Ata do Fomc mostra que nova rodada de estímulo deve ser implementada

Documento indica que membros não anunciaram novas medidas em setembro para recolher mais dados; projeções são reduzidas

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SÃO PAULO – O Fomc (Federal Open Market Committee) revelou nesta terça-feira (12) a ata da sua última reunião, realizada no dia 21 de setembro deste ano. O documento mostrou que vários oficiais do Fed acreditam que “logo” será apropriada uma segunda rodada de afrouxamento quantitativo para estimular a economia, a não ser que o ritmo de crescimento do país se fortaleça. 

Ainda de acordo com a ata, o anúncio de novos estímulos não foi feito em setembro porque a autoridade optou por recolher mais dados e discutir qual seria a melhor maneira de comunicar as medidas. A discussão sobre o afrouxamento abordou, essencialmente, benefícios e custos advindos de um programa adicional de compras de títulos do Tesouro, além de expressar a importância da expectativa de inflação para a política monetária.

Desse modo, entraram em pauta medidas que poderiam ser adotadas para promover um aumento dessa expectativa, como especificar de modo mais contundente uma meta para a inflação ou um objetivo para o PIB (Produto Interno Bruto) sem ajustes inflacionários. 

Indicadores econômicos
De acordo com o documento, os dados disponíveis até o último dia 21 mostravam ritmo mais lento de recuperação econômica, com inflação baixa, alta taxa de desemprego e aumento “modesto” da criação de vagas no setor privado em agosto.

No mercado imobiliário, a atividade enfraqueceu-se, com as construções não residenciais ainda deprimidas. Por outro lado, a produção industrial avançou em passo sólido em julho, com nova alta em agosto, assim como os gastos com consumo, que mostraram ritmo “modesto” de ascensão. Também os preços ao consumidor avançaram em julho e agosto. 

Dentre esses indicadores, o mercado de trabalho apareceu em destaque, já que continuou a melhorar apenas lentamente, com a média de avanço da folha de pagamentos nos três meses antecedentes a agosto menor do que a média de adição de empregos observada no início do ano. Além disso, os pedidos de auxílio desemprego continuam em níveis altos, enquanto outros dados, como demanda por trabalho, não mostraram melhora, observou o Fomc.

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Um número de participantes notou, de acordo com o documento, que o atual passo do aumento de vagas é insuficiente para reduzir o desemprego satisfatoriamente. Alguns apontaram para o fato de que empresários estão adiando contratações até que as perspectivas econômicas e regulatórias estejam mais claras. 

Situação financeira
Ainda na avaliação da conjuntura que dominou o intervalo entre a reunião de 10 de agosto e de 21 de setembro, o Fomc avaliou que as condições de financiamento no curto prazo continuaram a mostrar melhora, após o estresse advindo das preocupações com a estabilidade financeira na Europa.

Em relação aos índices acionários, que tiveram ligeira alta no período, os membros da autoridade continuam a estimar uma diferença elevada entre o retorno previsto com ações nos próximos 10 anos frente o retorno real com Treasuries de vencimento no mesmo período. Outro ponto abordado foi a expansão de crédito bancário em agosto, refletindo compras significativas de Treasuries por grandes instituições financeiras.

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Por outro lado, os empréstimos concedidos pelos bancos mostraram contração, embora em ritmo menor do que o observado no início do ano, destaca o documento.  

Perspectivas reduzidas
Embora o Fed não tenha preparado estimativas, mais uma vez os membros da autoridade monetária reduziram perspectiva de atividade real no segundo semestre de 2010, assim como a projeção de crescimento para 2011, embora apenas “levemente”, já que os membros do Fed antecipam fortalecimento da expansão em 2011, com ritmo mais forte no crescimento em 2012.

Apesar de mostrarem preocupação de que o aumento da demanda pudesse ser lento por um tempo, os participantes consideraram ser improvável que a economia global irá entrar em nova recessão, já que julgam que a recuperação continua e deve tomar fôlego no próximo ano.  

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No entanto, vários participantes da última reunião notaram que, caso o crescimento econômico permaneça baixo e não seja capaz de promover redução satisfatória da taxa de desemprego, será apropriado a adoção de novas medidas acomodativas em relação à política monetária, embora essa visão enfrente resistência de parte dos membros, que acredita que tal movimento só deverá ser necessário caso as perspectivas mostrem piora material. 

Cabe lembrar que, na reunião do mês anterior, a autoridade monetária dos Estados Unidos optou por manter pela 17ª vez consecutiva a taxa básica de juro norte-americana em seu menor patamar histórico, entre 0% e 0,25% ao ano.