Mercados operam sem tendência antes de PIB dos EUA e discurso de Bernanke

Futuros dos EUA e bolsas da Europa operam em leve alta; PIB do Reino Unido anima, mas dados dos EUA são o foco

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SÃO PAULO – Revisão do PIB (Produto Interno Bruto) dos Estados Unidos, discurso do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, e novos números sobre a confiança do consumidor norte-americano: não há dúvidas de que o cenário para esta sexta-feira (27) é pesado na América do Norte. Contudo, dados melhores do que o esperado no Reino Unido trazem boas referências nesta manhã.

Repercutindo a revisão para cima do PIB britânico – que cresceu 1,2% na passagem do primeiro para o segundo trimestres deste ano, ante a primeira prévia de 1,1% – a bolsa londrina tem leve alta nesta manhã, com o benchmark FTSE 100 subindo 0,09%. Já os índices CAC 40 (França) e DAX 30 (Alemanha) caem 0,01% e 0,03%, respectivamente.

Por outro lado, o mercado futuro de Wall Street indica uma abertura em leve alta, com os índices futuros do S&P 500, Nasdaq e Dow Jones negociados na CME (Chicago Mercantile Exchange) avançando 0,48%, 0,31% e 0,17%, nesta ordem.

Agenda dos EUA
Porém, os movimentos deste início de sessão ficam à mercê de novos dados sobre a economia norte-americana. Com divulgação marcada para 9h30 (horário de Brasília), a revisão do PIB do segundo trimestre deve trazer referências negativas, com expectativas de uma baixa significativa frente à primeira prévia.

“Nós vemos uma alta de 1,3%, após a estimativa inicial de 2,4%”, prevê Paul Donovan, do UBS. “Vale ter em mente que estas são projeções anualizadas (que exageram as mudanças). A escala do movimento possivelmente reflete alterações estruturais na economia norte-americana, o que levou a erros na primeira estimativa”, explica.

Mais tarde, às 10h55, será divulgado o Michigan Sentiment de agosto, com a confiança do consumidor do país. A expectativa é de que o indicador registre alta frente aos números preliminares, alcançando 70 pontos.

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Mas no final da manhã, as atenções estarão voltadas mesmo para o discurso de Bernanke em Jackson Hole, no estado de Wyoming, onde acontece o simpósio anual do Fed. O presidente da autoridade monetária falará sobre a política monetária, com expectativa de sinalizações dos próximos passos do Fed depois da manutenção dos estímulos econômicos na última reunião, em 10 de agosto.

Vale lembrar que o presidente do BCE (Banco Central Europeu), Jean-Claude Trichet, também deve expor suas opiniões no simpósio.

Perspectivas negativas
Enquanto a agenda traz dados que podem alterar – para melhor ou pior – a percepção do mercado em relação à recuperação dos Estados Unidos, as declarações de importantes personagens da comunidade econômica já apontam para um pessimismo persistente. Depois de Nouriel Roubini e Joseph Stiglitz alertarem para a possibilidade de uma nova recessão, agora é a vez de Paul Krugman e Mohamed El-Erian.

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“Isto, em circunstância alguma, pode ser considerado uma recuperação”, afirmou o Nobel de Economia, Paul Krugman, em artigo publicado no New York Times. “E as autoridades monetárias deviam fazer tudo aquilo que está ao seu alcance para alterar esse fato”.

Por sua vez, o CEO (Chief Executive Officer) da Pimco, El-Erian, escreveu no Washington Post que “a recuperação perdeu momentum e, enquanto o final do ano não será tão arrasador quanto os últimos três meses e meio de 2008, quando a economia global sofreu um ataque cardíaco, as consequencias serão parecidas em termos de impacto no bem-estar de milhões de pessoas”.

Brasil
Por aqui, a falta de indicadores relevantes na agenda deixa as atenções voltadas ao cenário internacional, com fatos pontuais sobre a cena corporativa doméstica fazendo parte do noticiário. A capitalização da Petrobras e precificação da cessão onerosa continuam em foco, com rumores e declarações oficiais de membros do governo e da estatal nas manchetes dos principais jornais.

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A maior blue chip brasileira, a Vale, também ocupa o noticiário. As especulações são de que a mineradora irá reduzir o preço do minério de ferro em 10% a partir de outubro, como parte do novo sistema de revisão trimestral. O movimento segue a queda na cotação do produto no mercado à vista chinês.