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SÃO PAULO – O setor de consumo e varejo voltou a ser apontado como o favorito dos analistas nas carteiras do mês de setembro. Porém, as recomendações para este mês somaram um número menor do que o recorde de 54 obtidas em junho, ficando em 45 – inferior também às 49 auferidas no mês passado.
O segundo lugar, o setor financeiro, aparece logo atrás, com 36 recomendações – duas a mais que em agosto. Já o setor de energia e saneamento ficou em terceiro lugar, com 27 (queda de quatro votos). As três primeiras posições no ranking de setores mais recomendados elaborado pela InfoMoney foram mantidas em setembro em relação a agosto.
As 27 carteiras consideradas este mês, que incluíram bancos e corretoras, foram: BB Investimentos, Souza Barros, Citi Corretora, Brascan, Link Investimentos, XP Investimentos, Socopa, Planner, Omar Camargo, Ágora (2 carteiras), Amaril Franklin, Win, Geração Futuro, Spinelli, Banif, PAX, Itaú Corretora, TOV, SLW (3 carteiras), Coinvalores, Fator, Senso (2 carteiras) e BTG Pactual.
Setores de consumo e financeiro
O setor de consumo completou em setembro dez meses na liderança das carteiras recomendadas, impulsionado pelas perspectivas otimistas para a economia brasileira, que também alimentam as análises favoráveis às companhias do setor financeiro, com maior demanda por crédito e queda na inadimplência.
O resultado melhor do que o esperado do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro no segundo trimestre de 2010 parece ter animado os economistas, pois as projeções do mercado para o desempenho da economia doméstica voltaram a aumentar nesta semana.
De acordo com a última versão do relatório Focus divulgado pelo Banco Central, a mediana das estimativas agora aponta expansão de 7,34% na economia brasileira, frente ao resultado da semana anterior, de 7,09%. Em meio a este cenário, o INC (Índice Nacional de Confiança do Consumidor) avançou 11 pontos em agosto e bateu recorde, ao atingir 155 pontos. O último recorde foi registrado em maio deste ano, quando o índice chegou a 150 pontos.
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Na relação entre agosto e o mesmo mês de 2009, quando o INC estava em 128 pontos, houve alta de 27 pontos. O estudo, feito pela Ipsos Public Affairs, indica otimismo quando está acima de 100 pontos e pessimismo quando se encontra abaixo dessa pontuação.
| Setores | Recomendações |
|---|---|
| Consumo e Varejo | 45 |
| Financeiro | 36 |
| Energia e Saneamento | 27 |
| Imobiliário e Construção | 23 |
| Petróleo e Gás | 23 |
| Transporte | 22 |
| Mineração | 21 |
| Industrial | 19 |
| Siderúrgico | 17 |
| Telecomunicações | 14 |
| Petroquímico | 7 |
| Papel e Celulose | 5 |
| Tecnologia e Internet | 2 |
A maior confiança dos consumidores também pôde ser percebida em outros indicadores. A Despesa de Consumo das Famílias apresentou aumento no segundo trimestre do ano, de 6,7%, frente ao mesmo período de 2009, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
De acordo com o levantamento, este é o 27º aumento consecutivo deste componente da demanda interna para esta base de comparação, sendo que o crescimento de 7,3% na massa salarial real, aliado ao aumento nominal de 17,1% do saldo das operações de crédito para as pessoas físicas contribuíram para o resultado.
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Além disso, o número de consumidores que procurou crédito no mês de agosto cresceu 3,6% na comparação com julho, de acordo com o Indicador Serasa Experian da Demanda do Consumidor por Crédito.
Com isso, o indicador chegou a 121,1 pontos, o maior patamar já registrado em toda a série histórica, iniciada em janeiro de 2007. Além disso, na comparação com o mesmo mês de 2009, a procura por crédito avançou 14,3%. Segundo os economistas da Serasa Experian, a confiança dos consumidores em alta e o bom momento do mercado de trabalho, com evolução favorável do emprego e da renda, continuam estimulando a busca do crédito pelas pessoas físicas.
Outro vetor importante para a performance positiva dos indicadores do setor de consumo é a taxa média de juros cobrada nos financiamentos à pessoa física, que recuou 10 pontos base em agosto, registrando a menor taxa da série histórica iniciada em 1995. No oitavo mês do ano, os juros médios ficaram em 6,75% ao mês e, em julho, a taxa era de 6,85%.
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De acordo com dados divulgados pela Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), essa queda pode ser atribuída ao bom momento pelo qual passa a economia brasileira, à normalização do mercado externo após período de grande turbulência provocado pela crise nos países europeus (Grécia, Portugal e Espanha) e à estabilização do crédito no mercado internacional.
Por fim, o número de consumidores inadimplentes incluídos no SPC (Serviço de Proteção ao Crédito) caiu 2,13% em agosto, frente a julho, aponta o indicador da CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e do SPC Brasil. “Mesmo com um crescimento menor da economia no segundo trimestre, os setores de comércio e serviço seguem em expansão e a indústria já apresenta resultados mais favoráveis nesse segundo semestre, com aproximação das comemorações de final de ano”, afirmaram as entidades.
Setor de energia completa o pódio
Com a perspectiva de forte crescimento econômico para o País neste ano, o mercado também eleva sua atenção aos ganhos que podem ser repassados ao setor de energia, com maior volume de demanda. Em 2009, o consumo de energia per capita no Brasil alcançou 48,3 gigajoules por habitante (GJ/hab), de acordo com a pesquisa IDS (Indicadores de Desenvolvimento Sustentável), divulgada recentemente pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
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Este foi o segundo maior índice desde o início da série histórica, em 1992, inferior apenas ao alcançado em 2008, quando registrou-se o patamar de 50 GJ/hab. O consumo de energia per capita está atrelado ao grau de desenvolvimento de um país, explicou o IBGE.
Dando sequência a este crescimento no consumo de energia, o Boletim de Carga Mensal do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) revelou que a carga de energia elétrica no Brasil aumentou 8,1% em agosto, frente ao mesmo mês do ano passado. A análise levou em consideração tanto o consumo quanto as perdas de energia. Na comparação com julho deste ano, a variação foi positiva em 0,5%.
De acordo com os dados preliminares para o oitavo mês do ano, o sistema operou com 55.582 MW médios (em julho foram 55.307 MW). Considerando o acumulado dos últimos 12 meses, foi registrado aumento de 8,1%, em relação ao período anterior.
Cabe lembrar ainda que muitos dos analistas preveem um mês de volatilidade em setembro. Essa percepção ajuda a dar suporte às recomendações ao setor, que é mais defensivo, entre outros motivos, pelo bom histórico das empresas no pagamento de dividendos, garantindo certo retorno ao acionistas mesmo em períodos mais turbulentos da renda variável.