ter alertado que seus bancos podem ser afetados por níveis intoleráveis de risco caso o governo fracasse na implantação e consolidação das reformas nas finanças públicas.

A situação fica ainda pior porque os bancos portugueses seguem comprando os bônus do governo do país em um ritmo mais rápido, já que as autoridades europeias estão fornecendo financimanetos baratos por meio do BCE (Banco Central Europeu). Essa medida pode gerar um risco para as instituições, pois o sistema bancário fica vulnerável a riscos associados às dívidas soberanas; tal medida também destaca as contradições que as autoridades europeias terão que enfrentar para tentar salvar as economias da região.

A rentabilidade dos bancos de Portugal estará condicionada ao desempenho da economia do país nos próximos anos, refletindo em uma materialização do risco de crédito e de mercado. Enquanto isso, a economia do país é agravada pela situação orçamental e pela posição externa da economia, com elevados níveis de endividamento privado e público, além de baixo crescimento econômico na última década. Ou seja, Portugal preocupa o mercado com o risco de se tornar o próximo país a recorrer a ajuda internacional.

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Confiança do consumidor e atividade industrial avançam nos EUA
A confiança do consumidor norte-americano, medida pela Conference Board, ficou acima do esperado no mês de novembro. O Consumer Confidence indicou 54,1 pontos no mês, superando as expectativas do mercado, que indicavam 52 pontos. Vale ressaltar que o indicador mostra sinais de melhora em comparação com o mês de outubro, cujo resultado foi revisado de 50,2 pontos para 49,9 pontos.

A atividade industrial na região de Chicago também ficou acima do esperado pelo mercado em novembro, de acordo com os dados divulgados pela Chicago Purchasing Managers Association. No período, o Chicago PMI (Purchasing Managers Index) atingiu 62,5 pontos, superando as projeções do mercado, que apontavam 59,6 pontos. Do mesmo modo, o resultado veio acima da medição anterior, quando registrara 60,6 pontos.

Preço dos imóveis não supera projeções, mas sobe
A S&P (Standard & Poor’s) divulgou dados mostrando que os preços dos imóveis nos EUA subiram 0,59% em setembro, na base de comparação anual. O avanço no indicador foi menor do que as expectativas de mercado, que giravam em torno de 1,0% para o período, e do que a última medição, que apontou uma alta de 1,67%, conforme os dados revisados.