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Pressionado novamente pela queda nas ações da Petrobras, o Ibovespa encerrou a sessão da terça-feira (21) em baixa de 0,69%, a 67.719 pontos. O volume financeiro do dia ficou em R$ 5,98 bilhões.
Embora tenha demonstrado uma ligeira alta logo após a abertura do mercado, chegando a atingir a máxima de 68.255 pontos (leve alta de 0,09% em relação ao fechamento anterior), o principal índice da bolsa brasileira, porém, oscilou no campo negativo por grande parte do dia. Com a divulgação do comunicado do Fed, o benchmark ensaiou uma recuperação, mas não conseguiu sustentar os 68 mil pontos da véspera.
Apesar de o Fed não ter anunciado medidas adicionais de estímulo à economia, se limitando a manter o atual programa de reinvestimento dos valores que receber dos títulos securitizados atualmente sob sua posse, a sinalização de que está pronto para implementar novas medidas de ajuda à economia norte-americana caso seja necessário amenizou as perdas vistas nas globais ao longo do dia.
Destaques da bolsa
Na ponta vendedora do índice, chamou atenção novamente o comportamento dos papéis da Petrobras, que figuraram entre as principais baixas do dia. Esta semana marca o encerramento dos pedidos de reserva da oferta de varejo para pessoas não vinculadas para a oferta da estatal, a ocorrer na próxima quarta-feira, e a precificação das ações, que ocorre um dia depois. Cabe ressaltar que o preço dos papéis será fixado em dólar e, posteriormente, convertido em reais. A Sabesp foi outro destaque negativo no dia.
As ações da CCR Rodovias, por sua vez, se destacaram na ponta positiva do índice, impulsionadas pelo anúncio da companhia quanto ao pagamento de dividendos. A distribuição será equivalente a R$ 1,70 por ação ordinária, a partir do próximo dia 30. Os papéis da Usiminas também ficaram entre os principais ganhos do dia.
Agenda
O principal destaque na agenda econômica do dia ficou com a reunião do Federal Reserve. Sem surpresas, o Fed voltou a manter a taxa básica de juro dos EUA entre 0% e 0,25% ao ano pela 14ª reunião consecutiva. Vale lembrar que a última vez em que a taxa básica de juro dos EUA foi cortada foi em dezembro de 2008. A frase sobre manter a Fed Funds Rate em níveis muito baixos por um “extenso período de tempo”, como nas últimas reuniões, constava novamente no comunicado da autoridade monetária.
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Além da manutenção, já consenso nos mercados, o banco central norte-americano também afirmou que a recuperação desacelerou na maior economia do mundo – assim como havia feito no último comunicado – e se mostrou pronto a agir para sustentar a economia.
Também nos EUA, o Housing Starts, que mede o número de casas em início de construção nos EUA, registrou 598 mil casas no resultado anualizado de agosto, superior aos 550 mil imóveis esperados. Já o Building Permits, que mensura o número de autorizações para construção de novas casas nos EUA, chegou a 569 mil em agosto, também acima das expectativas.
Na Europa, a Irlanda anunciou ter sido bem sucedida na emissão de € 1,5 bilhão em bônus, aliviando temores sobre dificuldades do país para rolagem de sua dívida. Do mesmo modo, Madri também mitigou os receios fiscais ao obter êxito no mercado de crédito nesta sessão, lançando € 7 bilhões em dívida de curto prazo.
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Cenário doméstico
No front doméstico, atenção recaiu sobre a Nota do Setor Externo, divulgada pelo Banco Central. O documento revelou que o resultado global do balanço de pagamentos brasileiro em agosto deste ano foi superavitário em US$ 4,38 bilhões, sendo que no mesmo período de 2009 a conta registrara um saldo positivo de US$ 8,143 bilhões. Já a conta de transações correntes teve déficit de US$ 2,861 bilhões, maior que o saldo negativo de US$ 809 milhões contabilizado em agosto do ano passado.
Ainda na cena interna, o mercado também repercutiu dados inflacionários. O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15) apontou inflação de 0,31% em setembro, segundo dados publicados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A variação foi 0,36 ponto percentual maior do que a registrada no mês passado (-0,05%) e maior que a taxa de 0,19% apurada no mesmo período de 2009.
No mesmo sentido, o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) apontou inflação de 1,03% na segunda prévia de setembro, taxa 0,48 ponto percentual acima da vista no mesmo período do mês anterior.
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Dólar
Após operar no campo positivo durante a manhã – chegando a beirar o patamar de R$ 1,735 -, a trajetória do dólar comercial foi perdendo forças no começo da tarde, passando para o lado negativo após a divulgação do comunicado do Federal Reserve. Acentuando suas perdas até o final da sessão, a moeda interrompeu a sequência de duas altas com queda de 0,58% nesta terça-feira, cotada na venda a R$ 1,718.
