Para ALL, mudanças em concessões ferroviárias pode beneficiar setor

Empresa destaca retomada da normalidade com exportações agrícolas e diz que pode devolver trechos subutilizados ao governo

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SÃO PAULO – Em geral, qualquer sinal de intromissão do estado traz arrepios ao investidor. Mas em um setor carente de apoio e regulação, a ajuda pode ser bem-vinda, como ressaltaram os diretores da ALL (ALLL11) nesta quinta-feira (12), em teleconferência com analistas.

Segundo Bernardo Hees, presidente da empresa, a empresa registrou uma performance operacional robusta no período. Ele ainda comentou as possibilidades de mudanças na regulação para novas concessões ferroviárias, embora tenha aberto a possibilidade para renegociação de pequenos pontos nos contratos atuais.

Apesar do bom desempenho no período, os diretores reconheceram a fragilidade de longo prazo das operações na Argentina, tendo em vista o ambiente político e macroeconômico. “A Argentina continua sendo um negócio menor”, disse Paulo Basílio, diretor superintendente da empresa.

Regulação
A polêmica voltou à tona durante a conversa com os analistas. Para Bernardo Hees era necessário fazer um esclarecimento sobre “notícias desencontradas” em relação à regulação ferroviária, uma vez que a discussão de novas regras somente diria respeito a novas concessões. “Existe um contrato e isso não pode ser mudado”, concluiu com firmeza.

Por outro lado, ressaltou que as mudanças podem ser benéficas: “tudo que possa aumentar o investimento no setor ferroviário é bem-vindo”.

Em relação aos trechos já nas mãos de concessionárias, as conversas giram em torno de trechos desativados, de baixa densidade, cuja exploração é pequena para carga, e que podem ser devolvidos para transportar passageiros. “Nós não temos problemas em devolver esses trechos”, afirmou Hees.

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Oferta x Demanda
A empresa também destacou que o crescimento da dívida líquida no período ocorreu principalmente por conta do investimento no projeto de Rondonópolis.

Ademais, os projetos em parceria com a Rumo – subsidiária da Cosan (CSAN3) -, e outros em desenvolvimento, como os relativos ao minério de ferro, trarão crescimento de volume adicional ao citado no guidance divulgado pela empresa, de três a cinco anos, revelaram os diretores.

No geral, a perspectiva para o segundo semestre é bastante forte, especialmente por conta da safra brasileira, com destaque para a expansão de 18% da safra de soja “somente em nossa região de atuação”, disse Paulo Basílio, destacando que isto impactará positivamente o escoamento para exportação, a despeito do aumento do consumo doméstico.