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SÃO PAULO – As duas principais blue-chips da bolsa brasileira chamam atenção no pregão desta quinta-feira (16). A Petrobras (PETR3, -0,73%, R$ 15,01; PETR4, -0,12%, R$ 16,02) opera volátil, após o governo ter negado o aumento de combustível no primeiro semestre. A ação da petroleira abriu a sessão entre uma das maiores quedas do Ibovespa, mas em poucos minutos virou para alta. O otimismo não durou muito e por volta das 11h10 (horário de Brasília), voltou para o negativo. Enquanto isso, a Vale (VALE3, +2,10%, R$ 33,13; VALE5, +1,75%, R$ 30,76) seguia no mesmo horário em forte valorização depois de ter sido penalizada no início de ano. Os papéis da holding Bradespar (BRAP4, +2,19%, R$ 22,90), que tem forte participação na Vale, acompanhavam a alta. Juntos, os papéis das três empresas representam cerca de 25% da carteira teórica do principal índice de ações da bolsa.
No caso da Petrobras, reflete a notícia de que o Ministério de Minas e Energia negou, em nota oficial, que haja um acordo entre governo e empresa para aumento de combustíveis em junho. Uma reportagem da Folha de S. Paulo da véspera apontava que uma nova elevação nos preços dos combustíveis estava previsto. O calendário, que não foi divulgado ao mercado, integraria um dos pontos do mecanismo de reajuste aprovado em dezembro pelo conselho de administração da empresa, presidido pelo Ministério da Fazenda.
Por sua vez, a estatal informou ontem que a emissão de cerca de US$ 5 bilhões em bônus pela empresa este mês poderá ser uma das últimas grandes ofertas feitas pela petroleira, já que a empresa espera gerar caixa suficiente para pagar suas dívidas com o aumento da produção de petróleo e reduzi gradativamente as captações a partir do final de 2015.
Vale tem dia de correção
Já sobre a Vale, a analista João Pedro Brugger, da Leme Investimentos, comentou que essa alta é um movimento corretivo após “exagerada” queda recente. Esse é o segundo pregão de ganhos das ações da mineradora, mas ainda assim não é suficiente para fazer frente ao recuo em 2014. No acumulado do ano, os papéis ordinários registram desvalorização de 7,22%, enquanto os preferenciais caem 5,90%
Segundo Brugger, o forte movimento negativo não acompanha os fundamentos da empresa, que parecem bons, mesmo depois de algumas corretoras terem revisado para baixo a recomendação da Vale neste início de ano. Para ele, os últimos números da China trouxeram otimismo, com destaque para a balança comercial, que mostrou crescimento nas importações acima do esperado pelo mercado. As importações chinesas de commodities subiram fortemente em 2013, com o carvão e o minério de ferro subindo mais de 10%, conforme números divulgados no fim da semana passada. “É óbvio que o mau humor na bolsa traga um certo desconforto para as ações da mineradora, mas os dados chineses vêm dando um certo alívio e ainda vejo uma demanda crescente pela commodity”, disse.
Além disso, a Vale ganha força hoje embalada por seus pares internacionais. Lá fora, a Rio Tinto reportou os números de 2013, com crescimento de produção e embarques de minério de ferro de 5% no ano. Para analistas, a Vale pode apresentar uma pequena queda, mas já terá uma melhora no primeiro trimestre de 2014 visto que a companhia espera que as licenças pendentes em Carajás devem sair neste começo do ano.