Bolsas operam sem tendência após dados do mercado de trabalho dos EUA

Na véspera, o Ibovespa interrompeu sequência de onze altas consecutivas e recuou 0,76%, a 67.997 pontos

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Após sessões de alta nos mercados ao redor do mundo, a terça-feira (3) foi marcada pela realização de ganhos tanto lá fora como por aqui, com as bolsas impactadas ainda por uma sequência de resultados abaixo do esperado reportados nos EUA. Por aqui, o Ibovespa interrompeu sequência de onze altas consecutivas e recuou 0,76%, a 67.997 pontos.

O saldo do investidor estrangeiro na BM&F Bovespa volta a ficar positivo durante o mês de julho. Entre 1 e 30 de julho, foram computadas compras de R$ 32,979 bilhões e vendas na casa de R$ 29,471 bilhões, o que garante saldo positivo de R$ 3,508 bilhões. No ano, o quadro agora está positivo em aproximadamente R$ 569 milhões.

Bolsa
Ao contrário do pessimismo que imperou no pregão, as ações da Petrobras fecharam em forte alta, ajudando a diminuir as perdas do Ibovespa. Dentre as notícias sobre a empresa, destaque para a sanção do presidente Lula na segunda-feira à lei que cria a Pré-sal Petróleo, companhia estatal que irá gerenciar as atividades exploratórias na região do pré-sal. A petrolífera ainda comunicou nova descoberta de indícios de hidrocarbonetos à ANP e desmentiu na véspera que possui qualquer pretensão de alterar o “desenho de sua capitalização”.

Mas o grande destaque de alta da sessão ficou com as ações da MMX, que disparam no Ibovespa durante a tarde, liderando os ganhos do índice, respondendo a rumores de que a ArcelorMittal, maior siderúrgica do mundo deseja adquirir os ativos de minério de ferro da empresa. A companhia afirmou à InfoMoney que não comenta rumores de mercado. 

Na ponta negativa, as ações da GOL lideraram as perdas do índice, repercutindo problemas com atrasos em voos enfrentados desde sexta-feira, fato que foi atribuído pela companhia ao intenso tráfego aéreo em malha. Os papéis da TAM também fecharam em queda acentuada. 

Entre os resultados, o Itaú Unibanco somou  lucro líquido de $ 3,165 bilhões entre abril e junho desse ano, crescimento de 23,1% frente ao mesmo período de 2009. O patrimônio líquido totalizou R$ 55,074 bilhões em 30 de junho, ante R$ 47,269 bilhões na mesma data do ano passado. Por sua vez, a carteira de crédito total chegou a R$ 296,192 milhões. As ações do banco recuaram. 

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A fabricante de aviões Embraer divulgou queda de 78,6% em seu lucro líquido no segundo trimestre deste ano, embora tenha elevado seu guidance. As ações subiram.

A TIM também anunciou seus resultados, revelando lucro líquido de R$ 101,4 milhões no segundo trimestre de 2010 – desempenho 67,6% aquém do obtido no mesmo período de 2009. Segundo a companhia, a queda se explica por um “impacto positivo no ganho cambial no segundo trimestre de 2009”, quando os ganhos líquidos totalizaram R$ 313,0 milhões. Os papéis da TIM fecharam em queda.

Agenda e noticiário
Diferentemente dos fortes números registrados nos meses anteriores, as principais montadoras do mundo revelaram que suas vendas de automóveis dentro da economia norte-americana tiveram um crescimento mais modesto em julho, girando entre 3% e 5,5% de alta na comparação com o mesmo mês de 2009. Contudo, algumas asiáticas e a Porsche conseguiram relatar números mais significativos no período.

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Ainda nos EUA, os resultados de Procter & Gamble, Dow Chemical e Mastercard decepcionaram as previsões dos analistas. Pela agenda econômica, os indicadores de renda e gasto do consumidor não registraram variação entre maio e junho. Dessa forma, o núcleo do PCE, um dos índices de inflação mais observados pelo Federal Reserve, não registrou variação no período, enquanto o mercado esperava alta de 0,1%.

Ainda por lá, o número de contratos de compra e venda de casas usadas veio melhor que as expectativas, enquanto o Factory Orders, que mede o volume de encomendas à indústria, registrou resultado pior que o esperado pelo mercado.

No front doméstico, destaque para o recuo de 1% na produção industrial brasileira entre maio e junho. Entre os indicadores de inflação, o IPC-Fipe referente ao mês de julho apontou variação positiva de 0,17%, abaixo da variação de 0,20% projetada pelo mercado no último relatório Focus.

