Petrobras e bancos “empatam” com Vale e imobiliárias e Ibovespa fecha estável

Índice teve leve alta de 0,03% em dia de bastante volatilidade na Bovespa; Wall Street marca alta de quase 1% e dólar tem nova queda

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SÃO PAULO – Fechando quase que estável, o Ibovespa conheceu sua 4ª alta seguida nesta segunda-feira (24) – sua melhor sequência desde a segunda metade de outubro. Em dia de forte volatilidade, o índice fechou com leve alta de 0,03%, a 47.393 pontos. Contribuíram para mais um pregão positivo as altas das ações da Petrobras (PETR3, R$ 13,64 +1,79%; PETR4, R$ 14,50, +2,47%), que dispararam a poucos instantes do fim, além das ações de bancos e Gerdau (GGBR4, R$ 15,29, +2,89%), ofuscando as fortes perdas de Vale (VALE3, R$ 33,67, -2,72%; VALE5, R$ 29,76, -2,78%) e das imobiliárias. O giro financeiro negociado nesta sessão foi de R$ 5,25 bilhões. 

A forte volatilidade do índice reflete as tensões do mercados para a entrada de uma semana decisiva para o mercado brasileiro. A semana promete ser bastante movimentada no noticiário econômico: no plano corporativo, a Petrobras trará seus números do 4º tri do ano passado um dia antes da Vale – vale mencionar que mais de 40 empresas brasileiras apresentarão seus balanços. No âmbito econômico, a semana contará com reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), resultado primário do governo brasileiro e a divulgação dos PIBs (Produto Interno Bruto) de Brasil e Estados Unidos.

Apesar do dia indefinido do mercado brasileiro, o desempenho nas bolsas internacionais foi predominantemente positivo, com os três principais índices acionários dos EUA caminhando para fechar com ganhos na casa de 1% – o S&P500, inclusive, atingiu seu novo recorde histórico no intraday. Nesta manhã, um dos membros votantes do Federal Reserve, Richard Fisher – líder do Fed de Dallas – afirmou que concorda com a ideia de uma redução de US$ 10 bilhões nos estímulos à economia a cada nova reunião do Fomc (Federal Open Market Committee).

Outro destaque do dia ficou por conta do dólar, que teve mais um dia de recuo significativo, mesmo com a amenizada vista na última hora de pregão. Nesta sessão, a moeda americana fechou com queda de 0,25% ante o real, cotada a R$ 2,3475 na venda. Vale lembrar que, na última semana, o anúncio de uma meta fiscal melhor que a esperada pelo mercado para 2014 animou os mercados sobre a possibilidade do Brasil não sofrer um corte em seu rating soberano neste ano.

A segunda-feira também contou com o discurso de Alexandre Tombini, presidente do Banco Central, que, antes de embarcar para o Brasil, reiterou o otimismo com relação à economia local. Na véspera, o líder do BC afirmou que a entrada de dólares está vindo com boa intensidade neste mês.

O dia positivo do Ibovespa ofuscou o relatório Focus do Banco Central, que diminuiu a projeção para o PIB (Produto Interno Bruto) de 2014 de 1,79% para 1,67%, para 2015, passou de 2,10% para 2%. Em relação à inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) este ano, os economistas aumentaram a expectativa, para 6,00% ante 5,93%, enquanto para o próximo ano a projeção continuou para 5,70%. Já a taxa básica de juros, a Selic, foi mantida em 11,25% para o final de 2014 e de 12% para 2015.

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Destaques do pregão
Do lado da bolsa, o dia marcou a forte queda das ações da Vale – e Braskem (BRKM5, R$ 17,05, -3,29%), companhia com boa parte de seu capital aplicado na mineradora -, das siderúrgicas Usiminas (USIM5, R$ 10,19, -2,11%) e CSN (CSNA3, R$ 11,13, -1,59%), além das companhias do setor imobiliário – com destaque para MRV Engenharia (MRVE3, R$ 8,03, -3,02%) e PDG Realty (PDGR3, R$ 1,54, -2,53%) – e os papéis do Banco do Brasil (BBAS3, R$ 19,72, -2,52%).

Segundo o analista João Pedro Brugger, da Leme Investimentos, não saiu nenhuma notícia que justificasse a aceleração das perdas da Vale. Contudo, ele acredita que essa reação seja mesmo reflexo do pessimismo dos investidores acerca dos resultados do 4º trimestre de 2013 da mineradora, que serão divulgados nesta quarta-feira (26), após o fechamento do pregão.

