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SÃO PAULO – O IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de agosto, que funciona como uma prévia do indicador cheio, medida de inflação mais observada pelo Banco Central, mostrou deflação de 0,05%. Para a LCA Consultores, o resultado mais baixo do que se antecipava “reforçou a perspectiva de que o ciclo de aumento da Selic, se já não foi encerrado, está prestes a ser”.
A análise dos dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) também apontou nessa direção, argumenta a consultoria, já que o “pico” no ritmo de criação de postos formais de trabalho entre março e maio ficou para trás. Ainda assim, a LCA prevê mais um derradeiro aumento da Selic em 2010, em 50 pontos-base, na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) em 1º de setembro. Por outro lado, a consultoria avalia que a manutenção da taxa em 10,75% ao ano “guarda probabilidade quase equivalente”.
O que irá definir o rumo tomado pelo comitê será, então, na avaliação da consultoria, se o Banco Central irá preferir moderar ou ratificar a sinalização de que passou a aceitar um nível um pouco maior de riscos no campo da inflação ou ritmo mais lento de convergência da inflação ao centro da meta, diante das incertezas externas.
Projeções para o próximo ano
Com a perspectiva de que, em qualquer uma das hipóteses, o atual ciclo de aperto estará encerrado na próxima reunião, o foco passa a ser a previsão para a Selic no próximo ano. Para a LCA, a desaceleração mais intensa da atividade econômica e da inflação do País, aliada à mudança do discurso do Banco Central contribuíram para que houvesse dispersão tanto das expectativas para o aumento de preços quando para a trajetória da Selic no próximo ano.
Desse modo, a consultoria vê duas correntes de interpretação: a primeira acredita que o Banco Central erra ao interromper o movimento de alta da taxa básica de juros. Com isso, o Copom terá que corrigir o erro, com nova sequência de aumentos no ano que vem, para dissipar riscos referentes ao cumprimento da meta para a inflação em 2011.
A outra corrente, diz a LCA, é “mais otimista”, pois acredita que o potencial de crescimento é suficiente para dar conta da expansão da demanda, não colocando o cenário inflacionário em risco. A consultoria se inclui nesse grupo, argumentando que, a partir do terceiro trimestre desta ano, o PIB (Produto Interno Bruto) deverá caminhar em linha com o potencial de expansão, sem provocar, portanto, um descompasso entre oferta e demanda.
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Nova rodada de altas é pouco provável
Com isso, a consultoria avalia que é pouco provável que uma nova rodada de aumento da Selic ocorra em 2011. A LCA ressalta ainda que, entre outros fatores, o crescimento do crédito tem como reflexo um aumento da eficácia da política monetária: altas da Selic têm impacto maior sobre a atividade econômica e a inflação do que aumentos de magnitude semelhante implementados no passado.
Um exercício feito pela consultoria aponta para esse sentido e mostra ainda que o repasse de variações cambiais, por exemplo, têm perdido força na determinação da inflação corrente, enquanto o nível de atividade, por sua vez, mostra-se mais importante na determinação dos preços livres (não determinados pelo poder público nem disciplinados por concessões).
E é justamente por causa de uma expectativa de aumento mais moderado para os preços administrados que a LCA projeta inflação abaixo da média do mercado tanto para 2010 (4,9%, frente 5,1% do Focus) quanto para 2011 (4,6%, frente 4,9% do Focus).