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Dólar e Renda Fixa
Ganhando forças diante dos sinais desfavoráveis da economia norte-americana, o dólar comercial conheceu sua primeira alta após três sessões consecutivas de queda, fechando nesta cotado na venda a R$ 1,76 – variação positiva de 0,51%.

Contudo, apesar de ter registrado apreciação em relação ao real, o dólar seguiu em trajetória declinante frente a importantes divisas do mundo, como o iene, o euro e a libra esterlina. Com isso, o “dollar index”, índice que mensura o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas, atingiu seu menor patamar desde abril durante o intraday desta terça-feira.

Os contratos de juros futuros negociados na BM&F encerraram predominantemente em alta nesta sessão, com oscilações mais fortes no longo prazo. O contrato de juros de maior liquidez nesta terça-feira, com vencimento em janeiro de 2011, registrou uma taxa de 10,81%, 0,01 ponto percentual acima do fechamento da véspera.

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O mercado de títulos da dívida externa fechou em queda. O título brasileiro mais líquido, o Global 40, fechou com desvalorização de 0,03%, cotado a 136,75% do valor de face. Com isso, o indicador de risco Brasil, calculado pelo conglomerado financeiro JP Morgan, registrou alta de 3 pontos-base em relação ao fechamento anterior, atingindo 205 pontos-base.

Bolsas sem tendência nesta quarta-feira
Os mercados internacionais operam entre os temores sobre o enfraquecimento da economia e dados melhores do que o esperado do mercado de trabalho norte-americano nesta quarta-feira (4). Neste cenário, a atenção volta-se novamente à agenda dos Estados Unidos, que ainda traz o ISM Services, mostrando o nível de atividade não industrial do país.

Na cena corporativa externa, a temporada de resultados fica em foco. Nesta manhã, foram divulgados os números dos bancos Société Générale, Lloyds e Standard Chartered, todos melhores do que o esperado. Nos Estados Unidos, o balanço da Time Warner também supera as projeções dos analistas.

Temporada de resultados
Se lá fora os lucros corporativos chamam a atenção, por aqui não é diferente. Nesta quarta-feira, divulgarão os resultados o Banco Sofisa, Cielo, Confab, Energisa, EZTec, Mills e Tegma, todos marcados para depois do fechamento dos mercados.

Dentre os resultados divulgados após o fechamento do último pregão, destaque para a Gafisa, que registrou um volume de lançamentos de R$ 1 bilhão no segundo trimestre deste ano. No período, a companhia contabilizou R$ 890 milhões em vendas, um aumento de 7% frente ao reportado um ano antes. O lucro líquido, por sua vez, atingiu a marca de R$ 97,27 milhões, um avanço de 68,4% na mesma base de comparação.

O Multiplus também requer atenção, ao somar lucro líquido de R$ 23,13 milhões no segundo trimestre deste ano, com uma margem de lucro de 24,7%. A empresa gerencia, entre outras coisas, o programa de fidelidade da TAM e realizou seu IPO (Initial Public Offering) em fevereiro deste ano.

Já a Log-In apresentou um lucro líquido de R$ 2,8 milhões, uma elevação de 115,4% na base de comparação anual. “A conjunção dos indicadores positivos da economia brasileira e de um cenário propício e promissor para os negócios de logística no Brasil cria condições favoráveis para os negócios da Log-In”, apontou a administração da empresa.

Dados operacionais
A GOL divulgou na noite de terça-feira seus dados operacionais de julho, destacando a demanda no mês, que atingiu o maior patamar desde o início das operações da empresa, em 2001. Apesar da empresa ressaltar os pontos positivos, a reação dos analistas não foi a mesma. “Não seja seduzido por títulos chamativos”, afirmou o Citigroup em relatório no qual mantém a recomendação de venda para os papéis da GOL.

Telebrás
Na última terça-feira, os acionistas da Telebrás aprovaram o novo estatuto da companhia e as nomeações de Rogério Santanna dos Santos para presidente da sociedade e também para o cargo de diretor de relações com investidores. Santanna também passa a representar o Ministério das Comunicações dentro do conselho da companhia.

Santanna reafirmou a meta do Plano Nacional de Banda Larga de levar conexão em alta velocidade a 100 cidades, ressaltando que, se não houver imprevistos, a implantação do serviço poderá ser iniciada em novembro ou dezembro deste ano.

Aquisição de ativos

Por fim, a CCR anunciou a aquisição da Rodovias Integradas do Oeste (SPVias) por R$ 947,2 milhões. O negócio foi fechado pela sua subsidiária CPC (Companhia de Participações em Concessões) e prevê a compra de 73,45% do capital acionário da concessionária

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