Vale e siderúrgicas avançam; BRF renova mínima em 7 meses; “mico” é destaque

Petrobras cai em meio a notícia de que o governo negou reajuste dos combustíveis em junho e corte de preço-alvo do JPMorgan

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SÃO PAULO – Em sessão de forte volatilidade, o Ibovespa acentua as perdas na tarde desta quinta-feira (16), em meio ao noticiário corporativo e a proximidade do vencimento de opções sobre ações. Diante disso, a atenção fica principalmente com as duas principais blue chips da bolsa, que operavam às 15h14 (horário de Brasília) com movimentos distintos: a Petrobras (PETR3, -2,58%, R$ 14,73; PETR4, -2,12%, R$ 15,70) firmava queda, enquanto a Vale (VALE3, +1,17%, R$ 32,83; VALE5, +0,40%, R$ 30,34) amenizava os ganhos. Juntos, esses papéis representam cerca de 25% da carteira teórica do índice. A Bradespar (BRAP4, +0,67%, R$ 22,59), holding que detém participação na mineradora, acompanha a alta.  

Além das informações divulgadas entre a noite de ontem e hoje, que repercutem nesses papéis, o vencimento de opções na próxima segunda-feira (20) já deixa suas marcas no mercado. Isso porque os investidores terão até amanhã para negociarem suas “calls” (opções de compra) e “puts” (opções de venda) antes do exercício delas. Esses dias pré-vencimento costumam resultar em volatilidade no preço das ações das principais blue chips da bolsa brasileira, com grandes investidores exercendo maior pressão para que seus contratos de derivativos possam ser exercidos com lucro, impedindo que eles “virem pó” – expressão usada no mercado de opções para designar os contratos que perderam valor no dia do vencimento. 

Já sobre o noticiário, a petroleira e o governo negaram acordo sobre reajuste nos preços de combustíveis em junho. Além de ser penalizada por essa informação, o JPMorgan Chase cortou o preço-alvo das ADRs (American Depositary Receipts) da Petrobras, de US$ 22 para US$ 21, mas manteve recomendação neutra. Por sua vez, do lado positivo, a Petrobras reflete o anúncio de que suas reservas provadas no pré-sal cresceram 43% em 2013. Atualmente, mais de quatro das reservas provadas da companhia são provenientes do pré-sal. Além disso, a estatal informou que a emissão de cerca de US$ 5 bilhões em bônus pela empresa este mês poderá ser uma das últimas grandes ofertas feitas pela companhia, já que a empresa espera gerar caixa suficiente para pagar suas dívidas com o aumento da produção de petróleo e reduzir gradativamente as captações a partir do final de 2015. 

Em relação à Vale, o analista João Pedro Brugger, da Leme Investimentos, comentou que essa alta é um movimento corretivo após “exagerada” queda recente. Esse é o segundo pregão de ganhos das ações da mineradora, mas ainda assim não é suficiente para fazer frente ao recuo em 2014. No acumulado do ano, os papéis ordinários registram desvalorização de 7,22%, enquanto os preferenciais caem 5,90%. Além disso, a Vale ganha força hoje embalada por seus pares internacionais. Lá fora, a Rio Tinto reportou os números de 2013, com crescimento de produção e embarques de minério de ferro de 5% no ano. Para analistas, a Vale pode apresentar uma pequena queda, mas já terá uma melhora no primeiro trimestre de 2014 visto que a companhia espera que as licenças pendentes em Carajás devem sair neste começo do ano. 

Outros destaques:

Siderúrgicas
As ações preferenciais da Usiminas (USIM5, +1,01%, R$ 14,00) operam em ganhos nesta sessão. Na máxima do dia, esses papéis atingiram valorização de 2,38%, a R$ 14,19. O desempenho ocorre após um relatório positivo divulgado pelo HSBC. O otimismo respinga nas ações Gerdau (GGBR4, +0,29%, R$ 17,50) e Metalúrgica Gerdau (GOAU4, +0,32%, R$ 22,09). A única empresa do setor siderúrgico que registra queda é a CSN (CSNA3, -0,15%, R$ 13,71), que o HSBC manteve recomendação como underweight (desempenho abaixo da média). Em relatório, o banco de investimentos elevou o preço-alvo das ações da Usiminas de R$ 14,50 para R$ 17,00, vendo os esforços da empresa para entregar melhores resultados, enquanto para CSN ainda vê upside limitado, em função de pouco espaço para melhorar seu mix de produtos.

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BRF
Por sua vez, as ações da BRF (BRFS3) voltam a cair nesta sessão, figurando na pior posição do Ibovespa. Os papéis registram queda de 2,26%, a R$ 43,70. No acumulado do ano, a queda é ainda mais expressiva, de 10,14% – terceira maior do índice. Com esse desempenho, as ações atingem nesta sessão o menor patamar desde junho de 2013. Na semana passada, operadores alertaram que o papel estaria sofrendo forte pressão vendedora dos investidores estrangeiros. 

Gol
Já a Gol (GOLL4) vê suas ações subirem 1,03%, a R$ 10,81. O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aprovou, sem restrições, um acordo de compartilhamento de voos entre a Gol e o Grupo Aerolíneas Argentinas, segundo decisão publicada no Diário Oficial nesta quinta-feira. Segundo documentos do processo no site do Cade, o acordo considera o compartilhamento de voos entre a empresa brasileira e as companhias Aerolíneas Argentinas e Austral Líneas Aéreas, ambas do grupo argentino, com foco no transporte de passageiros entre Brasil e Argentina.

IMC
A IMC (IMCH3), uma das maiores empresas de rede multimarca e de restaurantes do Brasil, anunciou um acordo com os aeroportos de Guarulhos e Viracopos para expandir suas lojas nos novos terminais que estão sendo construídos. Segundo o Credit Suisse, o acordo é positivo pois conclui uma negociação importante, podendo agora focar na melhoria de resultados a parir de agora. Com isso, as ações da companhia caminham para a 5º alta nas últimas 6 sessões. Hoje, os papéis registram valorização de 4,40%, a R$ 18,95.

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Telebras
Uma ação de baixíssima liquidez ganha destaque nesta sessão. A Telebras (TELB3; TELB4) vê suas ações ordinárias dispararem 12,03%, a R$ 5,03, e as preferenciais – as mais negociadas em bolsa – avançarem 16,93%, sendo cotadas a R$ 2,97. O volume financeiro também chama atenção e atinge R$ 553,6 mil nos papéis preferenciais, quase 11 vezes maior do que a média diária dos últimos 21 pregões, de R$ 50,4 mil. A empresa informou na véspera o conselho administrativo da empresa aceitou a renúncia do presidente Caio Cezar Bonilha Rodrigues, que também integrava o conselho administrativo da companhia. O executivo alegou motivos pessoais para sua saída. Rodrigues será substituído interinamente por Francisco Ziober Filho, que assume como presidente e diretor de relações com investidores. 

Além disso, a companhia celebrou memorando de entendimento com as empresas Silica Networks Argentina e Silica Networks Chile para estabelecer parceria para construir, operar e manter uma rede de fibra ótica para estabelecer uma conexão entre o Brasil, na cidade de Uruguaiana (RS), e a Argentina, na cidade de Paso de Los Libres, província de Corrientes, com ligação direta ao Chile, o que possibilitará à Telebras o acesso às redes na costa do Pacífico.