Ibovespa tem 4ª queda seguida com forte queda de siderúrgicas

Sem consenso dos analistas do mercado para a explicação de uma queda tão forte para o setor, CSN e Usiminas assustam o mercado com quedas superiores a 6%; dólar sobe 1%

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SÃO PAULO – Depois de passar a manhã na corda bamba, tentando se segurar no campo positivo após 3 pregões consecutivos de queda, o Ibovespa voltou a fechar com perdas nesta terça-feira (21), ao recuar 0,34%, a 48.542 pontos, em dia marcado por projeções negativas do FMI com relação à economia brasileira, na contramão do maior otimismo da instituição frente outros países. Também contribuíram para movimento negativo do índice a forte desvalorização – sem grandes explicações apontadas pelos analistas – das ações das empresas dos setores de siderurgia e mineração, ofuscando os ganhos dos bandos. O volume financeiro negociado nesta sessão foi de R$ 6,70 bilhões.

Do lado macroeconômico desta quarta-feira, destaque para o relatório de perspectivas econômicas do FMI (Fundo Monetário Internacional), que elevou a projeções para o PIB (Produto Interno Bruto) de 3,6% para 3,7% para a economia global, enquanto reduziu para o Brasil – único país de grande porte, junto com a Rússia, que teve piora nos números – de 2,5% para 2,3% em 2014 e de 3,2% para 2,8% em 2015.

A instituição elevou perspectivas para China e Estados Unidos, as duas grandes locomotivas da economia mundial, mesmo alertando que as nações mais desenvolvidas ainda estão crescendo abaixo da capacidade total. A expectativa é que os EUA tenham uma alta de 2,8% no PIB este ano, contra 2,6% anteriormente estimados, em meio ao acordo orçamentário no Congresso que reduzirá parte dos cortes de gastos públicos que pressionavam a demanda doméstica. Já na segunda maior economia do mundo, as reformas de Xi Jinping também são bem avaliadas pelo FMI: a expectativa de crescimento chinês cresceram de 7,3% para 7,7% em 2014, o que em tese ajudaria o Brasil.

No entanto, as políticas econômicas do Brasil não têm funcionado nos últimos anos – o País embarca em seu quarto ano de crescimento baixo, sem perspectiva de melhoria. Assim sendo, o FMI não acredita que o País venha a se beneficiar do crescimento mundial, ao passo que seus pares em desenvolvimento mantiveram perspectivas de avanços, com as exportações maiores devem compensar a tendência de redução na demanda doméstica.

Com cada vez mais indícios de que a economia brasileira caminha no sentido da deterioração, a menor confiança do investidor estrangeiro torna-se evidente e traz reflexos claros no dólar, divisa já em tendência de alta natural em meio à retirada gradual no programa de estímulos do Federal Reserve à economia americana. Desde janeiro, a autoridade monetária dos Estados Unidos tem injetado US$ 10 bilhões a menos em comparação com os antigos US$ 85 bilhões no mercado via compra de títulos – programa conhecido como QE3 (Quantitative Easing) -, e sinaliza que zerará as aplicações ainda neste ano. Com menor liquidez de dólares no mercado mundial, além da pior percepção em relação à economia brasileira, a tendência de alta para a divisa é natural. Nesta quarta-feira, a moeda americana subiu 0,99%, a R$ 2,3615 na venda.

“Fantasma” da siderurgia dá o tom do dia
Já na bolsa brasileira, o dia marcou a derrocada das empresas do setor siderúrgico, que caíram forte sem uma causa específica apontada pelos analistas do mercado. Com isso, as ações de CSN (CSNA3, R$ 12,66, -7,46%) e Usiminas (USIM5, R$ 12,75, -6,46%) figuraram entre as duas maiores quedas do dia, acompanhadas pelos papéis da mineradora Vale (VALE3, R$ 31,08, -2,23%; VALE5, R$ 28,48, -2,37%).

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A Vale segue amargando dias difíceis na bolsa. Após registrar uma baixa de mais de 2% na véspera, refletindo também os dados do PIB (Produto Interno Bruto) da China reforçando a percepção de desaceleração da economia, a companhia tentou engatar ganhos no início da sessão desta terça-feira, mas logo foi para queda. Conforme ressaltou o analista da Leme Investimentos, João Pedro Brugger, este movimento ocorreu muito mais em meio a uma correção do que frente a uma mudança de percepção dos investidores.

Do lado das siderúrgicas, a corretora do UBS Brasil apareceu como a maior vendedora de ações das duas empresas que mais caíram neste pregão, o que sinaliza uma possível saída de investidores estrangeiros – já que as corretoras de bancos internacionais geralmente têm entre seus clientes investidores de fora do País ou fundos de investimentos.

Ainda nos setores de siderurgia e mineração, vale destacar o relatório do Inda (Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço), que apontou para uma alta de 4,3% nas vendas de aço plano por distribuidores do Brasil em 2013, para 4,54 milhões de toneladas. Na comparação dezembro 2012-2013, as vendas do setor cresceram 11%, para 346,9 mil toneladas, mas recuaram 11,4% sobre novembro. O setor terminou 2013 com estoques de 1,05 milhão de toneladas, num crescimento de 11,3% sobre o volume do final de 2012.

