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SÃO PAULO – As agitações políticas na Europa e a nova alta na taxa básica de juros no Brasil pouco têm afetado as negociações na Bovespa neste começo de pregão, com os investidores digerindo os números melhores que o esperado do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro e dos balanços do 4º trimestre da Vale. Com isso, o Ibovespa, principal benchmark da bolsa brasileira, mostrava alta de 0,72%, a 46.933 pontos, segundo cotação das 10h21 (horário de Brasília), enquanto as principais bolsas europeias e mercado futuro dos índices acionários norte-americanos operam em queda.
Os papéis da Vale (VALE3, R$ 33,17, +2,00%, VALE5, R$ 29,60, +2,00%) e da holding Bradespar (BRAP4, R$ 21,49, +1,80%), que detém forte participação no capital da companhia, registram ganhos na casa dos 2%. A Vale registrou um prejuízo líquido de R$ 14,86 bilhões no 4º trimestre, o dobro do que projetavam os analistas consultados pela InfoMoney. Apesar disso, o mercado não deveria se assustar com estes números, acreditavam os analistas. Isso porque, excluídos os efeitos não recorrentes, o seu lucro ficou praticamente em linha com o esperado. Além disso, a companhia conseguiu trazer bons números de receita operacional e Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização).
Na frente da Vale dentro do Ibovespa, aparece apenas uma ação: a incorporadora Gafisa (GFSA3, R$ 3,34, +6,71%), que também reportou seus números do 4º trimestre, registrando um lucro líquido de R$ 921,3 milhões – as estimativas de analistas obtidas pela Reuters variaram de prejuízo de R$ 29 milhões a lucro de R$ 506,3 milhões. A companhia conseguiu mostrar bons resultados operacionais mesmo com a venda da Alphaville, segmento mais rentável dentro do grupo.
Já a Cosan (CSAN3, R$ 10,82, +1,79%) teve lucro líquido de R$ 229,8 milhões no quarto trimestre, queda de 32,3% ante igual período do ano anterior. Tanto ela quanto ALL (ALLL3, R$ 6,77, -0,44%) e a própria Vale iniciaram às 10h uma teleconferência para falar dos resultados divulgados ao mercado.
PIB e Selic
Colaborando para o clima positivo no mercado brasileiro, o PIB fechou 2013 com crescimento de 2,3% e ficou acima do esperado pelos economistas, que estimavam crescimento de 1,9%. O resultado foi maior que o PIB de 2012, quando avançou 0,9%. Enquanto, no quarto trimestre, o PIB cresceu 0,7% em relação ao trimestre anterior e 1,9% ante o mesmo período um ano antes.
Vale lembrar que na noite da última quarta-feira, o Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu com unanimidade por elevar a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual, para 10,75% ao ano, decisão mais do que esperada pelo consenso do mercado. Muitos analistas já acreditavam que a decisão fosse essa, principalmente após a meta de superávit primário anunciada pelo governo na última quinta-feira, na casa de 1,9% do PIB (Produto Interno Bruto) para 2014, valor acima do esperado pelos investidores.
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Uma Selic maior aumenta a expectativa de retorno de boa parte dos investimentos em renda fixa, o que naturalmente acaba tendo efeito negativo no mercado de renda variável, já que pode provocar uma migração de investimentos da bolsa para os títulos lastreados na taxa de juros.
Yellen e Ucrânia
O mercado segue atento ao discurso de Janet Yellen, presidente do Fed (Federal Reserve) que acontece ainda nesta sexta-feira, para o Comitê Bancário dos EUA. Este será o segundo depoimento de Yellen como presidente do banco central norte-americano. Além disso, dados sobre o número de pedidos de auxílio-desemprego no país serão divulgados.
Na Europa, mesmo os dados positivos divulgados sobre a economia no continente, não foram suficientes para animar os investidores. Na Alemanha, a taxa de desemprego apresentou queda no mês de fevereiro e atingiu o menor patamar em 18 meses. Estes dados positivos na maior economia do continente são ofuscados pela tensão cada vez maior na Ucrânia. O presidente russo, Vladimir Putin, colocou em estado de alerta as Forças Armadas no oeste do país e ordenou manobras militares de grandes escala na região, que faz fronteira com a Ucrânia, em uma medida que remete aos preparativos para a invasão da Geórgia em 2008.
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Com isso, o FTSE, de Londres tem queda de 0,4%. Já o CAC de Paris, tem desvalorização de 0,6%, enquanto os benchmarks da Alemanha e Madri, o DAX e o IBEX, recuam 1,4% e 1,2%, respectivamente.