Volta dos resultados, IPCA e China guiarão mercado na próxima semana

Discursos de líderes do Fed, fim do horário de verão nos EUA, Ucrânia e "apagão" no Brasil também estarão no radar dos investidores, após Bovespa amargar mais uma semana no negativo

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SÃO PAULO – Mesmo em uma semana mais curta devido ao carnaval, não faltaram referências para o investidor nos últimos três pregões: a possibilidade de um confronto armado na Ucrânia, as diferentes interpretações sobre o rumo da Selic nas próximas reuniões do Copom e uma nova rodada de indicadores positivos nos EUA e negativos na China guiaram o mercado. Como se não bastasse, os temores de um “apagão” no País voltaram a assombrar os mercados, derrubando as ações dos setores elétrico e siderúrgico na sexta-feira (8), colaborando para que o Ibovespa tivesse mais uma semana no negativo – além de ter fechado bem próximo da sua mínima de 2014.

Para a próxima semana, além dos reflexos da crise na Ucrânia e do desenrolar das conversas sobre racionamento, ganha destaque a retomada da temporada de resultados trimestrais brasileiros, que deram uma pausa nesta semana de carnaval. Na agenda econômica, destaque ainda para a Pesquisa Mensal da Indústria na terça-feira (11), onde serão apresentados detalhes sobre o setor e ainda pode trazer sinalizações dos efeitos do problema energético que o País vem enfrentando e que pode pesar para as indústrias. Já na quarta-feira (12), o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulga o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo)

O mercado deve ficar bastante atento ao resultado do indicador oficial de inflação do Brasil, já que nesta semana o BC indicou que pode encerrar o ciclo de alta da Selic, que atingiu o patamar de 10,75% ao ano exatamente como forma de conter a inflação, que tem se mostrado bastante resistente em recuar.

Para a equipe da Rosenberg Associados,este será o principal indicador da semana, e deve trazer alguns reflexos para a Bolsa. Segundo eles a inflação deve mostrar aceleração de 0,63%, maior que a registrada em janeiro, quando ficou em 0,55%, puxada principalmente pelo setor de educação. Se confirmada esta projeção, a variação acumulada em doze meses passará de 5,59% para 5,62%.

Mais indicadores agitarão a semana econômica brasileira: dados de vendas do varejo do mês de janeiro e o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central), considerado uma prévia do PIB (Produto Interno Bruto) também estão em pauta. Para o analista da Gradual Investimentos, André Perfeito, este não será o principal indicador da semana, mas deve chamar atenção ao registrar alta de 0,50%, enquanto em janeiro o IBC-Br ficou em -1,35%.

Na última semana, o PIB nacional surpreendeu positivamente o mercado ao registrar avanço de 2,3% em 2013. Apesar de não ter grandes expectativas sobre este indicador, analistas destacam que é preciso sempre ficar atento ao desempenho da economia e se ela irá se manter no ritmo apresentado neste último resultado.

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Por fim, é importante destacar os reflexos do mercado diante da possibilidade de um apagão, fato que teve forte impacto na Bolsa nos últimos dias, já que não são apenas as companhias elétricas as impactadas por esses riscos. O setor siderúrgico é apontado como um dos mais prejudicados neste cenário, já que a falta de energia poderia impactar a produção dessas empresas. Neste momento, qualquer notícia sobre a possibilidade de racionamento ou apagão tem impactado estas ações.

Temporada de resultados
Em relação aos balanços corporativos, a semana começa no domingo, quando a Marfrig (MRFG3) apresenta seus números do quarto trimestre de 2013. Ainda dentro do setor de frigoríficos, a Minerva (BEEF3) também divulga seu resultado nesta semana, no dia 11.

Estão programados até o momento mais de 20 resultados para o período entre 9 e 14 de março. Entre os destaques estão a B2W (BTOW3), CCR (CCRO3), BR Malls (BRML3), Fleury (FLRY3) e Suzano (SUZB5). Vale ainda destacar o balanço da MRV Engenharia (MRVE3), que após Gafisa (GFSA3) e PDG Realty (PDGR3), agita a temporada para as companhias imobiliárias.

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China e EUA também estão no radar
Apesar do Brasil roubar as atenções, o cenário internacional também tem alguns destaques. Ainda sem data definida, a China apresenta sua balança comercial mensal, com os dados de importação e exportação. É importante ficar atento ao resultado principalmente porque os negócios internacionais do gigante asiático têm bastante impacto em companhias brasileiras de commodities, principalmente as siderúrgicas e a Vale (VALE3; VALE5), que possuem grande participação no Ibovespa e podem afetar o desempenho do índice.

Já nos EUA, vale destacar os discursos de líderes do Federal Reserve, pelos quais o mercado tenta antecipar algum movimento, principalmente em relação à retirada de estímulos da economia, ou até mesmo sobre um possível aumento dos juros, mesmo com o governo afirmando que isso não deve ocorrer neste momento.

Para a equipe da Coinvalores, os dados ligeiramente positivos envolvendo o mercado de trabalho americano, divulgados na última semana, devem ser um contraponto ao posicionamento de Janet Yellen a respeito dos efeitos do rigoroso inverno sobre a economia que atinge o continente norte americano.  “Desta forma, os discursos do Fed podem representar sinalizações mais claras sobre o posicionamento da instituição, devendo ser um importante balizador do Ibovespa na próxima semana”, afirmam em relatório.

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Ainda por lá, importante chamar atenção para o início do horário de verão, que irá reduzir a diferença entre as aberturas das bolsas no Brasil e nos EUA para apenas 30 minutos. Com essa mudança, a BM&FBovespa pode ser beneficiada por uma volatilidade menor nas primeiras horas de negociação.


Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.