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Para o analista Victor Pena, do BB Investimentos, não há fundamentos claros que justifiquem o movimento. “Não tem nenhum fundamento forte que justifique esse movimento de hoje. Os dados da China [do PIB, divulgados na última segunda-feira (20)] não foram tão decepcionantes; os dados da Inda também não justificariam quedas mais fortes”, observou.

Bancos e Petrobras não evitam o dia negativo
Na outra ponta do Ibovespa, apareceram as ações dos bancos Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 30,18, +1,41%) Bradesco (BBDC3, R$ 29,48, +1,90%; BBDC4, R$ 27,31, +1,15%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 22,40, +0,45%) bem como a holding Itaúsa (ITSA4, R$ 8,49, +0,71%), favorecidas pelo comentário otimista dos analistas do Bank of America Merrill Lynch. Em relatório divulgado hoje, o banco afirmou sua preferência por bancos privados devido à expectativa de balanços mais fortes e melhores tendências operacionais e reiterou Itaú Unibanco como sua top pick, com elevação de preço-alvo de R$ 36 para R$ 39. Na mesma linha da matéria divulgada hoje no InfoMoney, de que Itaú Unibanco tem sido unanimidade entre os gestores para as apostas na Bovespa em 2014.

Já a Petrobras (PETR3; R$ 14,35, +0,35%; PETR4, R$ 15,34, +1,05%), companhia com maior participação na composição da carteira teórica do índice, voltou a ter ganhos expressivos, mas não conseguiu evitar a quarta queda seguida do Ibovespa, ampliando o momento de “vacas magras”, de um modo geral, para os investidores na Bovespa.

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As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 CSNA3 SID NACIONAL ON 12,66 -7,46 -11,96 164,46M
 USIM5 USIMINAS PNA 12,75 -6,46 -10,27 136,50M
 GFSA3 GAFISA ON 3,38 -3,70 -4,25 20,26M
 BRAP4 BRADESPAR PN 21,12 -3,12 -15,79 29,77M
 SANB11 SANTANDER BR UNT ER N2 12,14 -2,49 -0,38 82,95M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 MRFG3 MARFRIG ON 4,83 +3,43 +20,75 22,66M
 QUAL3 QUALICORP ON 21,01 +1,99 -6,62 48,26M
 BISA3 BROOKFIELD ON 1,06 +1,92 -7,83 7,34M
 BBDC3 BRADESCO ON 29,48 +1,90 -7,68 40,19M
 CMIG4 CEMIG PN 13,55 +1,80 -3,28 77,20M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

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 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 VALE5 VALE PNA 28,48 -2,37 671,01M 414,73M 30.505 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN 30,18 +1,41 333,19M 339,55M 14.059 
 PETR4 PETROBRAS PN 15,34 +1,05 304,46M 316,54M 18.176 
 BBDC4 BRADESCO PN 27,31 +1,15 181,76M 167,50M 13.864 
 GGBR4 GERDAU PN 16,80 -1,70 170,69M 102,34M 16.629 
 VALE3 VALE ON 31,08 -2,23 169,20M 134,77M 11.426 
 CSNA3 SID NACIONAL ON 12,66 -7,46 164,46M 82,94M 18.630 
 USIM5 USIMINAS PNA 12,75 -6,46 136,50M 73,89M 16.702 
 CCRO3 CCR SA ON 16,50 -0,60 135,09M 58,76M 10.526 
 ABEV3 AMBEV S/A ON EDJ 16,90 +1,20 118,54M 142,61M 14.789 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão) 

China tem alívio com setor bancário
Na Ásia, a China voltou a dar as caras. Após os dados do PIB divulgados na véspera, trazendo ritmo de crescimento mais fraco dos últimos 14 anos, o país animou os investidores ao anunciar que as taxas do mercado monetário caíram com força nesta terça-feira depois que o banco central do país injetou mais de 255 bilhões de iuanes (42 bilhões de dólares) no sistema financeiro, aliviando as preocupações em relação a outro aperto de crédito.

O banco central chinês, diante de sinais de que as taxas referenciais poderiam saltar, anunciou na segunda-feira que forneceu dinheiro diretamente a alguns bancos através de um mecanismo de empréstimo de curto prazo e que injetaria mais fundos nesta terça-feira. Analistas do mercado disseram que é virtualmente sem precedentes que o banco central declare abertamente suas intenções de injetar ou retirar fundos em operações abertas do mercado regularmente.

Europa: resultados e Alemanha no radar
Na Europa, chamaram atenção os resultados corporativos referentes ao 4º trimestre de 2013, com Unilever e Alstom divulgando seus balanços ao mercado nesta sessão. A fabricante de bens mostrou dados melhores que o esperado, enquanto a companhia de energia e transporte francesa reduziu suas metas anuais de lucro e fluxo de caixa.

Ainda nesta terça, do lado macroeconômico, o índice de expectativa na economia da Alemanha diminuiu em 0,3%.


Responsável pela cobertura de política do InfoMoney, coordena o levantamento Barômetro do Poder, apresenta o programa Conexão Brasília e o podcast Frequência Política.