Pouco antes do fechamento dos negócios, o Banco Central do Brasil realizou sua segunda intervenção no mercado cambial de dólares, através de um leilão de compra entre as 15h53 e às 16h03 (horário de Brasília), com uma taxa de corte aceita em R$ 1,7182. A autoridade monetária já intervira no mercado de câmbio por volta de 12h20, quando comprou a moeda a R$ 1,7297.
Os investidores também avaliaram a autorização dada ao Fundo Soberano Brasileiro, que agora pode entrar no mercado para comprar moeda estrangeira. A medida, embora possa conter a apreciação do real frente o dólar no curto prazo, não deverá ser suficiente para reverter a trajetória da taxa de câmbio no longo prazo, de acordo com os especialistas do mercado.
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Renda Fixa
O mercado de juros futuros encerrou sem tendência definida, com destaque para a alta nas taxas dos contratos de curto prazo. O contrato de juros de maior liquidez, com vencimento em janeiro de 2011, fechou com taxa de 10,68%, alta de 0,01 ponto percentual em relação ao fechamento anterior.
No mercado de títulos da dívida externa, o título brasileiro mais líquido, o Global 40, fechou em alta de 0,15% em relação ao fechamento anterior, cotado a 137,65% do valor de face.
O Risco-País registrou variação positiva de 12 pontos-base em relação ao fechamento anterior, fechando em 210 pontos-base.
Bolsas em queda nesta quarta-feira
O cenário desta quarta-feira (22) é negativo aos negócios tanto nas bolsas europeias como no mercado futuro norte-americano. Avaliando a decisão do Federal Reserve e a minuta da última reunião do BoE, os investidores também reagem mal ao indicador decepcionante quanto à indústria da Zona do Euro.
Os novos pedidos à indústria da região registraram queda de 2,4% durante o mês de julho, tomada a passagem mensal. Trata-se do maior recuo do indicador nos últimos 19 meses, de acordo com dados da Eurostat – gabinete oficial de estatística do continente europeu.
Da Europa a Washington, sem grande referência na agenda norte-americana, cabe lembrar que a sessão da véspera foi marcada pela reunião do Fomc (Federal Open Market Committee), que apesar de não ter anunciado medidas adicionais de estímulo à economia, sinalizou estar pronto para implementar novas medidas de ajuda caso seja necessário.
A manhã desta quarta também é marcada pela divulgação da minuta do BoE de sua última reunião, ocorrida no início deste mês. De acordo com o documento, embora o colegiado tenha optado majoritariamente pela manutenção da frouxa política monetária inglesa – com juro básico de 0,5% ao ano -, não foi descartada a possibilidade de adoção de ainda mais estímulos à economia.
TAM
Voltando-se ao cenário doméstico, destaque ao setor aéreo. A TAM informou na última terça-feira que não houve sobras da subscrição de ações para acionistas da companhia, em processo finalizado no dia 14 de setembro.
O valor da operação foi de R$ 144.395.628,86, ao preço de emissão por papel de R$ 25,69. Apenas 937 ações não foram subscritas, em função de sobras decorrentes do grupamento de ações, sendo que estas serão rateadas entre os acionistas que manifestaram tal interesse durante o período de preferência.
Rodobens e Cyrela
O dia também traz aprovações de novas emissões. É o caso da Rodobens, cujo conselho administrativo deu sinal verde à emissão de notas provisórias no valor de R$ 70 milhões, com prazo de 90 dias.
Do mesmo modo, também se destaca o aval da Cyrela à emissão de R$ 300 milhões em debêntures com prazo de quatro ano. De acordo com documento emitido ao mercado pela companhia, a operação ocorrerá no dia 29 de setembro e cada debênture possuirá valor nominal de R$ 1 milhão.
Vale
O setor de mineração também aparece no noticiário nesta manhã. Isto porque a Vale anunciou na última terça-feira mais uma aquisição para aperfeiçoamento de sua estrutura logística na África. Foi exercida a opção de compra de 51% da participação acionária na SDCN (Sociedade de Desenvolvimento do Corredor do Norte), pertencente à empresa moçambicana SGPS (Insitec).
A Vale planeja criar linhas ferroviárias para escoar a produção de Moatize, uma mina de carvão a céu aberto, cujo início das operações está previsto para os seis primeiros meses de 2011. A reserva possui um potencial produtivo de 11 milhões de toneladas métricas de carvão, sendo a maior parte (80%) do tipo metalúrgico e o restante do tipo térmico.
Souza Cruz, Klabin e WEG
Também merece destaque o anúncio da Souza Cruz, de que paga juro sobre capital próprio de R$ 0,09 a partir de 5 de novembro, enquanto a Klabin comunicou que paga dividendos equivalentes a R$ 72,98 por lote de mil ações ordinárias.
Além das duas, a WEG também anunciou os detalhes de seu pagamento de juros sobre capital próprio. De acordo com a companhia, será pago R$ 0,05529 por ação a partir do próximo dia 16 de março do próximo ano.