Já na ponta positiva, contribuíram para ofuscarem tais quedas as ações de Petrobras, Gerdau e companhias do setor financeiro, com destaque para as ações do Bradesco (BBDC3, R$ 29,44, +0,48%; BBDC4, R$ 27,59, +1,17%).

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Do lado do noticiário corporativo, chamaram atenção os papéis da ALL Logística (ALLL3, R$ 7,10, +8,90%) que subiram forte após a confirmação, pela Cosan (CSAN3, R$ 36,60, +3,51%) da fusão entre Rumo – empresa de logística do Grupo Cosan – e a ALL. Na nova empresa, a ALL foi avaliada em R$ 6,958 bilhões, equivalente a R$ 10,18 por ação, ou seja, 56% acima do fechamento da última sexta-feira.

Destaque ainda para o balanço da Hypermarcas (HYPE3, R$ 14,95, -1,12%), que mostrou queda no lucro líquido de 55,9% no quarto trimestre, para R$ 54,9 milhões, impactado por maiores despesas financeiras relacionado a recompra parcial de um bônus de dívida da companhia.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

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 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 ALLL3 ALL AMER LAT ON 7,10 +8,90 +8,23 132,27M
 KROT3 KROTON ON 43,50 +5,07 +10,80 226,87M
 CSAN3 COSAN ON 36,60 +3,51 -7,53 84,88M
 ESTC3 ESTACIO PART ON 20,36 +3,09 -0,25 60,54M
 EVEN3 EVEN ON 7,37 +3,08 -9,57 25,99M

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 AEDU3 ANHANGUERA ON 11,07 -3,82 -25,70 118,41M
 BRKM5 BRASKEM PNA 17,05 -3,29 -18,81 43,53M
 ELET3 ELETROBRAS ON 4,75 -3,06 -19,08 7,70M
 MRVE3 MRV ON 8,03 -3,02 -4,75 23,73M
 BRAP4 BRADESPAR PN 21,50 -2,80 -14,27 21,82M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 VALE5 VALE PNA 29,76 -2,78 382,82M 453,52M 25.434 
 PETR4 PETROBRAS PN 14,50 +2,47 297,54M 430,19M 29.568 
 KROT3 KROTON ON 43,50 +5,07 226,87M 86,50M 15.218 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN EJ 31,27 +0,55 217,86M 362,28M 20.195 
 BBAS3 BRASIL ON ED 19,72 -2,52 171,64M 139,67M 21.710 
 BBDC4 BRADESCO PN 27,59 +1,17 166,97M 218,42M 16.973 
 GGBR4 GERDAU PN 15,29 +2,89 146,78M 107,38M 21.379 
 CCRO3 CCR SA ON 15,45 +1,44 146,42M 74,62M 12.503 
 VALE3 VALE ON 33,67 -2,72 132,29M 180,46M 10.382 
 ALLL3 ALL AMER LAT ON 7,10 +8,90 132,27M 34,49M 23.025 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão) 

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China preocupa
Vale ressaltar ainda a queda das bolsas chinesas, em meio aos rumores de que os bancos do gigante asiático pararam de estender empréstimos para companhias do setor imobiliário. Dados publicados nesta segunda-feira mostraram que o ritmo de crescimento dos preços imobiliários na China desaceleraram em janeiro pela primeira vez em 14 meses, sugerindo que os esforços do governo para esfriar o mercado estão tendo efeito. O dado abaixo do esperado, aliado aos rumores de um corte dos créditos pelos bancos chineses, fez com que as ações despencassem no continente.

Com os dados do setor imobiliário desanimadores, o índice Xangai Composto estendeu as perdas dos últimos dois pregões e fechou a segunda-feira com desvalorização de 1,7%, maior queda em sete semanas. Enquanto isso, o Hang Seng terminou o dia com perdas de 0,8%. Já no Japão, o Nikkei, após iniciar 3 semanas em alta, encerrou o primeiro dia da semana com perdas de 0,2%.

Enquanto isso na Europa, na reunião de ministros das Finanças do G-20, pela primeira vez, o grupo reportou que pretende impulsionar um crescimento global na faixa dos dois pontos percentuais para os próximos cinco anos. Dados econômicos divulgados pelo Ifo, na Alemanha, mostraram que o índice de negócios no país subiu para 111,3 no mês de fevereiro, superando as expectativas, e atingiu seu maior nível desde julho de 2011.

Mesmo com a visão do G-20 e com dados econômicos divulgados na Alemanha, os investidores seguem cautelosos com o crescente risco no setor imobiliário na China e as bolsas europeias seguem sem uma direção única.


Responsável pela cobertura de política do InfoMoney, coordena o levantamento Barômetro do Poder, apresenta o programa Conexão Brasília e o podcast Frequência Política.