Elétricas sofrem “apagão” e levam junto siderúrgicas; 11 ações caem mais de 4%

Apenas 9 ações das 72 do índice conseguiram fechar o dia no positivo, com destaque para a Hypermarcas e a Telefônica Brasil, com altas de mais de 1%

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SÃO PAULO – Após “respirar” na véspera, o Ibovespa voltou cair nesta sexta-feira (7), encerrando o dia com fortes perdas de 1,80%, aos 46.244 pontos. Entre os setores que pressionaram o índice, destaque para as companhias elétricas e siderúrgicas, além da Vale (VALE3; VALE5). Nesta sessão foram apenas 9 das 72 ações do índice fechando em alta, enquanto 11 papéis caíram mais de 4%.

Entre os fatores que pressionam as siderúrgicas e a Vale está a notícia de que os contratos futuros do aço e do minério de ferro na China caíram a mínimas históricas, levando o mercado físico de minério a fechar a segunda semana consecutiva em queda, refletindo preocupações de que a demanda no maior consumidor mundial das duas commodities não deve acelerar uma vez que o governo planeja uma expansão econômica com menores investimentos.

O cenário de piora do quadro chinês contribuiu para o aumento do pessimismo dos investidores com relação às siderúrgicas e às mineradoras brasileiras, uma vez que tais companhias têm a China como principal destino de sua produção. Entre os destaques negativos, CSN (CSNA3, -5,08%, R$ 9,15), Usiminas (USIM5, -5,61%, R$ 9,09) e Gerdau (GGBR4, -3,46%, R$ 13,94) tiveram fortes quedas, enquanto as ações ordinárias da Vale recuaram 3,78%, para R$ 30,55, e os papéis preferenciais caíram 3,63%, a R$ 27,09. A Bradespar (BRAP4, -4,69%, R$ 19,29), holding que detém forte participação na Vale, também caiu forte.

Além disso, ajudou a pressionar o mercado um relatório do Bank of America Merrill Lynch, que reduziu exposição às ações da Vale, enquanto recomendou exposição zero a ações de siderúrgicas. É importante mencionar também que o aumento do risco de racionamento de energia no Brasil já é sentido pelo setor industrial, um dos mais expostos a esse cenário. 

Elétricas apagam no Ibovespa
Nesse sentido, as elétricas também chamaram atenção neste pregão em meio às dúvidas dos investidores sobre um possível apagão no País. Os papéis da Light (LIGT3, -5,93%, R$ 15,87), Cemig (CMIG4, -3,19%, R$ 13,07), Cesp (CESP6, -5,18%, R$ 21,23), Copel (CPLE6, -4,27%, R$ 24,89), CPFL (CPFE3, -3,43%, R$ 16,33), Eletrobras (ELET3, -4,69%, R$ 4,67; ELET6, -4,14%, R$ 8,57) e Eletropaulo (ELPL4, -3,26%, R$ 7,72) apareceram entre as maiores quedas do dia.

Segundo a XP Investimentos, obviamente, vem crescendo o risco de racionamento de energia. Nesta sexta-feira, o nível de armazenamento no Sistema Cantareira, operado pela Sabesp, voltou a cair. Ontem, quinta-feira, o volume estava em 16%, que já era o patamar mais baixo da história, e hoje está em 15,8%.

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No caso da Cemig e Eletropaulo, as empresas também foram afetadas principalmente por notícia publicada nesta manhã pelo Valor. Segundo reportagem, a estiagem fez a conta das térmicas dobrar em fevereiro, gerando uma conta de aproximadamente R$ 3,5 bilhões às distribuidoras de energia. A situação mais dramática seria da Eletropaulo, mas a segmento inteiro seria penalizado pois necessita dos recursos do governo para sustentar seu fluxo de caixa e ainda não se sabe exatamente de quanto seria esse repasse.

Gol cai mais de 2% pelo 4º pregão seguido
Ainda na ponta negativa, voltou a chamar atenção as ações da Gol (GOLL4), que atingiram o quarto pregão consecutivo de desvalorização de mais de 2%. Nesta sessão, os papéis registraram queda de 3,04%, cotados a R$ 10,20. Vale destacar que a companhia tem custos maiores de combustível em um cenário de alta do preço do petróleo, já que aproximadamente 30% de seus gastos são de combustíveis. Nos últimos dias o barril de petróleo voltou a ser cotado acima de US$ 100, chegando a bater os US$ 111 nesta semana.

