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SÃO PAULO – O Ibovespa segue sem definir seus caminhos na volátil sessão desta quinta-feira (30). Em um intenso movimento marcado por sucessivas viradas sem sinalizações claras, o índice acompanha a aproximação do feriado de uma semana na principal referência emergente, além da repercussão da agenda macroeconômica. Às 15h50 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira recuava 0,42%, a 47.365 pontos. Também vale destacar o desempenho do dólar, que cai 0,86% e registra cotação de R$ 2,4128 no mesmo horário, após as fortes altas dos últimos dias.
O benchmark da bolsa brasileira chegou a acompanhar a intensificação dos ganhos dos principais índices norte-americanos no começo da tarde, mas as incertezas são mais fortes e a volatilidade é grande nesta sessão. Em Wall Street, os três principais índices acionários operam com ganhos entre 1% e 2%.
Entre os ingredientes que trazem mais volatilidade para a bolsa brasileira nesta sessão, o analista de investimentos da Monte Bravo, Bruno Madruga, destaca a proximidade da comemoração do ano novo chinês, que manterá a bolsa fechada durante toda a próxima semana na maior economia da Ásia. O “carro-chefe” dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) é usado por muitos investidores estrangeiros como termômetro das economias emergentes. Além disso, o cenário bem menos favorável aos países em desenvolvimento – que têm sofrido com uma crise de confiança dos mercados e competindo com a recuperação das economias tradicionais – faz com que o mercado fique mais sensível.
Agenda macroeconômica
Vale ressaltar que o início da sessão foi de leves perdas, com o índice seguindo o movimento de queda após ter renovado o patamar mínimo na véspera. Além da decisão do Fomc (Federal Open Market Commitee) de reduzir em US$ 10 bilhões o programa de estímulos à economia, como esperado pelo mercado, o mercado seguia pressionado pelos indicadores chineses, que mostraram contração da atividade industrial. O índice de gerente de compras (PMI) do setor industrial caiu para 49,5, menor valor atingido em seis meses, e abaixo do esperado pelo mercado.
Ainda nesta sessão, vale destacar outro vetor da agenda macroeconômica nos EUA: os dados do setor imobiliário. O indicador de vendas de casas pendentes caiu em dezembro para o menor nível em dois anos, em 8,7% no mês passado, o que sinaliza que o setor ainda anda a passos lentos no país.
Antes, o destaque ficou para o PIB (Produto Interno Bruto) preliminar dos EUA referente ao quarto trimestre, que teve alta de 3,2% na taxa anualizada. Robustos gastos das famílias e o aumento das exportações mantiveram a economia dos Estados Unidos em base sólida no quarto trimestre, mas a estagnação dos salários pode reduzir parte do ímpeto no início de 2014. Também foram divulgados no final da manhã os dados de auxílio desemprego, com o número de pedidos atingindo 348 mil, ante previsão de 330 mil pedidos, assim como os dados de inflação, com o índice de preços PCE subindo 0,7% e o núcleo avançando 1,1% no quarto trimestre.
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Já por aqui, o Brasil teve uma boa notícia em meio ao noticiário ultimamente bastante negativo. A taxa de desemprego em dezembro caiu para 4,3%, sendo a menor da série histórica divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia Estatística). Em novembro, a taxa havia sido de 4,6%.
Elétricas sobem; Petrobras e Vale seguem volatilidade do índice
Contribuindo para a volatilidade do índice nesta sessão aparecem as ações das duas maiores blue chips do índice: Petrobras (PETR3, R$ 13,74, -0,07%; PETR4, R$ 14,80, 0,00%) e Vale (VALE3, R$ 32,70, -1,21%; VALE5, R$ 29,80, -0,53%) que respondem por mais de 20% da composição da carteira teórica do Ibovespa. Enquanto a primeira companhia tentava se recuperar após os seus papéis atingirem a cotação mínima desde 2008, a mineradora, que registrou fortes ganhos na véspera após ter uma operação de captação bem sucedida, viu dados ruins da China voltarem a pesar.
Dentre as maiores altas, aparecem as empresas do setor elétrico, com Cesp (CESP6, R$ 22,89, +5,00%), Cemig (CMIG4, R$ 13,78, +3,22%) e Eletrobras (ELET6, R$ 9,49, +3,15%) liderando os ganhos até o momento. As companhias são beneficiadas pelo preço da energia no mercado à vista mais caro.
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Ainda na ponta de cima, também vale destacar as ações da Gafisa (GFSA3, R$ 3,15, +2,27%), que na véspera registraram baixa de 6,95% em meio à percepção de que o Banco Central brasileiro deve aumentar a taxa de juros brasileira. Na véspera, Índia, Turquia e África do Sul elevarem suas taxas de juros – com destaque para a Turquia, que elevou seus juros de 7,75% para 12% ao ano. Esse cenário tem forte impacto nos papéis das imobiliárias, já que as instituições financeiras precisam repassar o aumento para o juros do mercado imobiliário. Com isso, o valor das prestações dos novos contratos aumenta, o que deve frear ainda mais o crescimento do setor.
Já do lado das perdas, chamam atenção as quedas de Energias BR (ENBR3, R$ 9,40, -3,49%), Cosan (CSAN3, R$ 35,39, -2,64%) e Qualicorp (QUAL3, R$ 20,40, -2,25%), que até o momento figuram entre as maiores perdas do dia.
Temporada de balanço começa a aquecer mercado
O mercado brasileiro repercute ainda a temporada de balanços, que começou esta semana bastante agitada. Entre a noite da véspera e esta manhã, foram divulgados os balanços de três empresas que compõem o Ibovespa, dentre elas dois grandes bancos.
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O Bradesco (BBDC4) anunciou que teve lucro líquido de R$ 3,079 bilhões no quarto trimestre, crescimento de 6,4% sobre o mesmo período de 2012 e suas ações registram agora perda de 0,62% para os ativos PN e de 0,35% para os ativos ordinários. Enquanto isso, o Santander (SANB11) vê seus papéis registrarem queda de cerca de 2,13%, após a companhia divulgar um lucro líquido consolidado de R$ 5,848 bilhões em 2013, alta de 6,5%. Já o lucro gerencial ficou quase estável no quarto trimestre na comparação com o terceiro trimestre, com alta de 0,2% e somando R$ 1,409 bilhão.
Enquanto isso, a Fibria (FIBR3) volta a registrar fortes baixas e lidera as perdas do índice, com queda de 1,91%, a R$ 26,68. A companhia divulgou um prejuízo líquido de R$ 185 milhões no quarto trimestre na noite da última quarta-feira, pressionada pelo variação cambial e pelo aumento da despesas com imposto de renda pela adesão ao Refis. Um ano antes, a Fibria teve lucro de R$ 48 milhões.