Petrobras recebe título de menos rentável do setor e é alvo de presidente da Bolsa e TCU

Credit Suisse aponta que perda na área de refino, distribuição e revenda tem rentabilidade negativa e destrói valor da empresa; presidente da BM&FBovespa diz que petroleira afastou pequeno investidor da Bolsa e TCU critica manobras

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SÃO PAULO – A volta do fim de semana não será fácil para a Petrobras (PETR3;PETR4). Em meio a tantos problemas vividos atualmente pela companhia, ela agora foi alvo de críticas por autoridades de mercado e foi apontada como a petroleira menos rentável do mundo, de acordo com levantamento do Credit Suisse.

Conforme aponta estudo repercutido pelo jornal O Estado de S. Paulo e realizado pelo banco Credit Suisse, a petroleira brasileira é a mais rentável entre as grandes petroleiras no segmento mais crucial, de encontrar, desenvolver e produzir petróleo, com campos fartos que diluem os custos, algo que vem assombrando as petroleiras pelo mundo. Contudo, ela ainda é a de pior rentabilidade entre as maiores petroleiras mundiais.

E a principal razão para isso é a perda na área de refino, distribuição e revenda, tendo como um dos principais motivos o controle de preço de combustíveis feito pelo governo para evitar impacto na inflação. Esta perda tão grande, ressaltam os analistas Vinicius Canheu e André Sobreira, é “destruidora do valor da empresa”.

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Para eles, a defasagem de preços é o maior dos problemas e, caso não houvesse a disparidade entre os preços de combustíveis importados pela petroleira e os praticados internamente, a estatal teria mais US$ 10,2 bilhões em seu resultado anual. 

A Petrobras é a mais rentável em exploração e produção, com retorno sobre o capital bruto investido de 18%, ante média de 12% do setor, mas é a única do mundo com resultado negativo em refino, distribuição e revenda, com 9% negativos ante média de 3% positivos do setor. A companhia também é a que mais investe, cerca de US$ 44 bilhões por ano, ante média de US$ 19 bilhões do setor, sendo não somente a mais alavancada, mas a que vem se alavancando mais rapidamente, apontam os analistas. A alavancagem da companhia é de 3,5 vezes a dívida líquida sobre o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações), acima do limite da própria empresa, de 2,5 vezes. 

TCU aponta manobras da Petrobras
Já o TCU (Tribunal de Contas da União) apontou manobras jurídicas, atraso de informações e sonegação da Petrobras para travar a ação do tribunal, de acordo com reportagem do jornal Folha de S. Paulo. 

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O procurador do TCU, Marinus Marsico, que foi responsável por analisar a compra da refinaria de Pasadena – alvo de polêmica por ter comprada por um valor muito mais alto do que valia – afirmou ao jornal que a petroleira deixou de encaminhar vários documentos solicitados. Além disso, ainda houve falta de cooperação e fiscalização das obras na refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco. 

A demora em entregar os pedidos também era algo comum na companhia. Contudo, a reportagem destaca que a atual presidente da Petrobras, Graça Foster, tem tido maior cooperação com os órgãos de controle do que as gestões anteriores. 

Presidente da bolsa fala da estatal
Em entrevista também à Folha, o presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto, apontou que a grande perda de valor das ações da Petrobras é um dos motivos para que o pequeno investidor tenha se afastado da Bolsa brasileira.

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Os papéis da petroleira teriam assustado os aplicadores, uma vez que é um dos investimentos preferidos das pessoas físicas. “O que aconteceu com a Petro desde 2010 até hoje foi desanimador. Um quadro realmente que… Infelizmente, para o pequeno investidor, aquele que tem R$ 100 mil, R$ 200 mil, R$ 300 mil, R$ 400 mil investidos e vê esse patrimônio cair 50%, 60%, ele fica não só completamente desanimado como frustrado com o mercado de ações”, destacou. O outro motivo para a queda seria a economia brasileira. 

Contudo, ele acredita que, a partir de 2018, não só a Petrobras como “as outras coisas” se destravarão, uma vez que o Brasil chegou “num fundo do poço em relação à confiança e credibilidade”, ressaltou. 

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Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.