Resumo Semanal

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Em meio a referências internas e externas, o Ibovespa encerrou a semana em alta de 1,44%, marcando sua sétima variação semanal positiva. O principal índice da bolsa paulista fechou o período aos 71.830 pontos, seu maior patamar desde 2 de junho de 2008. Cabe mencionar que a semana foi um dia mais curta por conta do feriado de Nossa Senhora Aperecida na última terça-feira (12).

Por aqui, com ampla vantagem em relação às ações que compõem o Ibovespa, os papéis da Eletrobras lideraram os ganhos semanais do índice. As ações ordinárias da companhia avançaram 13,56%, fechando a semana cotadas a R$ 26,05. Por sua vez, os papéis preferenciais classe B registraram valorização de 13,02%, cotados a R$ 30,72.

Os ativos acompanharam a aprovação do processo de capitalização da estatal, em 28 de setembro. A operação visa transformar a dívida entre o governo e a empresa em ações. Desta forma, o movimento deve fazer o custo da dívida cair e, consequentemente, incrementar o retorno da companhia.

Para o analista Luiz Roberto Monteiro, da Souza Barros, a alta dos papéis reflete também o anúncio de busca de parceria da estatal chinesa State Grid com a Eletrobras para participar de leilões de geração de eletricidade no Brasil. A Aneel informou a InfoMoney que essa proposta ainda está em estudo e não tem prazo para ser aprovada, tendo ainda que passar por deliberações da diretoria e por audiência pública.

Em sentido oposto, sentindo a repercussão da prévia de seu resultado trimestral, as ações Embraer fecharam esta semana como principal baixa dentre os papéis que compõem o Ibovespa, acumulando queda de 5,08% e encerrando o pregão desta sexta-feira (15) cotadas a R$ 11,20.

Outros destaques corporativos
Entre os papéis mais líquido do Ibovespa, o desempenho não foi unânime. As ações preferenciais da Petrobras registraram alta semanal de 1,12%, cotadas a R$ 26,29 cada, enquanto que os ativos ordinários da estatal caíram 1,24% no período, valendo R$ 28,64 cada. No mesmo sentido, as ações ON da Vale somaram valorização de 1,14%, a R$ 53,35 cada, ao passo que os papéis PNA subiram 2,19%, para R$ 47,78 cada.

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A Vale, por sua vez, se manteve em foco na semana após ter lançado oficialmente o projeto de cobre Konkola North, no Cinturão do Cobre, Zâmbia, por meio de sua joint venture com a African Rainbow. Além disso, a empresa anunciou na quinta-feira a distribuição de R$ 2,896 bilhões em juros sobre capital próprio aos acionistas, equivalente a R$ 0,555154105 por ação ordinária ou preferencial. Somando-se este valor à parcela paga no primeiro semestre, chega-se ao montante de R$ 5,094 bilhões em remuneração ao acionista, número 10,1% superior ao pagamento de 2009, marcando um novo recorde histórico da empresa.

Outra ação que tomou o noticiário corporativo do período foi a TAM. Os analistas do Citigroup elogiaram as estatísticas de tráfego divulgadas pela companhia aérea, uma vez que o crescimento nos resultados se mostra forte. A empresa listou um aumento de demanda de 24,8% no mercado doméstico, com uma expansão de capacidade de 16,5%. Já no mercado internacional, a taxa de ocupação alcançou 84,2%, com alta de 8,1 ponto percentual devido à combinação do aumento de 23% na demanda com a elevação de 11,2% na oferta.

Também em destaque, os ativos da CCR caíram 0,88% na semana (sendo mais de 8% somente na quinta-feira), refletindo a notícia de que a Brisa Auto Estradas de Portugal vendeu na última quinta 15,1 milhões de ações da companhia. A companhia sediada em Portugal já havia manifestado o interesse em se retirar do capital social da companhia no dia 22 de junho, de modo a reduzir sua dívida líquida e liberar recursos para permitir o crescimento da companhia portuguesa.

