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SÃO PAULO – Presidente da instituição que reúne investidores que respondem por R$ 500 bilhões em investimentos na Bolsa, a Amec (Associação de Investidores no Mercado de Capitais), Mauro Rodrigues da Cunha hoje é o único representante independente a ocupar uma cadeira no conselho de administração da Petrobras (PETR3; PETR4) e vai buscar reeleição na próxima reunião do conselho da estatal, marcada para 2 de abril, às 15h (horário de Brasília).
O conselheiro, que prefere evitar o rótulo de “representante de minoritários”, deixou claro, em entrevista exclusiva ao InfoMoney, que busca por uma maior independência no conselho da estatal. Em sua última atuação, ele entrou uma reclamação na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) contra a estatal para exigir que tornasse pública a decisão de não aprovar as demonstrações financeiras da empresa. O resultado prático foi visto na semana passada, quando a petroleira revelou o voto descontente do conselheiro.
Cunha comentou que apenas solicitou a divulgação de votos das demonstrações por considerar relevante aos acionistas. “O que buscamos é uma maior independência do conselho e, por isso, pedimos por uma eleição participativa. Meu objetivo foi e será a geração de valor para os acionistas da empresa”, disse. Os acionistas que quiserem votar e não puderem participar da reunião podem solicitar um pedido público de procuração, que deverá ser enviado entre os dias 19 de março e 1° de abril de 2014.
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“Apoio de peso”
Cunha já tem apoio de um grupo de fundos de investimentos estrangeiros e brasileiros, que já formalizaram o pedido da sua candidatura na última sexta-feira, 14. Além de Cunha, representado pelos acionistas ordinaristas da empresa, o grupo, que tem entre os membros a gestora britânica Aberdeen, busca uma nova vaga no conselho para acionistas preferencialistas. O nome indicado para o cargo é José Guimarães Monforte, ex-presidente do IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa).
Segundo Cunha, esse grupo de investidores já está engajado com a Petrobras desde 2011 – sua vitória na eleição de 2013 teve respaldo do mesmo grupo. “Obtivemos sucesso ano passado e vamos buscar novamente”. A diferença agora, comenta, é o nome de uma nova vaga para os preferencialistas.
Além desse grupo, o Bradesco (BBDC4) submeteu o nome de Cunha, representado pelos acionistas ordinaristas, e o nome de Jorge Gerdau, pelos preferencialistas.
A candidatura de Cunha ocorre na esteira de críticas nos conselhos da empresa quanto aos rumos da atual administração. Ele foi o único conselheiro a votar contra as demonstrações financeiras da Petrobras em 2013. Segundo comunicado da petrolífera de 17 de março, Cunha afirmou que “a falta de envio tempestivo das demonstrações para análise dos conselheiros”. Ele também discordou da política de hedge accounting da empresa e apontou para a “insuficiência de informações e aparente inadequação da contabilização dos investimentos em refinarias”.