Com recuperação da Petro, Ibovespa reduz perdas e fecha em baixa de 0,24%

Resultados trazem referências negativas tanto lá fora quanto por aqui; Bradesco lidera perdas do índice após balanço do 3T10

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SÃO PAULO – Em uma sessão instável marcada pelas indefinições do programa Quantitative Easing 2 nos Estados Unidos, o Ibovespa encerrou esta quarta-feira (27) em baixa de 0,24%, a 70.568 pontos. O volume financeiro do dia alcançou os R$ 7,13 bilhões.

Apesar desta queda, o índice chegou a operar no campo positivo no meio da tarde, influenciado pela reversão de tendência dos papéis da Petrobras. A máxima do dia foi de 70.844 pontos, o que configurava um avanço de 0,15% em relação ao fechamento da véspera.

Os mercados repercutiram nesta data o rumor de que o Federal Reserve não atuará como imagina-se para estimular a economia norte-americana. Segundo o Wall Street Journal, o Fed não deverá ultrapassar a casa dos bilhões na compra de Treasuries, enquanto o mercado estipula US$ 1 trilhão ou mais. Também pesaram as referências negativas dentro da temporada de resultados corporativos, tanto lá fora quanto aqui.

Destaques da bolsa
Liderando as perdas do Ibovespa neste dia, as ações do Bradesco repercutiram os resultados do terceiro trimestre. Entre julho e setembro, o banco reportou elevação de 40,3% no lucro líquido ajustado frente a 2009, para R$ 2,518 bilhões. Também em destaque foi a carteira de crédito, cujo crescimento frente ao mesmo período do ano passado foi de 18,6%, atingindo R$ 255,618 bilhões. Os números do Bradesco foram vistos como dentro do esperado por analistas. O Barclays disse em relatório que esperava um maior crescimento do crédito e menores custos.

Outra blue chip em destaque foi a Vale, que viu seus papéis caírem. Além da expectativa pelos seus números trimestrais, esperados para esta quarta-feira, a mineradora afirmou na última terça que a substituição de Roger Agnelli na presidência da companhia jamais foi tratada entre os acionistas nem fez parte da pauta do seu Conselho de Administração.

Há rumores de que caso a candidata do PT, Dilma Rousseff, seja eleita presidente do País no próximo domingo (31), Agnelli seria substituído no cargo – apesar de não ser estatal, a Vale tem em seu bloco de controle o BNDESpar e a Previ (Fundo de Pensão do Banco do Brasil), o que dá ao Governo, indiretamente, certa influência na mineradora. Além disso, a União também tem 12 golden shares da companhia, o que dá ao Governo poder de vetar determinadas decisões da empresa.

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 As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 BBDC4 Bradesco PN 35,25 -4,47 +18,55 372,36M
 CESP6 Cesp PNB 27,65 -3,15 +16,07 8,61M
 TCSL4 TIM Part PN 5,46 -3,02 +9,75 30,05M
 ECOD3 Brasil EcoDiesel ON 1,09 -2,68 0,00 33,35M
 NATU3 Natura ON 46,76 -2,58 +34,07 36,98M

Na ponta compradora do índice, destaque para as ações da Petrobras. Depois de iniciar o pregão desta quarta-feira em baixa, os papaéis inverteram o sinal repercutindo pela tarde o noticiário em torno da exploração das reservas do pré-sal. A estatal confirmou o início das operações do primeiro sistema definitivo de produção em Tupi, através do navio-plataforma Cidade de Angra dos Reis. O FPSO (unidade flutuante que produz, armazena e exporta óleo e gás) está conectado ao poço RJS-660, que será testado até a declaração de comercialidade da jazida, prevista para o final de dezembro.

Segundo a Petrobras, a perspectiva é que na mesma época a sua interligação a outros poços produtores também já esteja concluída, colocando a área de Tupi na fase de desenvolvimento da produção. Sobre a operação, José Miranda Formigli, gerente de exploração e produção para o pré-sal, afirmou que Tupi poderá produzir até 75 mil barris diários de petróleo no final do próximo ano. Segundo ele, com os testes na província de Guará e Tupi Nordeste, a produção total da Petrobras no pré-sal da bacia de Santos poderá atingir até 105 mil em 2011.

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A Petrobras também confirmou pela manhã a perfuração do primeiro poço em águas profundas da Bacia de Sergipe-Alagoas. Nesta porção, a Petrobras encontrou petróleo de semelhante qualidade do visto na Bacia de Campos, o que, segundo a estatal, “trata-se de uma nova fronteira exploratória”. Em entrevista nesta tarde, Mário Carminatti, gerente-executivo de Exploração e Produção da estatal, declarou que a reserva na bacia de Sergipe-Alagoas é dimensionada em “dezenas de milhões” de barris.