Outros destaques:

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ALL
Já as ações da ALL (ALLL3), que lideravam os ganhos do Ibovespa, viraram para queda juntamente com o movimento negativo do mercado. Com isso, os papéis da companhia fecharam com queda de 0,28%, a R$ 7,09, depois de terem subido cerca de 5% na máxima do dia. Apesar da queda, a coluna Radar, da Veja, informou nesta tarde que a fusão entre a ALL e Rumo está prevista para ser anunciada oficialmente na semana que vem. Assim, segundo o analista João Pedro Brugger, da Leme Investimentos, a ação da ALL deve oscilar bastante até a consolidação da fusão e, nos moldes que estão especulando, a ação pode subir até mais. “A virada para queda da ação nesta tarde foi movimento de mercado e não notícia específica sobre a empresa”, disse.

Sabesp
Já as ações da Sabesp (SBSP3) recuaram 2,60% nesta sessão, a R$ 20,94. No acumulado do ano, atingem queda de 20,86%. Os papéis da companhia vem sendo penalizados pela falta de chuva na região metropolitana de São Paulo, que tem elevado o risco de racionamento de energia. Nesta sexta, o nível de armazenamento no Sistema Cantareira, operado pela Sabesp, voltou a cair, e já está em 15,8%, segundo informações disponíveis no site da empresa. A equipe de análise da XP Investimentos disse que, obviamente, o risco de racionamento vem se elevando e no segmento de distribuição de água, ela é a mais afetada. “Pressão no papel deve permanecer”, disseram os analistas.

Positivo
Após suas ações fecharem o último pregão no seu menor patamar da história (R$ 2,20), a Positivo (POSI3) viu seus papéis dispararem 8,64%, atingindo os R$ 2,39, após fato relevante trazendo novidades sobre seu plano de reestruturação societária e de recompra de ações. Desde novembro, a empresa estava em processo de estudos para se reestruturar, porém não trouxe muitos detalhes sobre o assunto. Ontem após o pregão, ela emitiu um comunicado ao mercado esclarecendo que a “reestruturação contempla a redistribuição de ativos entre a controladora e suas subsidiárias, nas quais a Positivo Informática detém direta ou indiretamente a totalidade do capital”. Ela espera que estas iniciativas gerem benefícios como melhor gestão de desempenho das operações e maior facilidade para captar financiamento de capital de giro.

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TIM
As ações da TIM (TIMP3) subiram 0,87%, a R$ 11,62, nesta sessão. O presidente-executivo da Telecom Italia, Marco Patuano, disse nesta sexta-feira que não há conversas ocorrendo sobre qualquer possível aliança envolvendo a TIM, incluindo com a operadora de banda larga GVT. Patuano, porém, comentou que uma possível fusão da TIM com a GVT, controlada pela francesa Vivendi, juntaria dois bons ativos e criaria sinergias.

Marfrig
Também na ponta positiva, destaque para a Marfrig (MRFG3), que fechou o dia com alta de 0,51%, cotada a R$ 3,98. Após um começo de ano bastante negativo, com os papéis se aproximando das mínimas históricas, a companhia começa a se recuperar e, atualmente, acumula perdas de 0,50% em 2014. Em entrevista para o InfoMoney, Sergio Rial, CEO (Chief Executive Officer) da Marfrig, afirmou que a partir do resultado do último trimestre (que será divulgado dia 9), a companhia deve mostrar uma melhoria não só operacional como também do seu endividamento.

BM&FBovespa
Já a BM&FBovespa (BVMF3), fechou esta sessão com alta de 0,69%, a R$ 10,27. Sem nenhuma notícia que justifique sua alta em um dia negativo, é importante destacar que neste final de semana tem início nos EUA o horário de verão, que irá reduzir o “delay” de abertura entre as bolsas por lá e por aqui para apenas 30 minutos, o que pode ajudar a reduzir a volatilidade do mercado, principalmente nos instantes iniciais, enquanto os negócios em Nova York não têm início.

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Outras altas
Entre as outras ações que conseguiram de manter no positivo nesta sessão, destaque para ativos de maior resiliência, que possuem um caráter mais defensivo por terem uma receita inelástica e, portanto, menos propensa a ser afetada pelas oscilações de humor do mercado. Neste cenário, chamaram atenção os papéis da Hypermarcas (HYPE3, +2,96%, R$ 14,95), Telefônica Brasil (VIVT4, +1,38%, R$ 44,80). Memo em queda, Natura (NATU3, -0,14%, R$ 35,65) e Pão de Açúcar (PCAR4, -0,04%, R$ 97,75), também conseguiram evitar maiores perdas neste pregão.


Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.