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SÃO PAULO – Ainda digerindo o impacto da nova WACC (custo médio ponderado do capital) regulatório, anunciada pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) no início de setembro, a equipe da análise da Itaú Corretora divulgou relatório no qual tenta descobrir quais companhias do setor terão mais, e quais terão menos, a perder com a mudança.
“O desafio do mercado é quantificar o risco de redução nos resultados para as companhias de distribuição listadas e para as companhias integradas”, disparam Marcos Severine, Mariana Coelho e Marcel Shiomi. Para dar sua contribuição à questão, o trio de analistas usou os relatórios contábeis de 2009 e aplicou sobre eles o Wacc regulatório de 7,15%. “Destacamos que os resultados da avaliação que se segue refletem aquele que acreditamos ser o cenário do pior caso”, pontuam.
Mais afetadas
Encerradas as simulações, Coelce (COCE5), Eletropaulo (ELPL6) e Equatorial Energia (EQTL3) aparecem liderando o ranking de companhias mais afetadas, com reduções em seus resultados líquidos de 59%, 40% e 32%, respectivamente. As duas primeiras, lembra a equipe da corretora, ainda sofrem com a perspectiva de uma terceira revisão tarifária já programada para o próximo ano.
Vale destacar também que a Eletropaulo e Coelce sofreram reduções de 5,2 e 4,8 pontos percentuais em seus dividend yield após o impacto da nova taxa. “Reiteramos nossa classificação de underperform – expectativa de desempenho abaixo da média do mercado – para essas três companhias”, apontam os analistas.
Geração
No sentido contrário, as empresas puramente de geração de energia deverão se beneficiar da mudança regulatória, destaca o trio de analistas, citando a perspectiva de realocação de portfólio.
Assim, geradoras puras como AES Tietê (GETI4), Tractebel (TBLE3) e MPX (MPXE3), bem como companhias integradas com pouca exposição ao segmento de distribuição, tais como a Eletrobras (ELET3), Cemig (CMIG4), a menos afetada pela mudança, e até mesmo a Copel (CPLE6) e a EDP (ENBR3), podem sair ganhando após a mudança.
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Dentro deste hall de possibilidades, os analistas destacam a AES Tietê, que deverá atrair um maior número de investidores por conta de sua política de distribuição de 100% de seus lucros na forma de dividendos.
Destaque também para a Copel, a top pick da corretora no setor elétrico. “Esperamos que muito valor seja desbloqueado na Cooel após a recente eleição de Beto Richa como governador do estado do Paraná”, explica o trio de analistas.
Por fim, a equipe pede atenção para a Light (LIGT3), que também figura entre as companhias menos afetadas pela mudança. “Apesar de mantermos nossa classificação de market perform – expectativa de desempenho na média do mercado -, pode ocorrer algum rali de curto prazo na ação, na eventualidade de que a discussão sobre os direitos de tag-along seja levantada após a aquisição, pela Cemig, da participação indireta de 9,77% da Enlighted na Light”, esclarece a equipe da Itaú Corretora.