Petrobras deve aumentar preço de combustíveis em junho, mas alta pode ser antecipada

Acordo entre governo e Petrobras prevê alta de preços no meio do ano, mas temores sobre pressão inflacionária pode antecipar reajuste para março

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SÃO PAULO – Um dos principais pontos de disputa da gerência da Petrobras (PETR3;PETR4) com o governo, o reajuste de preços da gasolina e do diesel pode ocorrer logo em junho, conforme apurado pelo jornal Folha de S. Paulo. O calendário, não divulgado pelo mercado, integra um dos pontos do mecanismo aprovado em dezembro pelo conselho de administração da companhia. Com a notícia, as ações ordinárias registram ganhos de 3,14%, a R$ 15,11, enquanto os papéis preferenciais têm alta de 2,48%, de acordo com cotação das 15h39 (horário de Brasília), acelerando fortemente os ganhos durante a tarde desta quarta-feira (15).

Contudo, de acordo com o jornal, o calendário passou a preocupar mais a cúpula do governo executivo após o reajuste de 4% para a gasolina e 8% para o diesel no mês passado. O reajuste de dezembro foi visto como um dos vilões para o aumento de inflação no ano passado, que ficou em 5,91%, acima do projetado pelo Banco Central, de 5,85%.

Deste modo, uma saída, segundo os setores de governo seria antecipar o aumento para março, de forma a diluir o impacto do reajuste sobre a campanha de Dilma Rousseff para a reeleição. Controlar a pressão inflacionária seria uma das obsessões da presidente da república no ano eleitoral. Segundo avaliações internas, a principal força eleitoral da campanha pela reeleição vem do baixo nível de desemprego e do nível de renda estável da população, uma variável que pode ser sempre impactada quando há variação de preços.

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Procurado pela Folha, o ministério da fazenda não comentou o assunto, enquanto a assessoria da estatal não quis comentar. No início de dezembro, quando foi anunciado o reajuste de combustíveis, a ação da petrolífera foi bastante penalizada, uma vez que a metodologia de precificação foi vista como pouco transparente. Isso deteriora a percepção de governança corporativa,  enfraquece a posição de uma equipe de gestão mais forte e técnica, além de ter um impacto significativo nos lucros e no valuation da companhia, conforme ressaltou o Credit Suisse em relatório. 

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Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.