Bolsas dos EUA recuam, com desemprego e varejo trazendo preocupações

Initial Claims e desaceleração de vendas no varejo desagradaram; fora da temporada de balanços, GM e Ford em destaque

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SÃO PAULO – As bolsas dos Estados Unidos terminaram em queda o pregão desta quinta-feira (5). As principais referências da sessão foram divulgadas pela manhã, quando os pedidos de auxílio desemprego mostraram avanço na passagem semanal. As vendas do varejo também trouxeram pessimismo ao mostrarem enfraquecimento da demanda.

O Initial Claims mostrou um total de 479 mil novos pedidos de auxílio-desemprego na última semana, o patamar mais alto desde abril deste ano. Além do aumento na passagem semanal, o número também ficou pior do que o esperado pelos analistas, cujas projeções giravam em torno de 455 mil.

O índice Nasdaq Composite, que concentra as ações de tecnologia, fechou em leve baixa de 0,46% a 2.293 pontos, acumulando no ano alta de 1,05%. O S&P 500, que engloba as 500 principais empresas dos EUA, encerrou o pregão em leve desvalorização de 0,13% atingindo 1.126 pontos e subindo 0,96% no ano, enquanto o Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas, apresentou queda de 0,05% chegando a 10.675 pontos e acumulando no ano alta de 2,37%.

% Var Dia Pontos %Var 30D %Var Ano
 Dow Jones -0,05 10.675 +9,56 +2,37 
 S&P 500 -0,13 1.126 +9,51 +0,96 
 Nasdaq -0,46 2.293 +9,51 +1,05 

Resultados
O balanço das varejistas em julho foi o principal destaque da esfera corporativa. Em geral, os resultados mostraram enfraquecimento do consumo. Hot Topic, Buckle e Wet Seal mostraram números abaixo do esperado pelos analistas, vendo suas ações recuarem 5,7%, 4,04% e 0,3%, respectivamente. A Costco (-1,64%) acompanhou o movimento de queda, apesar de ter reportado números melhores do que as projeções.

Em contraste com os resultados negativos, a companhia de telefones móveis MetroPCS Communications viu suas ações dispararem 7,51%, na melhor posição do índice S&P 500. A empresa mostrou lucro líquido de US$ 0,22 por ação e ultrapassou as previsões de analistas em 69%.

Também no positivo, as ações da News Corporation avançaram 3,61%, após a empresa de mídia reportar um lucro de US$ 875 milhões no quarto trimestre, em contraste com as perdas registradas no mesmo período do ano anterior. O lucro, excluindo alguns itens, foi de US$ 0,38 por ação, superando a estimativa média de analistas em 91%, segundo a Bloomberg.

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Por fim, a seguradora médica Cigna subiu 5,63% após mostrar lucro de US$ 1,38 por papel, ante expectativas de ganhos de US$ 1 por ação. A companhia elevou seu guidance para 2010 para uma média de lucro de US$ 4,10 a US$ 4,40 por ação, ante estimativas de US$ 4,10 de analistas consultados pela Bloomberg.

Montadoras em destaque
A General Motors anunciou nesta quinta-feira que fará uma oferta pública de ações “o mais rápido possível”, visando readquirir 61% de seu patrimônio, que está no poder do governo de Barack Obama desde 2009, quando a empresa declarou falência. A montadora também disse ter planos para reabrir uma das plantas que foram fechadas no período de falência.

A Ford também trouxe novidades. A montadora terá uma garantia de empréstimo de US$ 250 milhões do Exim Bank dos Estados Unidos para financiar US$ 3,1 bilhões proveniente da venda de mais de 200 mil veículos para compradores no Canadá e no México. O valor será quitado no prazo de um ano. Suas ações recuaram 1%.

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Europa
As atenções desta quinta-feira também voltaram-se para a Europa. Em linha com o esperado pelos analistas, o BoE (Bank of England) e o BCE (Banco Central Europeu) anunciaram manutenção da taxa básica de juro do Reino Unido e da Zona do Euro em 0,5% e 1% ao ano, respectivamente.

O presidente do BCE, Jean Claude-Trichet, assustou o mercado ao afirmar que é cedo demais para “declarar vitória” contra a crise econômica, dado que o crescimento no segundo semestre será muito menos expressivo do que no segundo trimestre. A expansão da economia continuará, segundo Trichet, mas em nível moderado e desigual.