O setor imobiliário, representado pelas ações de Gafisa e Cyrela, dominou o topo do ranking das maiores altas do Ibovespa neste pregão. As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 GFSA3 Gafisa ON 13,94 +3,11 -0,26 49,17M
 CIEL3 Cielo ON 14,85 +2,84 +4,28 36,01M
 CYRE3 Cyrela Realty ON 23,39 +2,59 -2,34 61,63M
 CPFE3 CPFL Energia ON 40,78 +1,85 +24,39 12,70M
 ALLL3 ALL AMER LAT ON EG 15,65 +1,69 -48,88 36,85M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o Índice Bovespa, foram :

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 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 Petrobras PN 26,19 +1,32 1,48B 992,85M 45.280 
 VALE5 Vale PNA 48,72 -0,98 642,76M 808,10M 19.676 
 ITUB4 Itau Unibanco PN 41,54 -2,03 381,30M 229,53M 17.990 
 BBDC4 Bradesco PN 35,25 -4,47 372,36M 170,37M 18.660 
 VALE3 Vale ON 54,65 -1,00 253,94M 175,17M 6.867 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

Agenda
No front doméstico, a confiança do consumidor se manteve praticamente estável ao apresentar alta de 0,1% entre setembro e outubro deste ano, passando de 121,7 pontos para 121,8 pontos, de acordo com o ICC (Índice de Confiança do Consumidor), medido pela FGV (Fundação Getulio Vargas).

Ainda por aqui, o Banco Central informou que em outubro, até o dia 22, foram adquiridos US$ 6,630 bilhões no mercado cambial à vista. O fluxo cambial nos primeiros 15 dias úteis do mês ficou positivo em US$ 4,314 bilhões – com superávit comercial (US$ 409 milhões) e financeiro (US$ 3,904 bilhões).

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Já na cena externa, atenção aos dados econômicos norte-americanos divulgados nesta quarta. O número de pedidos e entregas de bens duráveis feitos à indústria dos EUA veio melhor que o esperado pelo mercado durante o mês de setembro. O indicador Durable Good Orders exibiu alta de 3,3% no referido mês, número melhor que o previsto por analistas, que estimavam avanço de 1,8%. Os dados de agosto foram revisados para uma queda de 1,0%.

No mesmo sentido, o número de casas novas vendidas nos EUA em setembro ficou acima do esperado pelo mercado. No mês, o New Home Sales marcou vendas anualizadas de 307 mil casas, número superior às expectativas do mercado (299 mil). Cabe lembrar que em agosto o resultado revelou vendas de 288 mil casas, de acordo com os dados revisados.

Por fim, os pedidos de hipotecas para compra e refinanciamento de imóveis subiram 3,2% na última semana, segundo a Mortgage Bankers Association. Esta foi a segunda vez em oito semanas que a atividade no setor imobiliário mostrou melhora, impulsionada por baixas taxas de juros.

Dólar
O dólar comercial encerrou esta quarta-feira em alta de 0,94%, cotado a R$ 1,722 na venda, com novas intervenções por parte do Banco Central e receios quanto ao programa de flexibilização quantitativa do Federal Reserve.

Por aqui, a autoridade monetária realizou mais uma vez dois leilões de compra de dólares nesta sessão. O primeiro, por volta de 11h40, contou com uma taxa de corte em R$ 1,7045. O segundo, entre 16h10, teve taxa aceita em R$ 1,7214.

Renda Fixa
O mercado de juros futuros encerrou em queda. O contrato de juros de maior liquidez, com vencimento em janeiro de 2012, fechou com taxa de 11,36%, baixa de 0,01 ponto percentual em relação ao fechamento anterior.

No mercado de títulos da dívida externa, o título brasileiro mais líquido, o Global 40, fechou em queda de 0,36% em 139,55% do valor de face.

O risco-País não registrou variação em relação ao fechamento anterior, permanecendo em 174 pontos-base.

Bolsas Internacionais
O índice Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas , fechou  em leve baixa de 0,39% e atingiu 11.126 pontos, seguindo esta tendência, o índice S&P 500 desvalorizou-se 0,27% a 1.182 pontos. Por outro lado, a Nasdaq Composite, que concentra as ações de tecnologia norte-americanas, fechou em leve alta de 0,24% atingindo 2.503 pontos.

Na Europa, o índice FTSE 100  da bolsa de Londres  registrou baixa de 1,07% e atingiu 5.646 pontos; no mesmo sentido, o índice CAC 40  da bolsa de Paris desvalorizou-se 0,96% chegando a 3.816 pontos e o DAX 30, da bolsa de Frankfurt, caiu 0,69% a 6.568 pontos.

Confira os eventos previstos para quinta-feira
No front doméstico, o principal destaque da agenda ficará por conta da ata do Copom (Comitê do Política Monetária do Banco Central). Além disso, os investidores também deverão repercutir o resultado do Tesouro Nacional em setembro.

Ainda na cena interna, o dia será marcado também por dados inflacionários. A FGV (Fundação Getulio Vargas) divulgará seu IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) referente ao período que compreende os dias 21 de setembro a 10 de outubro.

Lá fora, a agenda norte-americana volta a chamar atenção dos mercados. Será divulgado nos Estados Unidos o número de pedidos de auxílio-desemprego ao longo da última semana no país.