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SÃO PAULO – Embora tenham sido criados 431 mil postos de trabalho nos Estados Unidos em maio, de acordo com o último Relatório de Emprego do país, mais conhecido como Employment Report, os analistas classificaram o número como fraco. A explicação para essa classificação, que à princípio parece descabida, está no fato de que grande parte das contratações aconteceu por causa do programa de recenseamento da população norte-americana, dirigido pelo governo.
Como no setor privado foram abertas apenas 41 mil novas vagas, os analistas desconsideraram o dado mais forte trazido pela medição geral. Nos números que serão divulgados nesta sexta-feira (2), com referência ao mês de junho, as tendências serão diferentes, mas o centro das explicações permanece com o Censo.
Embora a expectativa seja de corte de vagas na folha de pagamentos, já que o governo deve ter contratado 245 mil trabalhadores a menos para o recenseamento no último mês, segundo o JPMorgan, a expectativa é que o setor privado traga números mais animadores – 170 mil novas vagas, na projeção do banco norte-americano.
Momento da verdade
Para o Société Générale, esse será o “momento da verdade”. O banco francês também salienta o fato de que as atenções ficarão concentradas na folha de pagamentos do setor privado, mas não têm tanta certeza sobre a retomada. De acordo com Aneta Markowska, responsável pelo relatório, a expectativa é que o conjunto de empresas privadas tenha criado 150 mil postos de trabalho em junho – caso esse dado seja confirmado, parte da preocupação com a economia norte-americana será dissipada.
Por outro lado, qualquer número muito abaixo de 100 mil empregos iria confirmar que o “momentum” passou, significando, portanto, que será difícil sustentar o atual ritmo de crescimento do consumo. A instituição também avalia, em sua projeção, que os dados recentes sobre desemprego não são muito animadores.
Indicadores auxiliares
Os pedidos de auxílio-desemprego, por exemplo, não mostraram nenhuma melhora desde o início do ano, teimosamente permanecendo em cerca de 450 mil novos pedidos semanais. “No entanto, este não tem sido um bom indicativo da tendência do mercado de trabalho em 2010, já que está descolado das leituras recentes”, afirma a analista do banco francês.
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Também o ADP Employment Report, que mede apenas as novas vagas no setor privado, mostra bandeira de perigo, ao revelar apenas 13 mil postos de trabalho de acordo com a última pesquisa, divulgada quarta-feira (30). Aqui, também, o Société Générale avalia que esta “não é nossa medida de previsão favorita”.
Por isso, o banco ressalta a pesquisa JOLTS, que coleta informações sobre contratações brutas e dispensas. Nas últimas leituras, demissões continuaram a cair forte ao longo de 2010. O JPMorgan também cita a pesquisa, lembrando que vacâncias de emprego aumentaram 21% neste ano.
Taxa de desemprego
O Bank of America Merrill Lynch, por sua vez, também acredita em uma adição de 150 mil trabalhadores ao mercado pelo setor privado na medição de junho. O banco lembra que contratações na faixa de 300 mil trabalhadores colaboram para que a taxa de desemprego diminua 0,1 ponto percentual por mês, “mas parece que nós nos estagnamos na zona de empate”, referindo-se à faixa de 150 mil novas vagas por mês, que mantém a taxa de desemprego estável.
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Para o Wells Fargo, o corte de vagas esperado para junho deve ser suficiente para manter a taxa em 9,7% da PEA (População Economicamente Ativa). A instituição também declara que não prevê melhora do indicador ao longo do ano, apostando que a taxa de desemprego continuará a oscilar na faixa de 10%.
O Commonwealth, por sua vez, aponta que o declínio da taxa de desemprego no último Employment Report aconteceu apenas por causa da queda da população economicamente ativa, à medida que as pessoas desistem de procurar empregos, ao invés de ter sido promovido por um ritmo mais forte de criação de postos de trabalho. O banco conclui ao afirmar que mesmo uma retomada do ritmo de contratações no setor privado deve ser insuficiente para conter a folha de pagamentos negativa, devido ao Censo.
O relatório
O Employment Report ainda é composto por ganho por hora trabalhada – projeção de 0,3% para junho, 0,2 pontos percentuais abaixo de maio – e média de horas trabalhadas – estimativa de 34,2 horas, estável em relação à medição anterior.