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Agenda
Como de costume, a semana começou com a divulgação do relatório Focus, que marcou novo aumento das expectativas para a inflação tanto em 2010 quanto em 2011. Mesmo assim, o mercado não revisou suas projeções para a Selic. Já em relação ao PIB, após 5 altas consecutivas, os economistas ouvidos pelo Banco Central desta vez mantiveram a expectativa de crescimento em 7,55% para este ano. Outro indicador de peso logo no início da semana foi a balança comercial, que registrou um saldo positivo de US$ 1,342 bilhão na segunda semana de outubro.

No campo inflacionário, destaque para a alta nos preços de 0,75% registrada pelo IGP-M na primeira prévia de outubro. Ainda por aqui, as vendas do comércio varejista registraram crescimento no oitavo mês do ano, de acordo com a Pesquisa Mensal do Comércio, divulgada pelo IBGE.

Referências externas
No front internacional, a divulgação de importantes indicadores econômicos nos Estados Unidos mexeu com o ânimo dos investidores ao longo da semana. O principal destaque na agenda norte-americana foi a ata do Fomc (Federal Open Market Committee). Nela, o Federal Reserve declarou que estará pronto “em breve” para anunciar novos estímulos, como a compra de títulos do Tesouro. O banco central do país também discute meios de impulsionar a expectativa de inflação por lá.

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Outro dado de peso na agenda dos EUA ficou por conta do orçamento do governo norte-americano, que registrou déficit de US$ 34,493 bilhões em setembro, acima das projeções. No ano fiscal terminado em setembro, o déficit acumulado foi de US$ 1,294 trilhão – segundo maior déficit da história dos Estados Unidos, considerando-se o período pós 2ª Guerra Mundial, atrás apenas de 2009.

A agenda do país trouxe ainda mais surpresas ao longo da semana. Entre os indicadores que mostraram números melhores que o esperado, destaque para o volume das vendas ao mercado varejista durante setembro, a atividade industrial na região de Nova York em outubro e os estoques das empresas norte-americanas em agosto.

No sentido oposto, alguns indicadores revelaram dados aquém do previsto. É o caso da confiança do consumidor norte-americano medida pela Universidade de Michigan em outubro, assim como o número de pedidos de auxílio-desemprego reportados nos EUA na última semana e a balança comercial dos EUA em agosto.

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Dos Estados Unidos ao Velho Continente, destaque ao avanço no nível dos preços na Zona do Euro em setembro e à balança comercial na Europa em agosto, que apresentou um déficit de € 4,3 bilhões.

Discursos
Além da movimentada agenda de indicadores, a semana também foi marcada por discursos. Entre eles, destaque para a fala do ministro da Fazenda, Guido Mantega, sinalizando que o governo deve intervir mais uma vez no mercado para conter o ritmo de valorização do real. Segundo Mantega, existe a possibilidade de limitar o nível de exposição ao risco das empresas, além da alavancagem no mercado futuro, principal preocupação apontada pelo ministro.

Lá fora, quem falou foi o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, nos Estados Unidos. O chefe da autoridade monetária norte-americana sinalizou que o Fed poderá tomar em breve novas medidas de estimulo à economia dos EUA, ressaltando a boa resposta à primeira rodada de compra de ativos nos Estados Unidos e no Reino Unido. A próxima reunião da instituição está marcada para os dias 2 e 3 de novembro.

De volta à cena interna, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, e o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, também discursaram na semana. Em palestra no Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças, Coutinho afirmou que o governo precisa aplicar novas medidas para minimizar a desvalorização do dólar. Já Augustin confirmou o interesse do governo em emitir títulos em reais ainda este ano, como também ressaltou que não foram iniciadas a compra de dólares pelo Fundo Soberano.

Câmbio e Renda Fixa
A moeda norte-americana fechou cotada na venda a R$ 1,664, acumulando na semana depreciação de 0,18%.

No mercado de renda fixa, o contrato com vencimento em janeiro de 2012, que apresentou maior liquidez, encerrou apontando taxa de 11,22%, queda de 0,20 ponto percentual em relação a semana anterior.

No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 140,40% de seu valor de face, alta de 0,46% na semana. Por outro lado, o risco-país fechou cotado a 168 pontos-base, queda de 29 pontos na variação semanal.