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SÃO PAULO – A questão cambial pautou a teleconferência da Usiminas (USIM3, USIM5) sobre os resultados do terceiro trimestre. E apesar do cuidado de Wilson Brumer, presidente da companhia, com seus comentários, foram muitas as críticas feitas pelo executivo.
Sempre enfatizando que não é a favor de medidas protecionistas e que defende a abertura da economia brasileira, Brumer, por outro lado, disse que a Usiminas se preocupa, enquanto participante do setor siderúrgico, com o risco de perda de várias cadeias produtivas que têm condições de acompanhar o crescimento do Brasil mas têm sido afetadas por problemas sistêmicos, dentre eles o nível do câmbio, a infraestrutura e a tributação no País.
“A abertura da economia brasileira é parte do processo de desenvolvimento econômico de qualquer país, desde que seja feita dentro de regras. O Brasil está se abrindo mas não tem todas as ferramentas para acompanhar [o processo]. Não somos contra importação, é parte do processo, mas é preciso que tenhamos regras comparáveis a outras economias do mundo”, se posicionou Brumer.
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Embora tenha enfatizado que sua posição se dava enquanto representante e atuante da indústria siderúrgica, o executivo disse que o enfraquecimento do dólar frente ao real afeta diversas outras indústrias. Como exemplo, o presidente da Usiminas citou o segmento metalúrgico, “que também tem que ser competitivo, senão não teremos clientes para vender nosso aço”.
Infraestrutura
Mas o câmbio não foi o único ponto sinalizado por Brumer em seus comentários sobre a perda de competitividade do setor. Para ele, alguns aspectos estruturais também devem ser revistos, como a ainda elevada taxa de juros cobrada principalmente das pequenas e médias empresas, as lacunas de investimento em infraestrutura e a tributação “não comparável a outras economias do mundo”, que afeta principalmente as indústrias mais capital-intensivas.
Brumer disse que estas questões são um ponto de reflexão para este e para o próximo governo. “Não temos mais muito tempo, 2011 deverá ser o ano em que as coisas aconteçam”.
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Importações
De acordo com o presidente da Usiminas, as importações de aço no Brasil somavam até setembro algo em torno de 4 milhões de toneladas, e mantido o ritmo visto até agora, as compras do produto dos mercados internacionais devem chegar a 5 milhões de toneladas em 2010.
Ainda dentro das projeções de Brumer, se somado a estes números os produtos que contêm aço, as importações podem bater neste ano a casa de 9 milhões de toneladas, o que se compara à capacidade produtiva das duas plantas da empresa (Tubarão e Ipatinga).
Citando o excesso de capacidade global na produção do aço, o presidente da Usiminas disse esperar já a partir do quarto trimestre um processo de desestocagem. Os estoques de aço devem iniciar 2011 ainda em altos níveis, mas já reduzidos frente ao que foi visto no 3T10.
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Com o que Brumer chamou de “ações de defesa comercial” e “adequação da competitividade”, a taxa de penetração dos importados deve cair dos 22% atuais para patamares inferiores a 15% em 2011, abrindo espaço, assim, para um maior crescimento das vendas no próximo ano.